Chama-se Maria do Carmo Fonseca e foi distinguida com o Prémio Pessoa 2010, pelo seu importante contributo para o conhecimento do genoma humano. Com o galardão vieram também 60.000 euros, um prémio pecuniário pessoal que o premiado pode, naturalmente, gastar como quiser. Em entrevista, a cientista revelou que essa verba será integralmente aplicada na compra de um microscópio essencial para as suas investigações, que não existe no laboratório onde trabalha. Um caso exemplar, e ao mesmo tempo uma notável e irónica chapelada aos imperiais polegares que decidem os destinos dos dinheiros públicos. Infelizmente, é pouco provável que alguma cabeça enfie a carapuça, num país e numa época em que se vive de aparências. Mas vale a pena meditar nisto: o valor de um só carro de alta cilindrada de uma qualquer empresa pública chegaria para comprar o equipamento em falta. Fica a lição.
Chapelada
Ana Vidal,

Este teu oportuno apontamento fez-me lembrar uma das mil promessas não concretizadas do governo Sócrates: «Garantimos sustentabilidade na política de desenvolvimento das capacidades científicas e tecnológicas.»
Lição com sublinhado, Ana.
exactamente (remate do seu post)
“o valor de um só carro de alta cilindrada de uma qualquer empresa pública chegaria para comprar o equipamento em falta”
Exemplos destes não faltam nos países do 3º mundo…
Contudo, se se divulgar este post, mesmo que alguns não enfiem a carapuça, todos os que o lerem colocarão a carapuça nas cabeças merecedoras…
Um gesto que vale mais que todas as palavras. Quem quiser, dos maiores aos mais pequeninos dos servidores(?) do Estado que enfie a carapuça… Uma atitude digna de todos os louvores.
falta saber se os 60.000 euros são líquidos ou se o teixeira não lhes mete a gadanha pra compor o dízimo.