Chego a mudar de calçada


Pedro Correia,

 

José Sócrates propôs dançar o tango com Passos Coelho mas optou afinal por sambar com Chico Buarque. Tudo bem? Não: tudo mal. Alguém do seu gabinete encarregou-se de divulgar aos jornalistas uma aldrabice logo desmentida pelo autor de Tanto Mar com justificada indignação: não era ele quem estava interessado em conhecer o primeiro-ministro português, mas o contrário.

A propósito desta historieta, que bem define o carácter dos envolvidos, apetece-me deixar aqui um velho samba do Chico:

 

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
exijo respeito, não sou mais um sonhador
chego a mudar de calçada
quando aparece uma flor
e dou risada do grande amor
mentira.

 

Adenda de domingo: Duas versões contraditórias podem estar correctas. É este, pelo menos, o entendimento do gabinete do primeiro-ministro. Os colaboradores mais próximos de Sócrates à imagem e semelhança do chefe.

5 comentários em “Chego a mudar de calçada”

  1. É uma mentirola inconsequente e sem sentido.
    Mais uma.
    É o que acontece a quem tem o hábito de faltar à verdade sistematicamente – torna-se num hábito, mente-se por tudo e por nada, isto é uma doença diagnosticável.
    Cheira por todos os lados a fim de regime, na fase em que “vale tudo”.

  2. Já são poucas as pedras no peito, sem dúvida…

    Dessas mentiras contadas,
    prontamente desmentidas,
    brotam pernas encurtadas
    em palavras incontidas.

    Chegando a mudar de calçada
    quando uma flor lhe aparece,
    merecendo uma paliçada
    de quem seriedade carece.

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