“Não haverá aumento de impostos ou esforço extra sobre salários e pensões“, Maria Luís Albuquerque, 15/04/2014
“Pensões acima de mil euros pagam nova CES”
A Rádio Renascença, que deve andar mancomunada com a CGTP e o camarada Jerónimo, confirmou-me que, efectivamente, a ministra disse uma coisa no dia 15 de Abril e duas semanas depois acabou a dar o dito por não dito. Sei que o Governo também anunciou que os aumentos seriam só para 2015, que as previsões para o desemprego são mais optimistas do que as da troika e que em 2018 não haverá défice. Boas notícias, portanto.
Registo que com a mesma seriedade disseram antes que não iam cortar salários nem subsídios; que ninguém mexeria nas pensões; que o OE de 2012 foi condicionado, mas que o de 2013 é que já era deles. Enfim, a execução orçamental seria uma maravilha, a economia estaria a crescer no final de 2012, sem cortes, e por aí fora. Pelo caminho percebi que Passos Coelho se estava a lixar para as eleições. Os portugueses até nisto acreditaram e estoicamente tudo suportaram. Tinham motivos para isso.
Agora que tudo passou, que vêm aí as eleições europeias, que vejo os reformados e os trabalhadores muito mais aliviados nas suas pensões e salários, estou tão baralhado que entrei na fase em que acredito em tudo. Até na ministra.
Convenci-me, sabe-se lá porquê, como diz o exagerado do Pedro Santos Guerreiro, que “o martírio é agora diferente“. Exultei com a boa nova. Estou tão esperançoso com o futuro dos meus compatriotas e do meu longínquo Portugal que não sei se compre uma garrafa de champagne. Ou, estou indeciso, se aproveitarei o facto de estarmos no Primeiro de Maio para acender uma vela à família Pingo Doce e encomendar uns panchões para celebrar as conquistas deste novo Abril, quarenta anos depois.
De qualquer modo, penso que os portugueses vão ficar satisfeitos. As coisas estão a compor-se. Tanto mais que agora vem aí mais um grupo de trabalho para transformar Portugal numa enorme cozinha, cheia de pançudos e de estrelas Michelin, há todos os motivos para celebrar.
Para os mais cépticos – sim, porque nestas ocasiões aparecem sempre uns tipos a desfazer estas conquistas -, e de maneira a que o martírio se torne ainda menos doloroso e se transforme em prazer, pois que já se sabe que apesar das iguarias só ficaremos limpos lá para 2018, o melhor mesmo é os portugueses estarem preparados para o que ainda aí vem. E ouvirem tudo com muita atenção. Os sorteios de carros do fisco já ninguém os tira, mas não tarda e o ministro Paulo Macedo, já me confidenciaram, anunciará com o seu à-vontade de fadista o aprofundamento do estado social e a compartição integral do Serviço Nacional de Saúde na aquisição de bisnagas de vaselina. Este Governo sabe que quando se trata de abrir alas para a entrada dos clisteres que nos irão ajudar a libertar as gorduras e reformar o Estado, não há nada como ter alguém que zele por nós, garanta os cuidados paliativos e nos facilite o martírio.

Os banqueiros têm a suprema prerrogativa de criar (a partir do nada) e extinguir o dinheiro que circula nas nossas sociedades. Com base nessa regalia, apoderam-se da riqueza de toda a sociedade.
Sheldon Emry explica:
Nos Estados Unidos da América em 1930, nenhuma guerra destruiu as cidades do interior, nenhuma epidemia dizimou, nem nenhuma fome se aproximou do campo. Só faltava uma coisa: Uma adequada disponibilidade de moeda para negociar e para o comércio.
No princípio dos anos 30 do século XX, os banqueiros, a única fonte de dinheiro novo e crédito [que criam a partir do nada], recusaram deliberadamente empréstimos às indústrias, às lojas e às propriedades rurais. Contudo, eram exigidos os pagamentos dos empréstimos existentes, e o dinheiro desapareceu rapidamente de circulação. As mercadorias estavam disponíveis para serem transacionadas, os empregos à espera para serem criados, mas a falta de dinheiro paralisou a nação.
Com este simples estratagema a América foi colocada em “depressão” [hoje, chamada Crise Financeira] e os banqueiros apropriaram-se de centenas e centenas de propriedades rurais, casas e propriedades comerciais. Foi dito às pessoas, “os tempos estão difíceis” e “o dinheiro é pouco”. Não compreendendo o sistema, as pessoas foram cruelmente despedidas dos seus empregos e roubadas dos seus ganhos, das suas poupanças e das suas propriedades.
Confesso que me hoje me sinto traído. Mas ninguém tem motivos para estar satisfeito: o que aí vem vai ser muito triste; e penoso. Não há duvida que os portugueses nunca aprendem.
O homem não desespere, o tio dos BES agora vai lá pôr o Tozé e a coisa compõe-se.
[(EMP
)]
Meu caro têm toda a razão no que diz, só discordo de um ponto que se refere ao Ministro Paulo Macedo que me parece ser a única pessoas lúcida e com verdadeiro sentido de missão, foi o único que apertou com os lobbys (nomeadamente os traders farmacêuticos) embora não tanto como seria desejável mas com esses era mais fácil (devo reconhecer).
Mas olhe já se vê a luz ao fundo do túnel como alguns dos seus colegas de blogue e blogues gostam de realçar (O Benfica até foi campeão), é pena que seja uma locomotiva em direcção a nós.
Isto é política do 25 de Abril. Socialismo.
Não sei de que se queixam, ou julgam que o socialismo é vender dívida?