Como se a Lua estivesse de luto


Pedro Correia,

 

A infância desaparece-nos definitivamente quando vemos partir os nossos primeiros e mais remotos heróis. Eu cresci num mundo onde alguns me garantiam já não haver heróis. Nada mais disparatado: nunca duvidei que havia heróis e Neil Armstrong – o primeiro homem a pisar a Lua, naquele inesquecível mês de Julho de 1969 – sempre foi um deles. Num certo sentido, foi o herói – assim mesmo, com artigo definido. Não havia nenhum que se lhe equiparasse. Nem haverá. O que restava da minha infância eclipsou-se ontem, com a inesperada morte do astronauta norte-americano que liderou a missão da Apolo XI.

Sinto-me de luto. Era de noite quando me chegou a notícia: procurei a Lua no céu e não a encontrei. Como se ela estivesse de luto também.

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