António Lobo Antunes, o eterno candidato ao Nobel e dono de uma escrita ímpar, consubstanciada pelo próprio através da afirmação frequente Ninguém escreve como eu, declarou que deixará de escrever dentro de dois anos. Reiterou que quer deixar a obra redonda e que se calará a partir dessa altura. António Lobo Antunes cultiva a imagem irreverente de quem está em estado de enfado permanente e de sofrimento intenso, contudo esta declaração terá apanhado de surpresa os fãs da obra e seguidores do próprio escritor. Sendo óbvio que a escrita é também trabalho e que esse pode ser interrompido por razões mais ou menos voluntárias, é menos óbvio que a criatividade e genialidade de que se alimentam as escritas maiores possam ser interrompidas com data. Não entendo.


Insondáveis são os caminhos do Autor…
E são mesmo, João 🙂
Julgo que essa frase de ALA visa apenas produzir um efeito de ‘marketing’. Os escritores não estão imunes a isso, antes pelo contrário.
Num escritor desta craveira e que não precisa de provar mais nada?
🙂
concordo com o Pedro.
Sou uma romântica, Júlia, acalento esta ideia do escritor como um ser permanentemente enleado nas teias da escrita. Acho, não obstante, que o ALA desempenhou o seu papel de irreverente e que o desempenha muito bem 🙂
Só mesmo Lobo Antunes poderia dizer uma coisa dessas. Por mim, pode dizer o que lhe apetecer porque leio os seus livros com paixão.
Também já os li com paixão, Carlos, durante uns anos quase não li mais nada a não ser Lobo Antunes.
oh, não se deve levar a sério os escritores; só os seus livros
Nos dias que correm confudem-se muito, Ana Cristina, mas concordo inteiramente.
Escrita é trabalho. E trabalho cansa, mesmo os criativos e geniais. O resto é marketing. A razão que nos move nem sempre é uma só. Raramente é uma só.
Sim, raramente é uma só, Mike 🙂
Concordo com o Pedro, isto deve ser essencialmente marketing.
Por outro lado, um autor pode ter uma visão de conjunto da sua obra, daquilo que quer dizer, e ao a cumprir pode deixar de querer publicar. Poderá não deixar de escrever, contudo, e é por isso que vemos muitas vezes inéditos a serem publicados post-mortem.
Pois, João, mas o que me causa estranheza é esse cálculo tão preciso da obra que se quer publicar. Sempre achei que a escrita era mais uma forma de vida do que uma carreira. Provavelmente terei uma imagem romanceada e mitificada do escritor.
Faltou dizer que a próxima obra será publicada no Twitter, onde, vejo hoje no Público, existe um limite de 140 caracteres.
Isso é muito à frente, o ALA odeia computadores, a acreditar nas suas crónicas, claro.
E é mesmo verdade, Leonor. Posso confirmar que ele envia todas as crónicas para a Visão manuscritas.
E pelo que sei continua a escrever nas receitas do Hospital Miguel Bombarda, Carlos
Exactamente. Leonor!
Nada como ter fontes 😉
sois muito cuscos…
Ou bem informados 😉
eu não gosto dos livros desse senhor ele diz sempre que merece o nobel mas não merece nada os livros dele não prestam e usted perdão vocês não deviam perder tempo a lê-los
Nunca ouvi o ALA dizer que merecia o Nobel e quanto ao resto, é sempre melhor perder tempo a ler os livros do ALA do que a fazer comentários destes.