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A todo o momento se debate, nos mais diversos espaços de opinião, a necessidade de combater assimetrias e desigualdades entre cidadãs e cidadãos. Justíssima causa, ainda com muitos passos a trilhar, e a que dou todo o meu apoio – da igualdade de oportunidades no acesso às carreiras profissionais à urgência em equiparar salários, sem discriminações de género.
Há que reconhecer os progressos registados, nesta matéria, em quase todos os domínios da sociedade portuguesa – incluindo aqueles que outrora permaneciam vedados à participação feminina, como a magistratura, a diplomacia, as corporações policiais e as forças armadas. Se há meio século, por exemplo, era residual o número de mulheres nos cursos de Direito, hoje elas estão ali em esmagadora maioria e já predominam em todos os níveis da magistratura excepto nos tribunais superiores.
Para espanto de alguns, até o futebol feminino está em franca expansão entre nós, com um número crescente de praticantes federadas. Havendo até já jogos que congregam cerca de dez mil adeptos nas bancadas, como aconteceu num recente Sporting-Braga.
Mas há um domínio que lhes permanece escandalosamente interdito sem uma palavra de reprovação das figuras bem-pensantes. Refiro-me aos chefes de cozinha, onde parece prevalecer o lema do Clube do Bolinha: “Menina não entra.”
Ainda agora registaram-se unânimes coros de júbilo a propósito da atribuição de quatro novas “estrelas Michelin” a chefes de cozinha portugueses. Todos homens. E ninguém parece reclamar por isso, o que muito me admira.
Consulto a lista integral dos chefes galardoados com as referidas estrelas em Portugal: António Loureiro, Vítor Matos, Louis Anjos, Rui Paula, Joachim Koerper, João Rodrigues, Miguel Rocha Vieira, Óscar Geadas, Heinz Beck, Henrique Leis, Sergi Arola, Miguel Laffan, Tiago Bonito, Alexandre Silva, Pedro Almeida, Pedro Lemos, Leonel Pereira, João Oliveira, Luís Pestana, Willie Wurger, Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Benoît Sinthon, Hans Neuner, Ricardo Costa e Dieter Koschina.
Caramba, não se vislumbra uma cozinheira num sector tão emblemático e com tanta projecção mediática. Elas só servirão para lavar os tachos?
É algo que me indigna. Quase tanto como o silêncio cúmplice das feministas que passam ao lado deste tema. Algumas, se calhar, até frequentam sem sobressaltos de consciência os restaurantes desta tribo que goza de tão boa imprensa e se mantém irredutível como reduto da desigualdade.

Que eu saiba, não está “escandalosamente interdito” a uma mulher tornar-se chefe de cozinha. Há montes de restaurantes neste país onde os (ou as) chefes de cozinha são mulheres. O que não têm é ganhado estrelas Michelin.
Se calhar é machismo de quem atribui as estrelas. Dos restaurantes, não é certamente.
Comentário misógino. Não admira, vindo de quem vem.
Nos jogos de futebol feminino não se paga para assistir (sei isso porque já assisti a diversos). Por isso é que consegue bastante assistência.
Nao há nada de surpreendente em mulheres a jogar futebol. Ao contrário de alguns outros desportos, o futebol é bastante adequado para mulheres, pois não exige grande força no tronco e membros superiores. Nos Estados Unidos há montes de mulheres a praticar futebol, o que não há é mulheres a praticar futebol americano nem basebol, desportos esses que são muito mais problemáticos para elas.
Misoginia cada vez mais acentuada.
Para o Marxismo Sexual que professa a realidade é misógina…
Também tem piada que aqueles que gostam de publicitar que acreditam na ciência – a terra não é plana -são os mesmos que acreditam que as pessoas são “planas”…
As mulheres têm menos capacidade muscular que os homens, e como é óbvio a maioria das pessoas potência as capacidade com que já nasce.
Marxismo sexual? Onde e que isso já vai…
Marx era misógino, como hoje bem se sabe.
Ainda não tinha levado as suas ideias a todos os aspectos da vida humana. Basta transpor a teoria das classes sociais e criar as classes sexuais, raciais …
O maravilhoso mundo novo:
https://www.engadget.com/2018/11/27/goog le-removes-gender-from-gmail-smart-compo se/
Gmail’s Smart Compose can save you valuable time when you’re firing off a quick message, but don’t expect it to refer to people as “him” or “her” — Google is playing it safe on that front. Product leaders have revealed to Reuters that Google removed gender pronouns from Smart Compose’s phrase suggestions after realizing that the AI-guided feature could be biased. When a scientist talked about meeting an investor in January, for example, Gmail offered the follow-up “do you want to meet him” — not considering the possibility that the investor could be a woman.
Afinal se os homens e as mulheres são iguais então não é necessário pronomes que os diferenciem, nem nomes diferentes para os designar….curiosamente acaba também a violência sexual…
Como é que Marx era misógino? Pois se até era casado…
“misógino = aquele que revela aversão ou desprezo pelas mulheres”
Muitos misóginos são casados. Talvez até a maioria, como você deve saber.
Surpreende-me, ou nem por isso, que sejam os que defendem o liberalismo mais ou menos selvagem os mesmos que carpem mágoas pela discriminação/descriminação de género.
É a lei de mercado, senhores…
João de Brito
Cozinha, João de Brito?
As feministas devem apreciar um sítio onde é o homem quem cozinha…
É interessante que quando eu era novo, no tempo do fascismo salazarista, em Trabalhos Manuais, as meninas aprendiam a soldar e serrar e os meninos a cozinhar e pregar botões. Vá-se lá ver e se calhar o ensino era mais progressista?
Não me parece que as verdadeiras feministas apreciem a exclusão total das mulheres na culinária galardoada com muitas estrelas, cheia de “boa imprensa” e com os jornalistas das causas fracturantes na primeira linha a bater palminhas.
A FIFA já está pensando admitir mulheres no futebol masculino….
Atenção aos futuros balneários!
AM
No dia em que isso sucedesse, como diria o Lavoura, a FIFA passaria a chamar-se FOFA.
Ou talvez FUFA.
Há chefes de excelência.
Não são reconhecidas com os prémios maiores porque, tal como antes e ainda noutras áreas, quem os distribui tende a distinguir géneros.
E embora muitas mulheres saibam e reconheçam tal injustiça, a indignação é apenas murmurada porque na maioria das famílias onde há uma mulher é ainda esta quem diariamente prepara as refeições, vistas como sua responsabilidade e dever.
Se a mulher de César também tem de parecer séria, como garantir seriedade ao exigir igualdade na distinção de uma arte que, no quotidiano, nos é tarefa imposta pela tradição?
Portanto está tudo bem assim, não é?
Foi isso que extraiu do que escrevi?
Vou reler. A ver se percebo melhor.
As poucas mulheres que li aflorando o tema, nos idos ’90 e não sobre as estrelas que estralam neste postal, falavam exactamente da dificuldade em ser levada a sério em tais reivindicações, exactamente pela conotação com a tarefa quotidiana. Luís Fernando Veríssimo escreveu também sobre o tema, há mais de 15 anos.
Falou de cozinha, podia ter falado da alta-costura. Tachos e trapos ainda nos pesam, Pedro, mesmo que ao mais alto nível vejamos também valorosas artistas
Posso estar a atirar ao lado, mas diria que as mulheres são “ensinadas” a alimentar a família, o que implica cozinhar em quantidade, prover, fazer render, gerir um orçamento apertado, não a criar pratos extraordinários (embora mtas vezes o façam), competir, gerir uma empresa, inovar, experimentar…
Mas lá chegaremos! Ou melhor, lá chegarão que eu nem rodelas de cenoura corto direito.
Também será por aí, marta, concordo, acrescentando apenas que a educação não é dada apenas pela família e que, felizmente, cada vez mais famílias têm horror a rodelas homogéneas de cenoura 🙂
quem os distribui tende a distinguir géneros
Acho que quem distribui prémios culinários os atribui aos restaurantes, não aos seus chefes de cozinha. E vão ao restaurante testar a comida (creio eu), não o que o chefe da cozinha tem entre as pernas.
As estrelas são atribuídas ao conjunto.
As provas não são cegas, e se o LL acha que quem avalia não conhece o currículo e o nome do “chef” e até dos seus “sous chef” – para as sopas, para o peixe, para os doces, … – está muito mas mesmo muito a leste do paraíso gastronómico.
Sobre a questão anatómica, poderia explicar-lhe que há hermafroditismo, disforia de género, … mas não vale a pena, pois não?
O Lavoura não “está muito mas mesmo muito a leste do paraíso gastronómico”, O Lavoura está a leste de quase tudo, sendo certo que mete a colherada em tudo, e de forma sobranceira. Não, ele não estuda as matérias afincadamente, não: ele usa quase sempre e apenas o “olhómetro” e nem sempre o que mede as coisas mais ou menos, mas o outro, o vesgo. Há gente assim.
É um tudólogo, perito em achismo.
Acho que por vezes se finge a leste de tudo; embora não seja raro quem tenha algum conhecimento erudito (a Wikipédia está mesmo aqui) e nenhuma capacidade para o aplicar, não me parece que seja o caso – por vezes parece-me ver lampejos de verdadeiro conhecimento pejado de escárnio por quem, brincando, o acredita genuíno. Mas como me disseram acreditar eu no Pai Natal, provavelmente LL será código para Rena Rodolfo
Mas, caro Tiro, não duvidando da sua boa intenção neste parêntesis, custa-me falar paralelamente de outro comentador – até porque, não vendo reacção de quem em causa, o suponho, ao LL, ou muito matreiro ou demasiado inocente 🙂
Sarin, desta feita fui “obrigado” a ir Wik a saber quem era a Rena Rodolfo, pois nunca tinha ouvido falar desse ente. E não me parece que tenha alguma ligação ao LL. Pelo que vi, a Rena é simpática e o LL não. O LL é demasiadas vezes inconveniente, quase sempre apenas provocador, parecendo frequentemente uma criança grande.
Mas faz bem a Sarin em tentar compreendê-lo. A mim falta-me a paciência.
Não tento, caro Tiro. Mas por vezes vejo incongruências entre a imagem que LL passa e aquilo que diz, como se um actor numa personagem bem interpretada que, a espaços, se revela sem querer. Mas também pode ser colagem de escritos de outros 🙂
Ser chef é bem mais do que ser bom/boa cozinheiro(a). Alguém comparava o comando de uma cozinha ao comando de um exército. No dia em que tivermos várias “generalas”, teremos várias “estreladas”.
Entretanto contentamo-nos com vários “estrelados”. Alguns, se calhar, já não estrelam um ovo há uns anitos.
Alguém comparava o comando de uma cozinha ao comando de um exército.
Eu gostava de perceber como é que o chefe Avillez pode ter tantos restaurantes. Provavelmente é um general que orienta vários exércitos em várias batalhas ao mesmo tempo. Mas não combate em nenhum deles.
O Avillez é ubíquo.
Como os deputados do PSD.
Estou de pé a aplaudir o postal. E, confesso, deliciado com o seu veneno …
Afinal, a tradição já não vinga na cozinha… veneno no repasto era recurso feminino.
“A todo o momento se debate, nos mais diversos espaços de opinião, a necessidade de combater assimetrias e desigualdades entre cidadãs e cidadãos. Justíssima causa, “
Não tem nada de justo é simplesmente opressão ideológica.
…pois os homens e mulheres são diferentes, isso implica querer coisas diferentes.
E você, Lucklucky? Sabe ao menos estrelar um ovo ou só percebe de “marxismo”?
Nós 100 metros masculinos não há uma única mulher medalhada, tb me parece injusto e estranho o silêncio.
Agora a sério. Não podem criar as estrelas Goodyear ou Bridgestone e concorrerem com as supracitadas?
Em breve hei-de escrever sobre o que vou dizer agora, mas se quer que lhe diga, nunca tive tanto medo da igualdade e da liberdade 😉
Não são a igualdade e a liberdade que incutem temor, são alguns dos que nos querem libertar – no frémito, confundem os seus direitos com os nossos deveres.
Infelizmente, os que nos querem subjugar também.
Foi isso que quis dizer…
E esses tais impediram-no?! Ai os malvados!!!!
Percebi, apenas reforcei 😉
Meu caro Pedro, ainda ontem fazia notar isso mesmo. Dá ideia que a cozinha, que antigamente era tida como “lugar de mulheres”, passou a ser uma coutada masculina – sobretudo a que ganha prémios e notoriedade.
Não faltará muito para que aquela típica piada machista – “sabem como se dá liberdade a uma mulher? Aumenta-se a cozinha” – desapareça para dar lugar a remoques como “a cozinha não é lugar para mulheres. Vão mas para as forças armadas” (isto tendo em conta a quantidade de senhoras que que marcharam no desfile militar de há uns dias, na avenida da Liberdade).
Talvez chegue tal dia, mas antes terão os homens que cozinhar sem serem pagos por isso, sem ouvirem um “obrigado” por isso, sem terem direito a qualquer notoriedade por isso a não ser a velha frase “este doce não é tão bom como o que o meu pai fazia”…