Coisas mesmo boas de 2013 – 1 filme


enlil,

 

Afinal Sarah Polley não era filha de seu pai. É isto que ficamos a saber a meio do documentário realizado pela própria. O que sucede na outra metade? Ela espoja-se a carpir mágoas? Faz um ajuste de contas com a família e as suas hipocrisias? Arrasa com desassombro a sociedade e que vivemos? Exibe o seu estoicismo? Estraguei o enredo ao contar aqui o facto central de “Histórias que contamos” (“Stories we tell”)?

Muitos filmes são excelentes por aquilo que não mostram nem dizem. É o caso deste. Sarah Polley não é narcisista, nem se faz vítima; não julga, mas não se coíbe de comentar (ou seja de dar a ver as emoções contidas) como faria se acreditasse na farsa da objetividade; não disseca as emoções e os factos mas – e creio ser isto que faz de “Histórias que contamos” um filme prodigioso – revela e pondera o modo como conta estes acontecimentos.

Filha de actores, actriz ela própria, Sarah Polley sabe bem como se esbate a linha entre a representação e a interpretação – onde quer que ela esteja. E com este filme percebe e dá-nos a perceber que a realidade tem uma imaginação que supera a humana e que, desde a preponderância do Youtube, o documentário é apenas outra maneira de contar histórias.

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