Comentários à portuguesa


Pedro Correia,

Os mesmos comentadores que acharam muito bem a exclusão de Carlos Martins, Helder Postiga e João Moutinho do recente Mundial da África do Sul estendem-se agora em elogios ao desempenho destes três jogadores no desafio de ontem contra Espanha. No relvado, melhorámos imenso. Fora dele, na “análise” aos jogos, a mediocridade habitual.

4 comentários em “Comentários à portuguesa”

  1. Não sei se alguém reclamou isso agora, Pedro, e eu não estou no lote dos reclamantes. Mas faço uma nota.

    O problema é que nenhum deles justificava a ida ao Mundial, talvez com a excepção do Carlos Martins mas havia já uma inflacção de médios defensivos e ofensivos. Moutinho e Postiga fizeram más épocas no Sporting, ao contrário da actual em que estão a jogar bem e com confiança. A não convocação de CM foi questão de opção de CQ, julgo eu.

    O Mundial já nem entra aqui e penso que não terá sido invocado agora pela presença destes ou daqueles jogadores. A verdade é que a maioria dos que jogaram ontem não estiveram na Af. Sul. Mas mostraram ganas suficientes para vencer agora.

  2. Eu faço a minha reflexão (se não a erro): estive a favor da exclusão de Postiga (da forma como estava a jogar na altura (ou a não jogar, que só via o banco e a bancada) só um louco o levaria. Com Moutinho compreendi a decisão e achei que era talvez questão de preferências. Com Carlos Martins, especialmente depois da lesão de Ruben Micael, achei uma estupidez não o levar.

    Há jogadores que teriam de ser levados e outros que era uma questão de forma ou de preferência. Se Queirós errou na África do Sul (e não estou convencido que tenha errado assim tanto) não foi tanto pela escolha dos 23, mais pela escolha dos 11 ocasionais. Às vezes convém não esquecer que foi este mesmo Queirós que deu a titularidade a Eduardo, o que quer dizer que de vez em quando acerta (mesmo que Eduardo esteja longe de ser um grande guarda redes).

    O que mais me incomodou na “aventura” foi a incapacidade de utilizar o contra-ataque (o que se exige a uma equipa que defendeu tão bem) e (isto é pessoal) a vontade de usar um homeopata para tratar Nani (só a decisão far-me-ia abandonar o estágio se eu fosse jogador, uma vez que não podia confiar em alguém que acredita nessas tretas).

    Já agora, posso recomendar estes artigos (do melhor site sobre tácticas que conheço) acerca de Portugal no Mundial:
    http://www.zonalmarking.net/2010/06/29/spain-1-0-portugal-tactics/
    http://www.zonalmarking.net/2010/06/25/portugal-0-0-brazil-tactics/
    http://www.zonalmarking.net/2010/07/19/world-cup-2010-team-of-the-tournament/

    Neles se vê que o ponto forte da equipa de Queirós era a defesa (recorde-se que o Man Utd foi campeão europeu com um futebol mais defensivo que o habitual após Queirós lhes ter colocado os mecanismos todos). Os grandes problemas eram a falta de ambição e a incapacidade para fazer substituições (como nos famosos 6-3, em que deu a vitória ao Benfica com uma substituição disparatada).

    Teria Paulo Bento feito melhor? Duvido. Estes 4-0 foram mais uma derrota de uma Espanha que não tinha o menor interesse pelo jogo do que uma grande vitória de Portugal. Talvez eu esteja errado, mas se isto fosse num jogo oficial, A Espanha teria jogado de forma bastante diferente e possivelmente ganho. De certeza que não perdia por 4-0.

    É isto uma defesa de Queirós? Não necessariamente. Gosto de Paulo Bento. Já quando estava no Sporting o defendi, por achar que fazia milagres com uma equipa fraquíssima e sem apoio directivo. Esta reflexão é pessoal e incide sobre o trabalho de Queirós que, se ficou aquém do que se pretendia, não foi tão mau como o assassinato de carácter a que os media e comentadores o submeteram desde antes do Mundial (convém não o esquecer) faz parecer.

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