Não sei qual será o resultado da crise em que a Europa está mergulhada. Não sou bruxo. Como em qualquer ruptura, creio que há culpas de parte a parte. Uns porque prometeram o que não deviam, outros porque impõem o que não devem, esquecendo que se a Europa chegou ao beco em que se encontra isso se deve à distância em relação aos cidadãos e à intransigência em que assentou a construção daquilo que temos hoje. Um referendo nunca fez mal a ninguém. E parece-me fazer mais sentido perguntar aos cidadãos se querem agora o que não estava no contrato de governo, no programa eleitoral, do que apresentar-lhes como consumado aquilo que à partida rejeitaram e que quem os governa se comprometeu, demagogicamente ou não, a rejeitar.
É certo que, perante as circunstâncias em que a consulta terá lugar, a decisão que venha a ser tomada será tudo menos ponderada. As condições para a realização do referendo são sofríveis. Mas aí, como uma personagem de um filme que fez sucesso há uns anos dizia à sua paixão, parafraseando Faulkner, há gente que quando se vê numa situação de desespero é confrontada com a escolha entre a dor e o nada. Os gregos estão nessa situação. Porque quem não tem nada já nada tem a perder. Porque já teve dor que chegue. Porque já está para tudo.
Não sei se na segunda-feira o euro continuará a cair, nem se a Europa algum dia irá recuperar, mas há coisas que nunca mudam. E é com elas que temos de contar.
Uma é confirmar-se que para os agiotas é sempre preferível correr o risco de esticar a corda e deixar que o devedor agonizante se enforque com ela, não reavendo os juros nem o capital, do que dar mais cinco dias para que esse mesmo devedor tome uma decisão final e se recomponha para voltar a pensar. No final, as culpas poderão ser imputadas ao devedor mas estarão todos a arder. Ou melhor, no fundo.
A outra são as sempre rigorosas e felizes declarações de Cavaco Silva. Enquanto a chanceler Merkel, quando questionada sobre um eventual fracasso do euro e uma saída da Grécia, dizia que “se o euro falha, a Europa falha“, em Portugal, questionado em termos similares sobre o mesmo assunto, o Presidente da República fazia contas de somar e subtrair para concluir que “se a Grécia sair ficam dezoito“.
Perante isto que mais se pode dizer?

“Um referendo nunca fez mal a ninguém”. Bem, o problema é que a Europa não gosta dessas coisas.
Podemos dizer que atribui ao Prof. Cavaco uma importância que ele não reconhece a si mesmo.
E por outro lado, omite o que a Sra. Merkel disse (e não disse) sobre uma eventual saida da Grecia.
Por outro lado, se fosse por cá a tralha da direita – o Passos, o Portas e companhia bela – a convocar este “referendo” tão serôdio para disfarçar cobardias e enxaguar a tromba das demagogicas promessas que, no tutano, se resumiam a governar com dinheiro que nâo tinham, mas que iriam cravando com “teorias de jogos” aos outros paises do Euro não faltariam os toques a rebate sobre derivas populistas, nacionalistas e “neo-fássistas”.
Tenho muito respeito pelos provações da população grega, mas não vou muito em conversas de lorpas caritativas – como escreve FNV hoje no seu blog
“A ingenuidade é tão enternecedora como a canalhice. Por que motivo temos todos os ex-maoístas e pós-estalinistas da Europa a orgasmizar com um Syriza apoiado por nacionalistas de direita anti-europeus e pelos nazis do Aurora Dourada? Por solidariedade com a crise humanitária grega, não é?”
E já agora, os agiotas, nas ultimas semanas, em especial o BCE, disponibilizou créditos para a banca grega de 80 k milhões de Euros – o que equivale ao financiamento português no memorando após o descalabro Socretino. São um pouco ineptos como agiotas….
Jorg
Que comovente. Os portugueses, que não têm nada a ver com a Grécia, tinham de ser solidários com um (des)governo de comunas, ao qual temos a “agradecer” a súbida dos juros da dívida portuguesa a 10 anos para 3% no dia de hoje, porque uma cambada de aldrabões resolveu dar o calote em toda a gente mas queria mesmo assim continuar a receber empréstimos. Ainda podia ter algum respeito por aquela cambada se eles dissessem que não podem pagar o que devem, mas que não precisam do dinheiro dos outros países para aguentar o país. Agora anunciar que não pagam mas ao mesmo tempo pedir uma extensão do segundo resgate é uma desfaçatez! Pudera, desbarataram o excendente que os outros deixaram por isso já nem têm dinheiro para pagar salários…
Já não posso ouvir falar na Grécia. É um escândalo que um país da União Europeia, e que por isso tem tantas condições, seja a bandalheira que é a Grécia. Não admira que os países da Europa de Leste, que tanto passaram no século XX mas aproveitaram com as duas mãos a adesão à UE, estejam pelos cabelos com a questão grega. É ridículo que se continue a desculpar a incompetência e o desleixo dos gregos, pondo em causa a continuidade do euro só porque um dos países da zona euro é ingovernável.
Se a Grécia sair o euro continuará enquanto os outros países quiserem que o euro continue, ponto final. Era o que faltava que tivéssemos de ir todos para o galheiro por causa da experiência falhada do Syriza. Quem apoiou isso que não tivesse falado de mais. É o que dá os socialistas serem cata-ventos.
Nem mais!
Este anónimo é da escola de Cavaco Silva: 19 menos 1 são 18.
Não, sou da escola PORTUGUESA. Tens penas dos gregos, muda de nacionalidade.
Ora nem mais. Isto sim, verdadeiro democrata que ainda não entendeu que a seguir à Grécia vamos nós.
Prezado Anónimo,
eu não sou da esquerda nem tenciono ser, mas uma coisa lhe digo: antes de “agradecer” a um «(des)governo de comunas», tem que agradecer primeirissimamente aos anteriores governos de direita gregos (os tais adultos engravatados responsáveis). e a quem nós emprestámos o dinheiro (não foi ao Syriza), o facto de já nos terem reembolsado…
imbecil, não foi o governo “comuna” (na realidade não é comuna, mas é óbvio que és demasiado ignorante para perceber isso) que pós a Grécia no actual estado. Foram mais os governos anteriores, de direita e socialistas, idênticos aos de cá, corruptos, covardes e incompetentes … e também à que dize-lo a crise financeira de 2008, crise essa iniciada pela especulação dos mercados e das finanças, que agora os mesmos querem obrigar o povo (que “apenas” teve culpa em votar nos ps e psd’s lá do sítio) a pagar.
António Costa: Syriza tem combatido a Europa “de forma tonta”.
A palavra agiotas que provavelmente incluí as autor diz tudo sobre a esquizofrenia da Esquerda.
O Euro está a cair? Está a 0.89 para 1 dólar. 0.9 em média. Tem estado assim nos últimos 5 meses.
https://www.ecb.europa.eu/stats/exchang e/eurofxref/html/eurofxref-graph-usd.en.h tml
Convém ter memória e uma visão mais alargada.
O grande problema foi não terem seguido as opiniões do Sr. Prof. Dr. Baptista da Silva.
Who?
Essa afirmação está aí para confirmar a necessidade desse referendo. Espero que outros se sigam, na medida em que quem se afirma responsável de um país numa união, e não compreende quem lhe confere tal responsabilidade, com tal afirmação só confirma que sua acção tem sido uma mera equação de subtracção. A todos os níveis.
É isto que esta Europa tem em abundância; e os Gregos com suas acções obriga-os a revelarem-se.
Depois de cinco meses sem uma proposta estruturada usar o argumento de só mais cinco dias , parece-me uma narrativa só logica em contos ou romances. Na vida real há adjectivos que me parecem mais apropriadas : incompetência parece-me a propósito dos resultados que os liricos de Atenas têm para dar ao seu povo após cinco meses do seu comando!!?.
Quem, como o autor do post, é absoluta e radicalmente incapaz de exprimir uma simples opinião sobre os resultados das políticas do Syriza, isto ao fim de mais de cinco meses, refugia-se em tretas. Táctica velha e muito rançosa.
Prezado Exactamente,
concordo inteiramente consigo… tal e qual as tácticas velhas e muito rançosas daqueles adultos engravatados, respeitáveis e muito responsáveis que fizeram com que a Grécia chegasse ao estado a que chegou…
Desconversar e atirar para canto também é uma técnica velha, rançosíssima e mal-cheirosa.
Prezado cristof,
não podia estar mais de acordo consigo… tal e qual as propostas estruturadas daqueles adultos engravatados, respeitáveis e respeitadores que fizeram os gregos viverem num conto de romance durante décadas…
o Presidente da República fazia contas de somar e subtrair para concluir que “se a Grécia sair ficam dezoito”.
Perante isto que mais se pode dizer?
tudo, ora vejam 19-1=18, agora vamos fazer a prova dos nove (nove fora de 18 fica 0 ZERO)
Boa análise da situação grega/europeia.
Em relação a Cavaco, aconselho-o a tomar uma atitude semelhante à minha: ajude-o a terminar o seu mandato com uma réstea de dignidade, ignorando toda e qualquer declaração que faça. O Palácio de Belém está vazio há alguns anos.
Mais um intelectualóide da esquerda caviar a defender o não pagamento da dívida pela Grécia. Não me peça dinheiro emprestado, que já sei o que aconteceria.