O chico-espertismo tuga não é menos condenável quando surge com rótulo cultural. Há quem prefira chamar plágio ao roubo, o que soa sempre mais chic.
Mas quando o roubo é caucionado pelo Estado, com a Direcção-Geral da Educação a exibi-lo em itinerância pelas principais cidades do País e com “condições especiais de acesso para escolas”, a coisa torna-se ainda mais grave.
Se há experiência pedagógica a que as criancinhas devem ser poupadas é à da exibição do furto de propriedade intelectual. Se a moda pega, o Ministério da Educação ainda vai pô-las a ouvir o Tony Carreira: ou há moralidade ou plagiam todos.
Encurtando razões, exprimo aqui a minha solidariedade com Deana Barroqueiro. Como canta o Fausto, “quem conquista sempre rouba / quem cobiça nunca dá”.

Um nojo.
António Cabral
E uma enorme lata. Com patrocínio do Estado.
Imagine o Pedro que eu estive arredada da vida noticiosa-cultural-mera_cusquice durante um mesito.
Explique-me quem plagiou quem, sff – se se refere ao Fernão, a lei do plágio não tem retroactividade, por muito que a SPA apreciasse… e quanto ao resto, estou a nadar.
Faltava o último parágrafo, Pedro… agora, e com o comentário do Luís Eme, já começo a vislumbrar o que se passou e passa. Tenho que recolher mais dados mas, segundo depreendo do que escreveu Luís no seu blog, não há muitas notícias sobre o assunto…
E sobre Fernão Mendes Pinto, relembro que surgiram ao longo da história detractores deste nosso bardo, acusando-o de adaptar trechos da Odisseia e da Ilíada – daí o meu comentário inicial.
Ocorre-me apenas uma pergunta, para rebater ou para me unir à sua indignação contra o Ministério: A autora aceitou as desculpas, mesmo que esfarrapadas, ou antes recusou e diligenciou usar mecanismos legais para ressarcimento e reposição da verdade? Se o Ministério não sabe a resposta ou se Deana recusou as desculpas e recorreu aos tribunais, percebo e partilho a indignação. De outra forma, não – independentemente dos meandros que ainda desconheço.
Segundo o Público, “a escritora pondera processar o cineasta”. raipsilon/noticia/peregrinacao-joao-bote lho-acusado-de-adaptar-romance-sem-autor izacao-1808610
https://www.publico.pt/2018/03/30/cultu
Segundo o JN, o cineasta admite ter havido plágio, de algum modo natural “nesta arte de vampiro que é o cinema”. otelho-admite-plagio-na-adaptacao-do-fil me-a-peregrinacao-9225354.html
https://www.jn.pt/artes/interior/joao-b
Tony Carreira já terá manifestado solidariedade ao realizador.
Obrigada pelas ligações.
Quando desperdicei o meu tempo a ver o “Moulin Rouge” de Luhrmann, fiquei indignadíssima porque não havia qualquer referência, nem sequer nas finais letrinhas pequeninas, à obra “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas, filho. Este Dumas estava morto e enterrado há mais de cem anos e ainda assim doeu-me a falta de reconhecimento por parte do argumentista (por parte de quem o viu doeu menos, actualmente o livro só é um clássico para alguns curiosos) .
Não imagino como se sentirá Deana Barroqueiro. E não imagino… porque explodiria no processo! Tem a minha solidariedade – a solidariedade anónima de quem agradece o esforço e a disciplina e reconhece o mérito ao usufruir de uma obra.
Quanto ao ataque ao Ministério da Educação: a publicação na DGE data de 31 de Outubro de 2017, as reacções da autora são muito posteriores – as notícias que me facultou são de 30/31 de Março de 2018, e numa delas Deana frisa que só se apercebeu muito depois da estreia.
Coloquei uma pergunta, de cuja resposta dependeria, como disse, o rebate da ou o apoio na indignação contra o Ministério. Coloquei apenas uma porque não esperava da sua parte uma tal desatenção à cronologia – chamemos-lhe assim, permita-me acreditar que não foi omissão intencional.
Perante a linha temporal, e a menos que o Pedro exija que haja órgãos que conheçam, de facto, todas as obras publicadas no país, o ME via DGE não merece (por este motivo) censura pelo apoio dado ao filme, muito menos a acusação de conivência que o Pedro faz.
O Ministério deverá suspender o apoio, se e só se Deana avançar para acusações formais – sem tal, tudo não passará de um arrufo entre criativos. E o ME deverá demarcar-se e exigir restituição de quaisquer montantes avançados ou chegar a um acordo com todas as partes caso Deana ganhe a batalha. Se não o fizer, então sim merecerá o desdém e a acusação de promotor de plagiadores. Mas só assim e só então.
Já o Pedro tem oportunidade de corrigir o seu lapso desde este momento, agora que reparou nas datas.
Não há “ataque” nenhum ao Ministério da Educação: há a enunciação de um facto.
Que funciona como alerta: estes filmes que não são concebidos para o circuito comercial mas para que o Estado os pague duas vezes – primeiro na fase de concretização, depois na fase de exibição – devem estar isentos de polémicas como a que agora veio a público.
A partir de agora a Direcção-Geral tem o estrito dever de suspender a exibição do filme na sua “itinerância” pelo País em geral e pelas escolas em particular.
Para gerar polémica não é preciso muito, basta alguém dizer qualquer coisa a um jornalista. E assim se queimam em praça pública este aquele e aqueloutro.
Há mecanismos para mediar e solucionar acusações, e não são jornais nem redes sociais.
Não retiro a razão a Deana – apenas demonstro que seria fácil impedir todo e qualquer apoio por parte do Estado a um qualquer projecto.
Como afirmei, neste momento e sem acusação nos canais próprios, nada vejo que justifique a suspensão – ética passa por usar os mecanismos existentes para defender razões ou património, e o poder executivo deve estar atento às denúncias mas não pode nem deve andar a reboque destas. Ou então acabemos com o aparelho judicial, por inútil.
Mas tem razão quando diz que houve enunciação de um facto; a omissão que o Pedro fez dos outros é que motivou o tom do meu comentário.
“Mas quando o roubo é caucionado pelo Estado” ainda se poderia entender como exigência de seriedade ao apoiado, já o parágrafo seguinte estende a responsabilidade ao próprio Ministério. Sem benefício de dúvida e desde o primeiro momento.
Parece-me que redefiniu “alerta” pelo exemplo do SIRESP… como está não funciona, Pedro.
Estava quase para não comentar, Pedro, por ter escrito sobre o assunto no meu “Largo” (mesmo agora…).
É uma vergonha, tudo. A apropriação, a desculpa do realizador e ausência de notícias nos ditos “jornais sérios”.
Uma vergonha, sim, Luís. O termo adequado é mesmo esse. E pela ordem que enumera. 018/04/o-esquecimento-da-noticia-e-os.ht ml
Aproveito para deixar aqui a ligação para o seu artigo:
http://largodamemoria.blogspot.pt/2
Falta saber se alguém se dignou falar com Fernão Mendes Pinto! E não me venham que o nosso homem está morto. Pois, como todo o médico legista sabe, os mortos falam e nunca mentem!
Fernão, mentes?
– Não: só plagio.
Este Ministro da Educação e seus acólitos … educam mesmo!
— Uma escola secundária de Monte Abraão organizou uma estadia (nestas férias da Páscoa) de um fim -de-semana didáctico a Coimbra…
Só que, os alunos percorreram 400 Kms (ida/volta) para ficarem confinados a uma uma quinta: – como tantas que existem aqui na zona de Sintra… Os “dedicadíssimos professores não se lembraram de mostrar um pouco da cidade aos seus alunos…
Bilhete: 110E.
Tempos Difíceis. O ministro devia ir à vela, de Peregrinação. Um Adeus Português, Aqui na Terra. E ficava a Conversa Acabada.
Não se trata de plágio. Trata-se de uma adaptação ao cinema de uma obra literária. Isso não é plágio.
É claro que João Botelho deveria ter declarado no filme (e na publicidade a ele) tratar-se de uma adaptação dessa obra, e não de outra. Mas, não estou certo de que seja um delito sancionado pela lei adaptar um romance a filme sem dar crédito a esse romance.
O plágio não é roubo, na medida em que “propriedade intelectual” não é verdadeira propriedade.
A propriedade é material, refere-se a coisas tangíveis e é perene (se eu sou proprietário de algo, sou-o por toda a eternidade até decidir vendê-la). A “propriedade intelectual” é uma concessão do Estado, não se refere a nada tangível e termina ao fim de alguns anos.
Um livro pesa. Um livro é matéria
A propriedade intelectual não se refere ao meio físico utilizado para a reprodução do conteúdo proprietário. Refere-se ao próprio conteúdo.
E=MC2
Da cabeça de Einstein e durante algum tempo sem conteúdo. Mas é dele, disso ninguém duvida. E o mesmos e se aplica a diversas formas matemáticas, que não tendo conteúdo têm autor.
Quod erat demonstrandum.
Vai desculpar-me, Senhor Pedro Correia, mas não vejo muita razão nessa sua excessiva rigidez ética, pela passagem do filme. É evidente que plagiar, seja lá o que for, se não fosse crime seria, no mínimo, anti-ético e condenável.
Mas se o filme tem uma componente didáctica, se João Botelho já se penitenciou, afinal, que interesse tem para as crianças se a investigação foi feita por este ou aquele? Já sei, a verdade acima de tudo, mas… alguém ficou lesado? A historiadora que fez o alerta ficou prejudicada?
O livro de Fernão Mendes Pinto, foi escrito só para ela?
De condenar é o plágio de Tony Carreira que, a troco de 20 mil euros, calou as vozes discordantes…
Respeito a sua opinião, mas prefiro manter-me na minha “rigidez ética”. E quando cito – como acabo de fazer consigo – aplico as indispensáveis aspas.
maria antonieta, a coisa passou para a área da educação. es.
vou ligar aqui uns vocábulos a este:
educação-formar(também)-princípios-valor
desfaçatez e falta de vergonha no rosto é que não ligam ali muito bem.
Cristina M.
Nesses seus pruridos educacionais não fazem parte a ética de escrever os nomes das pessoas com letra maiúscula? Que eu saiba uma pessoa é diferente de um objecto.
Passe bem!
maria… entre os meus “pruridos” e os seus, fico-me com os meus.
A partir do momento em que a escritora decide que não vai exigir o que lhe é de direito, não vejo qual seja o caso nem razão para continuar essa campanha de destruição de imagem de João Botelho.
Penso que é deitar o bebé fora juntamente com a água do banho (odeio essa frase, desculpem lá, mas agora teve de ser).
O cinema e a cultura precisam de João Botelho. Ele cometeu um erro. Mas até a escritora entende que não deve processá-lo. E se parássemos de queimar pessoas na praça pública? Não era porreiro?
Botelho e Barraqueiro são adultos. Que sentem numa mesa e resolvam. Trata-se de uma questão meramente jurídica. Mas a infantilidade atávica do tuga acha que deve dramatizar tudo e mais alguma coisa.
Não quero é que o Ministério da Educação continue a exibir aos meninos das escolas este filme como se fosse modelar.
A menos que a intenção seja a de que tudo é possível – o plágio, o furto – em nome da “fruição artística” paga por todos nós.
Se for esse o desígnio “pedagógico, subsidiem também os discos do Tony Carreira.
É incrível, o sr. não quer que assistam ao filme de João Botelho… não está nada preocupado com as crianças, parece-me. Nem com as dezenas de pessoas que trabalharam no filme. Todos eles palgiaram? Não merecem existir? É a não-inscrição… Impressionante como no fim vai tudo parar n’O Medo de Existir…
Não deseje tal maldade a Barraqueiro e a Botelho. Pelo menos agora toda a gente sabe que o filme adapta algo da obra de Barraqueiro. Justo agora é para vetar o filme? Quem vai vetar, a Censura? A PIDE?
Deixem Botelho em paz… meter Tony Carreira nessa história é tão populista. Tony Carreira não admitiu, não pagou e não está a ser investigado pela justiça? Já foi condenado? A quê, ao degredo?
Larguem da mão e quem produz alguma cultura ou entretenimento neste país.
Experimente assinar a sua opinião com nome próprio, sem se esconder atrás de um teclado.
Verá que não custa nada.
A escritora não o processa, porque alega:
–” Tenho quase setenta anos,com o estado da justiça portuguesa…..”
SÓ queria um pedido de desculpas do realizador…
Jornal Macau
Bofetada de luva branca.
A escritora não faz valer o seu direito? Fez mal. Devia ao menos ter sentado à mesa cara a cara com ele. Devia ter pensado em todos os demais autores. Se resolveu não exigir o que é de lei, então andar pela internet a tentar destruir a vida de João Botelho é muito feio uma pessoa madura agir como uma criança.
Prefere andar a promover a si e ao seu livro. Pois, o retorno em tempo de antena é muito maior do que receber direitos ou ter o nome no início do filme. Faz sentido. Ele há espertos
E a editora? O que fez? Que nulidade de editora é essaque não defende a autora?
Experimente assinar a sua opinião com nome próprio, sem se esconder atrás de um teclado.
Verá que não custa nada.
Plágio mais marcante vai nesta Páscoa para Costa como o homem que já ressuscitou pelo menos 3 vezes.
É como o comboio, que apitou três vezes.
João Botelho diz que “tentou contactar a editora e não conseguiu nem à primeira nem à segunda”. A produção de um filme é trabalhosa, diz ele, e não teve oportunidade para telefonar uma terceira vez. Quer dizer: durante meses, ninguém ligado à produção (nem sequer o estagiário que é responsável pela cafeteira) dispôs de uma manhã livre para ir às instalações da própria editora (que não é, convenhamos, uma microeditora unipessoal – tem um website, a morada disponível online e pertence ao grupo Leya) ou, vá lá, dez segundos livres para tentar um terceiro telefonema.
Se eu fosse maldoso, ainda era capaz de pensar que todo o chorrilho de desculpas que ele debita não passa de um deslumbrante exercício de cara-de-pau.
Conversa da treta. Da parte dele.
Dá bom nome para o próximo filme.
Fui ver o “Conserva Acabada”.Desmoer,distender.Lembrei-me.
A minha conserva já acabou. Tenho de comprar mais umas latas Bom Petisco.