Como um grito de revolta


Pedro Correia,

 

Esta impressionante imagem foi captada a 15 de Outubro de 2011 pelo repórter fotográfico espanhol Samuel Aranda, saiu no New York Times e acaba de receber o primeiro prémio anual da World Press Photo. Imagem de uma mulher do Iémene, amparando nos braços supostamente um filho gravemente ferido na sequência de protestos contra o ditador Ali Saleh — um dos marcos da chamada ‘Primavera árabe’ que abalou o Magrebe e o Médio Oriente durante todo o ano passado. Uma imagem que nos comove e nos interpela. Como um grito de revolta contra todas as tiranias.

16 comentários em “Como um grito de revolta”

  1. Eu diria que esta imagem não comove nem interpela dado que, sem a devida explicação em legenda, nem se percebe bem o que é. Assim à vista desarmada parece a modos que um gorila a abraçar um homem…

  2. A minha ignorância obriga-me a tecer as seguintes questões em torno do prémio:
    – Pelo risco do fotógrafo em consegui-la?
    – Pela estética fotográfica?
    – Pela denúncia da atrocidade?
    – Pela lealdade ao islamismo?
    – Porquê as luvas brancas?
    – Pelo inesperado?

    1. Procuro sempre que os meus textos no DELITO DE OPINIÃO tenham ligações às fontes originais de modo a que dúvidas como as que levanta sejam esclarecidas. Dá muito mais trabalho escrever assim em blogues, garanto-lhe. Mas esse é um serviço suplementar que presto com gosto aos meus leitores. Por uma questão de consideração e de respeito.
      Sugiro-lhe portanto que siga o rasto da ligação que aqui lhe deixo. Suponho que ficará esclarecido.

      1. Caro Pedro, não tem que justificar seja o que for. Quem elegeu esta fotografia, esses sim, deveriam dizer porquê.

        1. E disseram, na conferência de imprensa. Você é que pode não achar satisfatório…

          Quanto às luvas brancas: a foto foi tirada no interior de uma mesquita, onde estava instalado um hospital de campanha. Pode-se deduzir que a mulher estivesse lá a prestar cuidados médicos.
          A legenda original refere que entre os dois haveria algum grau de parentesco (não necessariamente mãe e filho).

          Quanto ao risco do fotógrafo em conseguir a imagem: não propriamente no que diz respeito a esta em concreto. Mas foi complicada a sua presença e trabalho no Iémen. As fotos que ele enviou para o NYT não lhe foram durante algum tempo atribuídas, para evitar que o identificassem e localizassem.

  3. O jornalismo fotográfico sempre me impressionou por tudo o que implica. Já tinha visto e comentado no Domadora de Camaleões, que adoro. Mas o que mais impressiona na força da foto é reconhecer que também no islão há amor, carinho, preocupação, sentimentos por detrás de uma burqa (de que não gosto, aliás.) Ou seja convém ver para além do óbvio… e daquilo que se mostra ou diz.

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