Colaboradores estagiários – à borla


joaomsandre,

A Teresa escreveu este post e lembrei-me deste texto sobre as ideias de alguns “empreendedores” “amaricanos” de ter gente a trabalhar de borla. É ideia praticada há muito em Portugal, onde o conceito de trabalhar para aquecer, apesar do nosso ameníssimo clima, pegou há já uns bons tempos. Normalmente o corolário acaba por ser a felicidade de novos trabalhadores em receber «pelo menos o salário mínimo».

 

Obviamente que visionários como Mark Cuban defendem a sua visão sob o conceito de “liberdade”, onde cada pessoa deveria poder trabalhar de borla se o quisesse. Naturalmente que podemos encontrar gente de todos os tipos, mas desafio qualquer um a encontrar uma meia dúzia de pessoas entre o seu círculo de pessoas que estivessem dispostas a trabalhar sem nada receber. Não falo de voluntariado ou de causas, falo de trabalho a sério, com prazos, objectivos, horários e chefes.

 

Para ser claro sobre a minha posição: o trabalho não deve ser pago. O trabalho tem de ser pago. É uma obrigatoriedade no mundo moderno civilizado. Conceitos como o trabalho não pago deveriam desaparecer e ser classificados como aquilo que são: exploração. Os estágios não remunerados já são, a meu ver, um abuso, mas desde que haja vantagens reais para educação de um estudante (os quais têm que ser verificados pela instituição de ensino) e a instituição de acolhimento incorra com despesas extra (deslocamento, alojamento, eventuais custos extra com alimentação), até nem os rejeito de imediato.

 

O mundo está já excessivamente cheio de “colaboradores”, “estagiários” e outros títulos que servem para esconder abusos da parte do sector empresarial. As melhores empresas para trabalhar são também frequentemente aquelas que obtêm maiores índices de produtividade. Infelizmente, enquanto existirem “tubarões” como Cuban por aí, a mentalidade feudal não desaparecerá.

5 comentários em “Colaboradores estagiários – à borla”

  1. Todo o trabalho pressupondo cumprimento de tarefas e de horários, além de inserção numa hierarquia laboral, deve ser remunerado. Obviamente, qualquer pessoa bem formada — seja de que quadrante político for — só pode defender este princípio.
    Que haja necessidade de sublinhar estes factos, com a urgência de quem vê a selva invadir a cidade, é um triste sinal do nosso tempo.

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