Há muito que digo que na política não se pode ter um discurso para dentro e outro para fora. Por isso, a questão de fundo não é o incómodo que provoca. Ou a saída de Alfredo Barroso. Isso é o que menos importa, como o próprio Barroso certamente concordará.
A questão que releva é curta, não precisa de alarido, e resume-se a isto: com que legitimidade, com que autoridade, se criticarão amanhã os deslizes dos outros? É só isto.

Três discursos, três versões: O que Costa anda a dizer para ser ouvido lá fora ==========================
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Quando fala para investidores ou cidadãos estrangeiros, o secretário-geral do PS, António Costa adapta as palavras à assistência. Ou a culpa é da Europa, ou o país está melhor ou, afinal, a culpa é de todos: da Europa ao Governo. Foi o que fez nos últimos dias perante chineses, espanhóis ou empresários de topo.
(…)
(Observador)
Até isto serve. Excerto de Santana Castilho no Aventar:
“Bater o pé ou abanar a cauda? Foi de subserviência que se tratou quando a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, foi a Berlim a um beija-mão despropositado e se prestou a ser exibida como troféu de colonização moderna pelo sinistro mandarim Wolfgang Schäuble “.
Custa-me perceber porque Costa não disse uma frase do género: estamos contentes com a contribuição dos chineses para a economia portuguesa, estaríamos pior (ou muito pior) sem o investimento chinês em Portugal.
António Costa, como Alexis Tsypras, convenceu-se que seria possivel fazer uma espécie de revolução na Europa que acabasse “com as politicas de austeridade”. Veja-se o modo como ele saudou a vitória do Syrisa, tão ou mais entusiasmado que a Marisa Matias, o Rui Tavares ou o Daniel Oliveira.
Mas cedo percebeu como é que aquilo vai acabar: mal para os gregos, que estão agora piores, se isso é possivel, do que estavam quando caíu o governo da direita.
Agora virou o discurso, como fez na conferência da Economist (não me comprometo com nada, porque tenho de negociar com os outros), e como já tinha feito no jantar com os chineses na Póvoa, declarações que as tvs indigenas, iguais a si próprias, resolveram esconder dos portugueses durante uma semana.
António Costa está por isso metido numa camisa de onze varas; como socialista que é não está disposto a governar pedindo mais sacrifícios aos portugueses, como já percebeu que terá de fazer. Por isso, mesmo correndo o risco de pôr o PS contra ele, Costa adoptou este discurso que evidentemente o descredibiliza ainda mais, que provávelmente o fará perder as eleições, e, não vá mesmo o Diabo tecê-las, já mandou o Medina dizer que só sai da camâra de Lisboa se for para São Bento.
Pobre António; porque é que ele acreditou nos que diziam, e eram muitos, que ele é especial, e patáti-patátá…
“Por isso, a questão de fundo não é o incómodo que provoca.”
Precisamente.
A questão de fundo é : “comprava a este homem um carro em 2ªmão?”
Contratava-o o para me vender o Ferro velho.
Porque raio quer o Ferro?
Quem me acaba o resto que nem com robalos me safo.