Chefe Evaristo, “in memoriam”


Pedro Correia,

img_828x523$2021_09_02_18_49_20_285378.jpg

 

Morreu o chefe Evaristo Cardoso, que em 1974 fundou o Solar dos Presuntos – templo da gastronomia minhota no coração de Lisboa. Inesquecível, o seu cordeiro à moda de Monção. Sem esquecer o folhado de vitela, a paelha de porco preto com gambas e mexilhões e o cabrito no forno com batata assada e arroz de forno.  

Chefe em português, não em francês. Cozinheiro e empresário de restauração da mais genuína cepa nacional.

Este sim, merecia honras de Panteão.

18 comentários em “Chefe Evaristo, “in memoriam””

  1. Este sim, merecia honras de Panteão.

    Tá cheio — tá lá o Eusébio e outros poetas menores.

    Bem, mas aquilo é um templo republicano. O chefe Cardoso merece melhor.

      1. Conheci bem o Evaristo.
        Ainda éramos rapazes, ele e mais uns tantos (p.ex. Abílio sportinguista Fernandes) a trabalhar nos restaurantes dos galegos, encontrávamo-nos na Rua Jardim do Regedor, em pequenas conversas de minhotos.
        Como aconteceu com vários empregados no ramo, os galegos incentivavam a criar o seu próprio negócio, servindo de fiadores de empréstimos bancários, e o Evaristo “tomou conta” da tasca dos presuntos do Largo da Anunciada.
        Depois foi crescer, mantendo o nome comercial “Solar dos Presuntos” modificou a casa para um pequeno restaurante de balcão e mesas e sempre evoluindo com grande qualidade. Trazia água de Monção para a confecção do arroz de lampreia.
        Os bolinhos de bacalhau são os melhores do mundo e o cabrito no forno, que não tinha vergonha de chamar pelo nome que era conhecido na sua terra, do melhor que se come em Portugal.
        Almocei lá várias vezes e em 1990 foi a última vez que jantei no “Solar”, depois saí da zona e nunca mais por lá passei. Entretanto o “Solar dos Presuntos” passou a restaurante de grande categoria na gastronomia lisboeta.
        Sentidos pêsames à família do Evaristo, que regressa ao Minho de onde saiu para uma vida melhor.

        1. Era de uma simpatia como já pouco existe. Simpatia que soube transmitir aos filhos, nomeadamente ao Pedro.
          Digno “embaixador” de Monção em Lisboa. Nunca renegou as raízes, muito pelo contrário. Nem precisou de se transmutar em ‘chef’, à francesa, para atrair sempre clientes diversificados.
          Durante alguns anos, compareci no Solar, na época própria, para degustar a lampreia. Regada com Portal dos Fidalgos, excelente alvarinho que descobri lá.
          Fiz no Solar algumas refeições inesquecíveis. Incluindo um almoço muito prolongado com o meu falecido amigo Baptista-Bastos.

    1. Minhota não era de certeza a paella. Em todo o caso, gostava imenso de lá ir para o arroz de lampreia com vinho tinto verde de Monção (se não erro), seguido de um doce regional do Minho.
      Devo dizer que em geral não sou apreciador da gastronomia do norte. Pesada e sob a ditadura da batata, arroz e folha de alface.

      1. Fui lá várias vezes comer lampreia, prato sazonal que só integra a ementa entre Janeiro e Março, salvo erro.
        Uma das melhores de Lisboa, sem a menor dúvida. Com uma variante de excelência: lampreia de escabeche. Lampreia do rio Minho, claro.

  2. Presunto, penso eu, é coisa mais lá da meseta ibérica. Há também o de Parma. O de Monção, não me parece que seja o melhor.

  3. O Pedro Correia, morando em Alvalade, tem no entanto rendimentos que lhe permitem tratar-se com Alta Cozinha de Monção. Eu moro bem mais perto do Solar dos Presuntos do que ele, porém nunca me aprouve gastar tanto dinheiro numa refeição.

    1. Tres comentários só aqui, ainda antes da nove da matina. Este promete ser um dia de enorme produtividade na rotina de tão laborioso “servidor do Estado”.
      Quem tanto comenta já justifica comenda.

    1. Também lá não vou há bastante tempo, mas incluo-o sem favor algum entre os melhores restaurantes de Lisboa.
      E não precisa de nenhuma “estrela Michelin” para merecer tal título.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *