“E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos.
… Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba.”
Padre António Vieira, in ‘Sermões’

Palavras sábias, sim senhora, e muito bem lembradas.
Está tudo nos clássicos…
🙂 Antonieta
Seria naquele tempo.
Desde há muito que se passa precisamente o contrário: muitos portugueses, demasiados, contentam-se com o rendimento mínimo ou pouco mais e ficam extremamente gratos, pagando com votos, pelas migalhas que os partidos lhes dão por caridade, quando, por justiça, muito mais lhes era devido.
Estou convencido de que Vieira se referia a uma certa elite.
Essa, sim, ainda hoje existe e prospera.
Pela corrupção.
Caro João de Brito
Se ler o Sermão completo verá a quem Vieira se refere. E, acredite, os hábitos podem mudar. Mas o Homem muda muito pouco. Infelizmente.
A nossa república é republicana(convém reconfirmar a todo o momento)e laica.
O sermão é sagaz mas o país de Abril é já outro,prenhe de promessas e benesses
para todos.
Caro Peço perdon
O país será outro, concerteza. O Homem, esse, continua a ser o mesmo!
” Para a formação da consciência pública, para a criação de determinado ambiente, dada a ausência de espírito crítico ou a dificuldade de averiguação individual, a aparência vale a realidade, ou seja: a aparência é uma realidade política. “
” Em política acontece que as mesmas palavras traduzam realidades diferentes e que coisas semelhantes possuam nomes contrários. ”
” Nós somos um povo de conversadores… inúteis, sobretudo quando não somos espirituosos. “
” Os povos antigos ou são tristes, ou são cínicos. A nós, portugueses, coube ser tristes. ”
E “se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande”.