“[O] PS deveria estar a milhas do que já se sabe e é incontroverso, que viola, se se quiser utilizar o jargão, todos os aspectos da chamada “ética republicana”, que é suposto ser mais do que a lei. Ora, no PS não só permanece uma legião de aduladores de Sócrates, como se permitem manifestar essa adulação publicamente, mesmo quando ela é incómoda para a direcção e para muitos membros do partido em geral. Como no PSD, vários responsáveis pelo BPN, por infracções fiscais, por negócios obscuros, por profissões fictícias, por cursos de favor, por tráfico de influências têm cargos relevantes no partido, passeiam-se nos corredores do poder, e nunca ninguém pensa que isso pode ser muito mais grave do que fazer críticas políticas a uma direcção partidária. Esta complacência, que impregna os aparelhos partidários, é inaceitável. O que é tóxico em Sócrates é que a sua postura pública, e as cumplicidades que a suportam, representa objectivamente a indiferença nos partidos face a condutas reprováveis no sistema político português e explicam o crescente divórcio entre os portugueses e os partidos e a democracia, e isolam e estigmatizam a mais que necessária luta que é preciso ter contra a corrupção.” – José Pacheco Pereira
Coisas que nos deviam preocupar se quisermos ser sérios
Sérgio de Almeida Correia,

Sócrates é o que separa JPP do PS!
Concordo genericamente com PP salvo nos seguintes pontos:
– Do que se sabe, a investigação chegou a Sócrates por via de outro processo-crime, com outros arguidos e após alerta da CGD referente a um fluxo financeiro de risco, cuja comunicação se encontra protocolada por Lei, não parecendo absolutamente nada que se trate de uma perseguição “ad hominem”;
– As fugas de informação não me parecem que sejam todas contra Sócrates. Os jornalistas é que simplesmente têm extrema dificuldade em encontrar factos que sejam favoráveis a Sócrates; e
– Na insistente teimosia em se distinguir a governação e/ou a responsabilidade pela tomada de diversas decisões neste país entre PS ou PSD quando é certo e sabido, mesmo para PP, que quem de facto governa Portugal e por norma toma decisões merdosas que em momento algum prejudicam a mão que embala o berço, é uma oligarquia sem partido ou, melhor, supra-partidária. A toxicidade é esta e só se resolve com a alteração do regime eleitoral (nunca irá acontecer).
Sócrates é apenas um tuga que de repente se sente intocável. Um chico-esperto. Um indivíduo mal formado.
Enfim, a queda de (mais) um anjo.
Bingo!
Tudo certíssimo, mas até prova em contrário só o juiz pode dizer se alguém é ou não criminoso, perante as provas a julgar, antes disso, é só, diz que disse e nada mais. O que deveríamos alertar e exigir era a mudança das leis que proporcionam tais atitudes. Essas leis, deveriam obrigar a justificar de onde lhes vêm tais proventos, uma vez que os seus salários, não lhes dão possibilidade de ter acesso a tais sinais de riqueza. Isto sim é sem isto não vamos a lado nenhum. Obrigação de justificar o enriquecimento ilícito, sem isto, é que é mesmo falar e nada mais.
“Essas leis deveriam obrigar a justificar de onde lhes vêm tais proventos…”
Trata-se de uma das mais humilhantes ofensas à inteligência humana por parte da nossa justiça.
É o logro, torpe e obsceno, da vergonhosa inversão do ónus da prova.
E não é que a malta vai aceitando isto sem grande alarido?!
Onde estão os partidos de esquerda?!
É por estas e por outras que considero não serem os partidos passíveis de autorregeneração.
Há que mudar o regime.
Acha que o Al Capone matou ou mandou matar alguém? Apenas foi condenado por uma questão de fuga ao fisco.
Que fazemos?
“O que é tóxico em Sócrates é que a sua postura pública, e as cumplicidades que a suportam, representa objectivamente a indiferença nos partidos face a condutas reprováveis no sistema político português…”
Esta expressão é muito suave relativamente à realidade expressa.
Não se trata de indiferença.
Trata-se da condição necessária da perpetuação da espécie num regime como o nosso.
Os partidos não são indiferentes à corrupção material e moral.
Os partidos sustentam-se dela e sobrevivem por ela.