Condição humana


fiodeprumo,

“E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos.

… Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba.”

 

                                                       Padre António Vieira, in ‘Sermões’ 

0 comentários em “Condição humana”

  1. Seria naquele tempo.
    Desde há muito que se passa precisamente o contrário: muitos portugueses, demasiados, contentam-se com o rendimento mínimo ou pouco mais e ficam extremamente gratos, pagando com votos, pelas migalhas que os partidos lhes dão por caridade, quando, por justiça, muito mais lhes era devido.
    Estou convencido de que Vieira se referia a uma certa elite.
    Essa, sim, ainda hoje existe e prospera.
    Pela corrupção.

  2. A nossa república é republicana(convém reconfirmar a todo o momento)e laica.
    O sermão é sagaz mas o país de Abril é já outro,prenhe de promessas e benesses
    para todos.

  3. ” Para a formação da consciência pública, para a criação de determinado ambiente, dada a ausência de espírito crítico ou a dificuldade de averiguação individual, a aparência vale a realidade, ou seja: a aparência é uma realidade política. “

  4. ” Em política acontece que as mesmas palavras traduzam realidades diferentes e que coisas semelhantes possuam nomes contrários. ”

  5. ” Os povos antigos ou são tristes, ou são cínicos. A nós, portugueses, coube ser tristes. ”

  6. E “se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande”.

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