A GARANTIA
Os ramos que o Sebastião soltava batiam-me, mas mal os sentia, a caminho do enxame de luzinhas nervosas da cidade. Ali aguentava-me a braços, as árvores dançavam com a noite à minha volta.
Regressava, o único branco da festa, do casamento de Filomeno, numa aldeia de colmo e adobe, onde durante horas comera e bebera à volta de um porco que um grupo de rapazes ia rodando numa fogueira. Acompanhara, copo a copo, todos os vivas ao casal.
Às vezes era o único: – VIVA! VIVA!
Trocava os passos, ria, parava, dava abraços, voltava a rir-me, tropeçava, caía, debaixo de uma lua tão cheia que deixava pouco espaço ao céu. No chão, meio a dormir, desci lentamente sobre o Mar da Tranquilidade.
– E SE A FRELIMO APARECE? – Endireitei-me.
Sentado, com o Sebastião a segurar-me, Ali pôs-se de cócoras, tomou-me a cara entre as duas mãos, olhou para o companheiro, depois para mim, com uns olhos enormes, e disse-me:
– Meu furriel, a Frelimo não vai aparecer. Posso garantir-lhe. Venha, estamos perto.
(Notinhas de uma guerra engolida)

Bonito, sensível. Fiquei
Um episódio que terá continuação. Não ficou por aqui.
Cá fico à espera.
Esta é a visão da guerra que faltava – a de quem dela fala na primeira pessoa.
Só “o único branco da festa” podia ter escrito este episódio – não são convidados os que vêem o mundo a preto e branco.
Obrigada Fernando, por teres escolhido o lado da cor, não o confundindo com nenhum dos lados das trincheiras.
Esperamos por mais.
Obrigado, Marta.