Esta impressionante imagem foi captada a 15 de Outubro de 2011 pelo repórter fotográfico espanhol Samuel Aranda, saiu no New York Times e acaba de receber o primeiro prémio anual da World Press Photo. Imagem de uma mulher do Iémene, amparando nos braços supostamente um filho gravemente ferido na sequência de protestos contra o ditador Ali Saleh — um dos marcos da chamada ‘Primavera árabe’ que abalou o Magrebe e o Médio Oriente durante todo o ano passado. Uma imagem que nos comove e nos interpela. Como um grito de revolta contra todas as tiranias.


Eu diria que esta imagem não comove nem interpela dado que, sem a devida explicação em legenda, nem se percebe bem o que é. Assim à vista desarmada parece a modos que um gorila a abraçar um homem…
Alá escreve direito por linhas tortas. Esse seu comentário de algum modo atesta a qualidade e o valor simbólico da fotografia.
Lindíssima. Fez-me lembrar esta:
http://masters-of-photography.com/S/smit h/smith_minamata_full.html
Além da Pietà original, claro.
Sem dúvida, Isabel.
Uma perfeita Pietà.
Eternamente repetida pela vida.
Pietà. Foi exactamente o que me ocorreu. E deve ter ocorrido ao júri também.
Uma Pietà a negro que nada nos prepara para consolar, não ser talvez o medo de dor igual.
Isso, Helena. Uma grande foto, como é o caso, serve desde logo como sinal de alerta: a barbárie pode irromper em qualquer altura, em qualquer lugar.
estou com a Laura:)
Também eu.
A minha ignorância obriga-me a tecer as seguintes questões em torno do prémio:
– Pelo risco do fotógrafo em consegui-la?
– Pela estética fotográfica?
– Pela denúncia da atrocidade?
– Pela lealdade ao islamismo?
– Porquê as luvas brancas?
– Pelo inesperado?
Procuro sempre que os meus textos no DELITO DE OPINIÃO tenham ligações às fontes originais de modo a que dúvidas como as que levanta sejam esclarecidas. Dá muito mais trabalho escrever assim em blogues, garanto-lhe. Mas esse é um serviço suplementar que presto com gosto aos meus leitores. Por uma questão de consideração e de respeito.
Sugiro-lhe portanto que siga o rasto da ligação que aqui lhe deixo. Suponho que ficará esclarecido.
Caro Pedro, não tem que justificar seja o que for. Quem elegeu esta fotografia, esses sim, deveriam dizer porquê.
E disseram, na conferência de imprensa. Você é que pode não achar satisfatório…
Quanto às luvas brancas: a foto foi tirada no interior de uma mesquita, onde estava instalado um hospital de campanha. Pode-se deduzir que a mulher estivesse lá a prestar cuidados médicos.
A legenda original refere que entre os dois haveria algum grau de parentesco (não necessariamente mãe e filho).
Quanto ao risco do fotógrafo em conseguir a imagem: não propriamente no que diz respeito a esta em concreto. Mas foi complicada a sua presença e trabalho no Iémen. As fotos que ele enviou para o NYT não lhe foram durante algum tempo atribuídas, para evitar que o identificassem e localizassem.
O jornalismo fotográfico sempre me impressionou por tudo o que implica. Já tinha visto e comentado no Domadora de Camaleões, que adoro. Mas o que mais impressiona na força da foto é reconhecer que também no islão há amor, carinho, preocupação, sentimentos por detrás de uma burqa (de que não gosto, aliás.) Ou seja convém ver para além do óbvio… e daquilo que se mostra ou diz.
Os sentimentos mais profundos não têm fronteiras, Fátima. É isso que esta fotografia nos revela também.