Temos a mania de complicar o que é simples. O que logo se detecta na linguagem comum. Reparo tantas vezes na expressão “bom dia para si”, hoje de uso corrente, como se um claro e belo “bom dia” não bastasse como saudação. Ou na quantidade de vezes que alguém, em diálogo connosco ou perorando na pantalha, inicia uma frase com esta inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: “Na minha opinião pessoal…”
Sempre tive a sensação de que o desdobramento das frases em inúteis partículas vocais é inversamente proporcional àquilo que se sente. O que vale para a expressão oral funciona também para a escrita. Quando dava formação a estagiários no jornalismo, recomendava-lhes esta regra: nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos. Há que simplificar o que parece complicado. No nosso idioma, o essencial fica quase sempre dito em vocábulos de escassas letras: luz, lua, dom, mar, mágoa, ler, cor, água, som, ar, dor, dar, ver, rio, calor, frio, flor, sol, amor.
Tanto se fala em mudar, reformar, transformar: comecemos por alterar o modo como falamos. Toda a verborreia é dispensável. Libertemo-nos dela, como um acto higiénico.

nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos
Incluindo os carateres que não se lêem da ortografia antiga?
A ortografia atual facilita o cumprimento dessa regra…
Bom dia.
como se um claro e belo “bom dia” não bastasse como saudação
Não basta. É sempre bonito e agradável dizer o nome da outra pessoa. Por exemplo, em vez de “bom dia”, dizer “bom dia, Sandra”.
Bom dia, Lavoura.
quem será a Sandra?
Seja quem for, coitada, não lhe invejo a sorte.
a inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: “Na minha opinião pessoal…”
Não é retórica. É afirmar claramente que se trata somente de uma opinião. Muitas pessoas, na conversa corrente, exprimem as suas opiniões como se de factos se tratasse. Outras vezes, exprimem os seus desejos para o futuro como se de factos comprovados se tratasse. Não é, por isso, retórica afirmar claramente que estamos somente a exprimir a nossa opinião.
Chiça. Bom dia para si também.
Aí em Lagos faz bom tempo? Vai almoçar onde e o quê? Pelo Porto estão quase 20’C…
Em Lagos está perfeito: 21 graus.
O almoço vai ser mínimo pois quero andar a entrar e a sair da água.
Especial será o jantar, mal caia o sol.
A sua resposta, é excelente exemplo do post.
Ai é? Que chatice, não tinha percebido.
LOL!
Eu gosto é de “…aquilo que é a minha opinião pessoal”.
João de Brito
Há muitas ramificações. Os políticos são especialistas nisso.
Que diabo de má vontade! Se as pessoas falam assim é somente para, em nome da clareza do propósito, distinguir de: ‘na minha opinião não pessoal’.
Boa tarde para todos os que aqui vieram comentar numa tarde de sábado!
Eheh. Boa tarde, Miguel.
também há o menos usado “eu, impessoalmente”
E há a célebre expressão “todo o jogador é um ser humano”. Muito usada para encher chouriço no futebol.
Pedro, somos um país de poetas. Redundâncias, paradoxos estão na nossa massa do sangue…..
Bom dia para si, em particular, “protagonsista principal”
e para todos no geral
E eufemismos, meu caro. Somos cultores de eufemismos. O “precioso líquido” em vez de água. Os “amigos do alheio” em vez de ladrões. Os “soldados da paz” em vez de bombeiros. Etc, etc.
Sempre a complicar.
Bom dia!
De certeza que o precioso líquido é a água? Pensava que o whisky.
Depende. Se for uisquinho de Sacavém, nem por isso.
O jpt defenderá o Queen Margot
O JPT é monárquico? Imaginava-o republicano.
se é de mim que falam, eu sou (pessoalmente falando, claro, em minha opinião) de quem me pagar um uísque
Nunca sei se é de ti se é do teu homónimo que comenta por estas bandas.
o meu (quase)homónimo é maiúsculo eu sou orgulhosamente minúsculo, sempre. Pode-se dizer que é uma diferença ideológica
A propósito: o que será feito dele? Há uns tempos que não aparece.
Tenho cruzado iniciais com ele, ocasionalmente nos meus postais.
Antigamente era o vinho, agora é a verborreia que alimenta tanta gente.
O vinho dava de mamar a um milhão de portugueses. Incluindo as sopas de cavalo cansado (eufemismo, outra modalidade em que somos campeões olímpicos).
Que penitência…
E, já agora, bom dia , caro Pedro Correia .
JSP
Eheh. Carrega-se num botão e ele salta logo.
Bom dia, caro JSP.
O meu preferido é: “há um ano atrás”.
Como se o ano que passou pudesse ser para a frente.
Não bastaria “há um ano”?
Outro assunto, Miguel Sousa Tavares que por estes dias está a passear por Macau, diz-nos na pág. 11 do Expresso: “os portugueses (…) encontram-se todos os dias ao almoço para comer o inevitável bacalhau ou a carne de porco alentejana, assim como aos domingos vão ao Miramar comer o cosido”; fim de citação e pedido de explicação, o cozido em Macau é cozido ou cosido?
Grande abraço e continua a aproveitar o Reino do Algarve.
Aqui há uns anos tive uma polémica com MST, no ‘Público’, a propósito de Macau, quando ele – manifestamente por falta de assunto – escreveu um artigo nesse jornal dizendo que não conhecia nem queria conhecer Macau pois era um território só com putas e jogo.
Folgo muito em saber que finalmente mudou de ideias. Está a descobrir finalmente aquilo que sucede há largas décadas, senão séculos: em Macau, famílias inteiras de chineses adoram comer coZido à portuguesa, feijoada à transmontana e bacalhau com todos. Deixámos por lá, entre outras excelentes heranças, também esta – a gastronómica.
Forte abraço, caro Pedro, aqui do belo sol de Lagos – cidade que MST conhece bem,
comentários maldosos, já o homem (na sua opinião pessoal) não pode coser um artigo à sua (pessoal) vontade
Como diz o povo:
“Cada um sabe as as linhas com que se cose”; ou como diria Miguel Sousa Tavares, que detesta o povo, as praias de Lagos cheias de povo e apesar disso, escreve um livro intitulado: “Cebola crua com sal e broa”, como diria MST (para não perdermos o fio na meada): ” cada um sabe as linhas com que se coze”.
(nada tenho contra o Sr. Miguel Sousa Tavares que tenho o prazer de não conhecer pessoalmente, tenho tudo contra as pseudo-elites lisboetas que olham para o interior como uma coutada de caça onde vão por desfastio assassinar perdizes, lebres e consoantes mudas).
O povo, se calhar, se pudesse escolher, preferia um caviarzito a barrar uma mini tosta, pensa nisso, Miguel, enquanto trincas a cebola crua.
Também embatemos.. “contra” arvores ,muros e postes!!!
e “voltamos a repetir” coisas que só dissemos uma vez!!..
é um passatempo interessante …ouvir com atenção critica os discursos e as noticias dos programas da TV´s
Tal e qual. E há as “guerras civis fratricidas”, como li muito recentemente num jornal “de referência”.
Pedro,
A minha inglória luta contra o “há anos atrás” foi completamente derrotada pelos jornalistas e políticos que deveriam, repito deveriam ter mais cuidado com a forma como fazem as declarações.
Aprendi muito cedo que não se deve escrever ou dizer o que já está subentendido…
Abraço.
A melhor observação contra esse dislate ouvi-a eu, há muitos anos, da boca do saudoso Carlos Pinhão, grande benfiquista e grande jornalista, falando com humorada bonomia para um estagiário que empregara tal expressão:
– Ó pá, onde é que tens o ânus? À frente ou atrás?
– Atrás…
– Então não precisas de dizer “ânus atrás”. “Ânus” já basta.
antológica
Mas teremos mesmo que acabar com os belos pleonasmos? Não poderemos mais dizer “subir para cima”, “entrar para dentro”, “esquerda radical”, “político corrupto”, “sportinguistas frustrados”?…
E que medrem também as personificações, começando pelas papoilas saltitantes.
na minha opiniao pessoal… o post pretende simplificar a complicaçao .
Mas, mais a serio, mesmo que no seja essa a ideia do post, no extremo comunicariamos so com “sim ” e “nao ” ?
Comunicar é também, entre outras coisas, tornar simples o que é complexo.
Um dos mais memoráveis discursos da História – o de Lincoln, pronunciado em Gettysburg, em 1863 – só tinha 273 palavras.
Também gostamos muito de diminutivos: uns carapauzinhos fritos, com arrozinho de grelos e uma saladinha, claro.
E os provérbios, Pedro?
Português que se preze tem sempre um proverbiozinho para cada ocasião.
⚘
Maria
Sim, Maria, adoramos diminutivos. E transmitimos esse gosto aos nossos descendentes brasileiros, que o cultivam até em maior grau que nós.
Quanto aos provérbios, já fui coleccionador deles. Coleccionei centenas. Hoje, com a internet, estas recolhas de frase estão à distância de um clique – embora quando se lance a rede acabemos por recolher de tudo um pouco, do luxo ao lixo.
Mas os ditados ou provérbios de que mais gosto eram aqueles que em miúdo me habituei a ouvir à minha avó.
Estes dois, por exemplo:
«O melhor da festa é esperar por ela.»
«Mais depressa acaba a boca do que a sopa.»
Recordar para a frente como pessoa normal, notório idiota dos que enchem o mundo.
Isso. E ter saudades do futuro também. Já esteve na moda, agora parece que já não.
Bom dia!
Bondiazinho, menina. Então como está? Nós por cá vamos indo, uns dias melhor outros dias pior, mais ou menos, assim-assim…
Ai, não me diga nada, as cruzes, sabe lá como isto anda. Tinha consulta marcada para daqui a 5 meses e já ma adiaram 3 vezes, veja lá, Sr. Pedro. Lá irei, em Junho de 2034. Nem lhe falo do resto, aquela vizinha que me atira a água com lixívia para cima do estendal, sempre que lava a varanda! Grande sorte, a minha!!! Quatro hérnias, uma gripe que não se vai, a vizinha. Olhe, o que me vale é encontrar gente decente como o Sr. Pedro que compreende estas dores. Então até outro dia, um abraço à família e aproveite o solinho, que está mesmo bom para passear, não fossem estas crues. Já lhe falei das cruzes?
Eheheh. É mesmo assim.
As nossas despedidas são homéricas.
Ao telefone, então, tornam-se intermináveis, em fluxos torrenciais.
Há dias estava a ouvir uma senhora a falatar ao telemóvel num local público, em voz bem alta. Quando esboçou a primeira frase de despedida, apostei com os meus botões: não desliga antes de cinco minutos.
Demorou mais de sete. Com frases do género dessas que trouxeste aqui.
os leitores nao estao obrigados a muito rigor… escrevi que o post falava em simplificar a complicaçao, mas queria escrever que o post fala em simplificar o que é complicado.
recentemente li uma folha de uma igreja que alguem deixou no banco de autocarro. Explicava porque a biblia nao fora feita para ser entendida, seria apenas entendida por alguns e só quando o senhor os tocasse para tal conseguirem.
Bem a proprosito que a biblia, alem de volumosa, cada vez o é mais, nao sei se porque crescentemente aumentada.
Salazar foi curto : para angola e em força.
Simplificou ?
os discursos consoante aquilo que versam, e o respetivo momento, assim sera a sua duraçao.
È certo que para nos é estranho aqueles discursos de horas a fio…
Vejamos a constituiçao : devia so ter um ou dois e curtos paragrafos ?
E a comunicaçao nas/ atraves das cançoes, deviam ser reduzidas a 30 segundos ?
Devia ser estendida a comunicaçao que nos agrada, e como proibir os ” excessos ” daquela que nao nos interessa. ( uns amigos diziam-me que aproveitavam para irem fumar, quando eu discursava na AG )
Os relatos de futebol aconteceriam so na consumaçao do golo, ou seriam integrais mas como pausas de cinco minutos a cada cinco ?
afinal, estaremos perante enfado relativamente á comunicaçao dos outros, e nao nos damos conta da nossa propria ?
um titulo é um chamariz, mas a seguir vem o bla bla bla habitual,
Curioso que tenha trazido aqui o exemplo de Salazar. Muito antes das agências de comunicação e das fórmulas de ‘marketing’ político estarem profissionalizadas ao nível a que hoje se encontram, ele era capaz de encontrar fórmulas sintéticas e eficazes no discurso político. De tal maneira que algumas dessas frases com marca original salazarista se incorporaram no léxico comum dos portugueses.
“Rapidamente e em força”, é um desses casos.
Mas também “orgulhosamente sós” ou “em política, o que parece é”.
faltou dar um exemplo de comunicaçao descomplicada : wood allen num filme aborda a boazona transeunte perguntando se quer ir para a cama .
isto sim é uma comunicaçao simplificada, mas so no filme, pois no cotidiano ainda nao é aceite.
Tem dias. Ou noites.
Falando em complicar/descomplicar, porque será que estão em desuso as palavras “dum” e “duma” em vez de “de um” e de “de uma” (que não deixa de estar correto) e que resulta, oralmente, em “dium” e “diuma” partindo da boca de quase todas as personalidades (locutores, cantores e outras) nas televisões e rádios. Não sei que raio de preconceito é que agora há contra as contrações das preposições com os artigos, sobretudo com os indefinidos. Aquelas expressões são apenas um pequeno exemplo. Também não gostam das elisões, preferem dizer “diAfrica” ou “diamor” em vez “d’África” ou d’amor”.
Eu sou dos que defendo que desde que esteja correto se deve simplificar e não o contrário.
Tem toda a razão. Às vezes até se impõe a contracção a dobrar, para afastar melgas iletradas, como acontece com “Dum Dum”.
O tema actual é outro. É o poder de intimidar. Finalmente Portugal é uma potência nuclear que num ápice ultrapassou o Irão, a Coreia do Kim e mais uns inábeis do planeta. Sim. Portugal, finalmente, tem a bomba atómica, termonuclear ou mãe e avó de todas as bombas. É O RUI PINTO. Ele está na posse das provas de toda a corrupção no futebol, na política e por todo o lado. Ele é escritórios de advogados, gabinetes de ministros, pulhas do futebol, etc., etc.. O Homem está preso e bem preso. Se o deixam sair e ele põe a boca no trombone, que é como quem diz, se ele começa a denunciar toda a correspondência trocada entre políticos, banqueiros, pulhas do futebol, padres, fufas e paneleiros, bem como as conversas gravadas, o país vai explodir. E até eu, que estou inocente, arrisco-me a ir com o #%&@lho.
Que horror. Ninguém quer que lhe aconteça uma coisa dessas.