Competências sobrestimadas


Rui Rocha,

Paizinho Krugman vem agora dizer  que sobrestimou a competência do governo grego. Pelo visto, não passava pela cabeça de Paizinho Krugman que Tsipras & Varoufakis não tivessem um plano de urgência para o caso de as negociações com os credores levarem a resultados inaceitáveis. Pois muito bem. O que eu gostaria realmente de saber é que tipo de plano poderia ser esse, dadas as circunstâncias. É que uma saída do euro e a sua substituição pelo dracma, ou coisa que o valha, pressuporia sempre a existência de reserervas cambiais significativas. E isso é coisa que a Grécia não tem. Ora é surpreendente que Paizinho Krugman (ou Varoufakis), proficientes como são em questões económicas, desconheçam a impossibilidade prática de a Grécia optar por moeda própria nesse cenário. Por isso, das duas uma: ou alguém anda aqui a enganar deliberadamente a opinião pública ou, então, teremos de concluir que não é só a competência do governo grego que tem sido sobrestimada.

0 comentários em “Competências sobrestimadas”

  1. Eles vão muito à frente dos gregos comuns.Vêem mais além!
    E têm um plano de salvação há muito tempo.Não o divulgaram antes para não serem acusados
    de intromissão.Mas contavam com a inteligência grega.Enganaram-se,os gregos
    estão muito atrasados e o melhor é chamar-lhes nomes feios e partir para outra,
    os vencimentos professorais mais as conferências mais os artiguinhos estão garantidos.

  2. Mas Krugman alguma vez acertou alguma? O que aconteceu foi acertarem-lhe com um Nobel por motivos ideológicos: é assim que se desenha o mérito à esquerda. Não é por resultados. Não é só ele, façamos-lhe essa justiça. Só nas nossas TVs estão lá sempre os mesmos que também nunca vi acertarem uma sobretudo os do eixo do mal e aquele arauto do PS Pedro Adão Silva. Este último nem deveria ser considerado comentador mas baralhador porque perverter e manipular é o trabalho que vem desenvolvendo sem grande sucesso.

  3. Quando um sujeito declara que “Suponham que um dracma fortemente desvalorizado acabaria a atrair enchentes de ingleses adoradores de cerveja para o mar Jónico, e que a Grécia começava a recuperar” dá para perceber que não regula lá muito bem da caixa das ideias.

    Turismo dessa qualidade, a voar em companhias low-cost, a ficar em alojamentos low-cost, a encher-se de bebida low-cost, a ver pela TV jogos de futebol, a asnear depois de bem bebidos, está-se mesmo a ver que é o que mais interessa para recuperar a economia de um país…

    1. O turismo a que largamente nos rendemos, por cá, enfim. Mas bate certo: brutos convivem bem com brutos.

      Costa

  4. O Krugman é um troca-tintas que tem dado jeito à esquerda citar pontualmente, esquecendo obviamente as barbaridades que vem debitando. É como tenho dito aqui muitas vezes, há um diferença grande entre um activista/comentadeiro e um político, o primeiro pode fazer as experiências que quiser, o segundo tem responsabilidades perante milhões.

    Relembrar o artigo que saquei ou daqui ou de outro blog qualquer.

    http://www.huffingtonpost.com/niall-ferguson/the-rise-and-fall-of-krugmania-in-the-uk_b_7257236.html

    “Like his journalism on the United States, Krugman’s writings about Britain are characterized by extreme partisanship, complemented by a touristic level of knowledge.”

    “Of course, if no one in power ever takes your advice it is quite hard to be proved definitively wrong. There will always be the unknowable Krugman counterfactual: in the British case, the bigger deficits that were never tried, in the U.S case the bigger stimulus that was never tried, in Europe’s case the doubling of the inflation target that was never tried. Happy the economist whose policy prescriptions are so reckless that no one ever puts them to the test.

    Except that one country, just lately, has been putting a Krugman recommendation to the test. That country has defied the “austerians.” It has thumbed its nose at the fountainheads of economic orthodoxy. It has dared to play chicken with the confidence fairy. It has even told the Germans where to get off. And it has done this on the basis of Paul Krugman’s advice, spelt out when he visited the nation’s capital, at the government’s invitation, in April.

    That country is Greece.”

  5. É espantoso como alguns olham para este Nobel da Economia como um oráculo. Na maior parte das vezes, o que diz ou escreve conduz a lado nenhum. Tintas negativas em doses generosas, umas pitadas de anticapitalismo ‘por épater le bourgeois’, pessimismo militante q. b. – e a receita está pronta.
    Basta atentar nestas pérolas: «Em qualquer caso, há poucas esperanças. As novas condições são ainda piores, mas as condições que lhes propunham também não iriam funcionar.»
    Simplesmente genial.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *