Quando comecei a desenvolver os neurónios, toda a gente chamava cozinheiros aos cozinheiros. Com alguma lógica, convenhamos.
Depois houve quem passasse a chamar-lhes chefes. Hoje intitulam-se chefs, à francesa.
Sou um bota-de-elástico. Continuo a chamar-lhes cozinheiros.

É a Novilíngua, Pedro! As coisas deixam-no de o ser a partir do momento que lhes trocamos o nome. Ganhamos em variedade , o que perdemos em Essência (afastamo-nos do real sentido das coisas)
Eis uma lista:
Senior Consultant
Backstage officer
etc,….
E o tão famoso Staff, ou Colaborador.
Tenho uma regra, quanto mais pomposa a abreviatura, mais merd..so o salário.
Novilíngua pura, sim. Camuflar a realidade com palavras pomposas e/ou imbecis. Quase sempre noutro idioma, à laia de argumento de autoridade.
No meu tempo chamavam-se “chefe”. Por exemplo: o chefe Silva.
Nada mais prosaico do que o saudoso chefe Silva. Só aspiraria receber a Estrela Miquelina, nunca a Estrela Michelin.
Não, Pedro. Cozinheiros (ou melhor, cozinheiras) eram as senhoras que estavam na cozinha e que faziam (e fazem, felizmente) pratos fantásticos, de encher o olho e o estômago.
Chefs é o que temos agora e que se dedicam mais ao equilibrismo do raminho de estragão ou à pintura expressionista (abs)prato com espumas do que propriamente a alimentar comensais.
Há uns tempos fui a um desses restaurantes. Eu devia desconfiar, pois chamava-se Alma.
Quando vamos a um restaurante queremos alimentar o corpo, não a alma. Quando quero alimentar a alma vou à igreja…
Não posso dizer que não fui avisado.
O prato era enorme, com um pequeno círculo de comida já mastigada lá dentro.
A conta, no fim, era proporcional ao tamanho do prato. Ainda pensei que incluísse o dito (prato). Mas quando pedi para mo embrulharem explicaram-me amavelmente que não.
Em alternativa, ofereceram-me um palito e duas azeitonas para praticar halteres. Uma simpatia.
:)Pedro, agora já sabe! Antes de ir ao Alma, passe no MacDonalds
Eheheh. Tem mais lógica: da outra vez foi ao contrário.
Ao menos o McDonald’s oferece uma refeição quente a um preço imbatível. E tanta é a suspeição ideológica e dogmática que sobre ele paira que disso resulta oferecer-me garantias de higiene e equilíbrio que acredito bem poucos podem exibir.
O resto é o bom senso de não fundar uma dieta em” fast food”. Nem em chispalhadas, feijoadas, bifanas, fritos a rodos e muitas outras coisas muito portuguesas e por isso inatacáveis.
Costa
Completamente de acordo. E voltando ao início: não compliquemos o que é simples. Reabilitemos essa antiga e nobre palavra tão portuguesa – a palavra cozinheiro.
Se o Pedro é antigo já somos dois.
Designer food está na moda, mas confesso que , apesar de não ser um bom garfo não me seduz.
Mas que é engraçado aplicar as novas nomenclaturas culinárias a coisas tão triviais como um molho para bife, que a minha bisavó executava soberbamente, isso é. E que gostinho…
Pois, Dulce. A novilíngua aplicada à gastronomia. Também me diverte, confesso, excepto quando estou de faca e garfo. Quanto mais rococó lexical, mais a comida diminui e o tamanho do prato aumenta…