Referi aqui há dias a importância de começar bem um livro. Deparo-me agora mesmo com outro bom exemplo: um excelente arranque que me faz logo ter vontade de prosseguir a leitura.
Refiro-me às frases iniciais de Churchill, pequena biografia do grande Paul Johnson agora lançada em Portugal pela editora Alêtheia. Passo a transcrevê-las, com a devida vénia. Por serem exemplares – em matéria de elegância, concisão e sábio envolvimento com o leitor.
“De entre as figuras que se impuseram no século XX, fosse para o bem ou para o mal, Winston Churchill foi a mais importante para a humanidade, e foi também a mais amável de todas. É uma alegria escrever a biografia de Churchill, como o é também ler coisas sobre ele, pois não há outra personalidade da qual se possam extrair tantas lições, em especial para a juventude: a tirar partido de uma infância difícil; a aproveitar ao máximo todas as oportunidades, físicas, morais e intelectuais; a ousar em grande, para reforçar o êxito e ultrapassar os inevitáveis fracassos; e a ter ambições elevadas, aplicando-lhes toda a energia e paixão, sem deixar de cultivar a amizade, a generosidade, a compaixão e a elevação moral.”
Está feita a apresentação do biografado em breves linhas. Início exemplar de uma obra que nos prende desde o primeiro instante.


Uma personalidade fascinante merecia uma introdução como esta.
O livro tem 200 páginas. Lê-se com rapidez e com crescente prazer à medida que os capítulos se sucedem. Não substitui a monumental biografia oficial, escrita por Martin Gilbert. Mas tem a vantagem de uma escrita de qualidade muito superior. E de nos iluminar sobre aspectos muito especiais do riquíssimo percurso biográfico de Churchill, um dos heróis do século XX. Sim, porque eu sou daqueles que ainda acredita em heróis e ainda tem heróis.