Coerência exemplar


Pedro Correia,

 

Em 1939, aplaudiram o pacto germano-soviético e a partilha da Polónia entre Hitler e Estaline.

Em 1956, festejaram a aniquilação do levantamento nacional em Budapeste, afogado num banho de sangue.

Em 1961, deram vivas à construção do Muro de Berlim.

Em 1968, vitoriaram o brutal esmagamento da Primavera de Praga pelos blindados de Moscovo. 

Em 1989, celebraram o massacre de Tiananmen.

Vestiram luto pela queda do império soviético.

Em 2009, defendem a mais repugnante ditadura que subsiste no planeta. Nestes termos exactos: "Hoje como há 60 anos, o povo coreano está na primeira linha dos alvos do imperialismo norte-americano, o maior inimigo dos povos e da paz mundial. O povo coreano tem o direito soberano de decidir o seu futuro, sem ingerências externas, nem agressões imperialistas. Tem o direito soberano de alcançar a reunificação pacífica da sua pátria, libertando-a da ocupação pelo imperialismo norte-americano."

Se há coisa que eu admiro nos comunistas é isto: a sua coerência exemplar.

10 comentários em “Coerência exemplar”

  1. Uma coerência exemplar e, sobretudo, estranha: carpem muito sobre o direito ao contraditório, mas não sentem necessidade de saber o que pensará esse povo coreano a que se referem com tantas certezas.

  2. Naquele tempo vê-se que não havia gripe A senão aqueles dois senhores não estavam a cumprimentar-se de aperto de mão..

  3. Fala-se muito do Pacto-Germano-Sovietico, mas ninguem fala das tentativas que os russos fizeram antes, para conseguirem um pacto com a Inglaterra e com a França,e assim criar uma barreira a Hitler.

    A resposta não esquecer foi o Acordo de Munique, assinado por Deladier pela França e Chamberlain pela Inglaterra, com Hitler e Mussolini.

    Isto é só uma precisão historica.

    Quanto ao levantamento dito nacional na Hungria, é bom não esquecer que a Hungria foi um aliado de Hitler, e que este dito levantamento nacional, tinha no seu comando , não só democratas sinceros, como aliados dos nazis, talvez por isso quer a Inglatera, a França e mesmo os EUA, pouco fizeram para condenar a repressão, que se seguiu ao golpe. Mas os golpistas tambem tiveram as mãos sujas de sangue, de muitos homens e mulheres resistentes aos nazis, e que pagaram com a vida a sua opção comunista.
    Se é verdade que em nome do cumunismo se cometeram muitas atrocidades, é bom não esquecer que nem tudo é preto e branco……

    1. Comparar um Pacto de Não Agressão – Munique – com um Partilhar de Despojos de Países Ocupados – Germano-Soviético – é, no mínimo enganador…

      Ligar a sublevação da Hungria – em 1956 – ao papel da dita na Segunda Guerra – que acabou em 1945 – também não me parece muito brilhante…

      E já agora lembre-se também dos “homens e mulheres resistentes aos nazis, e que pagaram com a vida a sua opção NÃO comunista” em Cuba, na Venezuela, na Coreia do Norte ou ainda todos aqueles que deram a vida a tentar passar o muro de Berlim…

    2. Caro dito Augusto,

      Os hungaros chamam-lha a revolucao de 1956 (56-os forradalom em Hungaro).

      hu.wikipedia.org/wiki/1956-os_forradalom

      Falar de “dito” levantamento nacional é como comecar a chamar o 25 de Abril de golpe de 1974.

      Estes doutrinados ainda nao se aperceberam que ja ha liberdade desde 1989 no leste da Europa e que as historias que lhes contava o pai Estaline ja foram ha muito desmentidas.

      Respeito aos Hungaros

  4. O Acordo de Munique assinado entre a França a Inglaterra, a Italia de Mussolini e a Alemanha de Hitler entregou a Hitler a Checoslováquia, e isto tambem é historia, por muito qur custe reconhecê-lo a certas pessoas.

    Aquilo que eu disse e mantenho , sobre o levantamento da Hungria em 56, é que a par de muitos democratas sinceros, tinha tambem a dirigi-la muitos daqueles, que se aliaram com Hitler na segunda guerra mundial, a extrema direita hungara e os nazis hungaros ,que aproveitaram a revolta para semear o terror, e isso tambem é historia.

    Tal como é historia, a atitude da França da Inglaerra e dos EUA, que se limitaram a ficar nas bonitas frases, mas se mantiveram fora do problema, porque sabiam das enormes contradições desssa revolta, e da possibilidade da extrema-direita, caso o movimento tivesse triunfado, poder voltar ao poder, e impôr na Hungria não uma democracia, mas uma ditadura de sinal contraria á que então vigorava.

    E isto tambem é história, nem tudo é preto e branco.

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