Começo a pensar que sou antigo


Pedro Correia,

Quando comecei a desenvolver os neurónios, toda a gente chamava cozinheiros aos cozinheiros. Com alguma lógica, convenhamos.

Depois houve quem passasse a chamar-lhes chefes. Hoje intitulam-se chefs, à francesa.

Sou um bota-de-elástico. Continuo a chamar-lhes cozinheiros.

12 comentários em “Começo a pensar que sou antigo”

  1. É a Novilíngua, Pedro! As coisas deixam-no de o ser a partir do momento que lhes trocamos o nome. Ganhamos em variedade , o que perdemos em Essência (afastamo-nos do real sentido das coisas)

    Eis uma lista:
    Senior Consultant
    Backstage officer
    etc,….

    E o tão famoso Staff, ou Colaborador.

    Tenho uma regra, quanto mais pomposa a abreviatura, mais merd..so o salário.

  2. Não, Pedro. Cozinheiros (ou melhor, cozinheiras) eram as senhoras que estavam na cozinha e que faziam (e fazem, felizmente) pratos fantásticos, de encher o olho e o estômago.

    Chefs é o que temos agora e que se dedicam mais ao equilibrismo do raminho de estragão ou à pintura expressionista (abs)prato com espumas do que propriamente a alimentar comensais.

    1. Há uns tempos fui a um desses restaurantes. Eu devia desconfiar, pois chamava-se Alma.
      Quando vamos a um restaurante queremos alimentar o corpo, não a alma. Quando quero alimentar a alma vou à igreja…

      Não posso dizer que não fui avisado.
      O prato era enorme, com um pequeno círculo de comida já mastigada lá dentro.
      A conta, no fim, era proporcional ao tamanho do prato. Ainda pensei que incluísse o dito (prato). Mas quando pedi para mo embrulharem explicaram-me amavelmente que não.
      Em alternativa, ofereceram-me um palito e duas azeitonas para praticar halteres. Uma simpatia.

        1. Ao menos o McDonald’s oferece uma refeição quente a um preço imbatível. E tanta é a suspeição ideológica e dogmática que sobre ele paira que disso resulta oferecer-me garantias de higiene e equilíbrio que acredito bem poucos podem exibir.

          O resto é o bom senso de não fundar uma dieta em” fast food”. Nem em chispalhadas, feijoadas, bifanas, fritos a rodos e muitas outras coisas muito portuguesas e por isso inatacáveis.

          Costa

          1. Completamente de acordo. E voltando ao início: não compliquemos o que é simples. Reabilitemos essa antiga e nobre palavra tão portuguesa – a palavra cozinheiro.

  3. Se o Pedro é antigo já somos dois.
    Designer food está na moda, mas confesso que , apesar de não ser um bom garfo não me seduz.
    Mas que é engraçado aplicar as novas nomenclaturas culinárias a coisas tão triviais como um molho para bife, que a minha bisavó executava soberbamente, isso é. E que gostinho…

    1. Pois, Dulce. A novilíngua aplicada à gastronomia. Também me diverte, confesso, excepto quando estou de faca e garfo. Quanto mais rococó lexical, mais a comida diminui e o tamanho do prato aumenta…

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