
Quando se sabe hoje que afinal o Porto tem metade dos contaminados que nos atribuíam ontem, a ideia peregrina de fazer um “cerco sanitário” raia ainda mais o absurdo. Ainda por cima na cidade que mais depressa tomou medidas preventivas, como o fecho da maior parte dos serviços, ainda antes da pandemia ser declarada. Devem pensar que é algum tipo de tradição. Já estamos habituados ao método. De século a século, o Porto apanha sempre com um cerco (os dois últimos foram o célebre Cerco em 1833, na guerra civil entre liberais e absolutistas – e à falta de um Fernão Lopes tivemos Garrett e Herculano a testemunhá-lo – e o também cordão sanitário à peste bubónica em 1899). Mas lá porque já temos experiência não quer dizer que tenhamos de levar mais vezes com esta brincadeira, senhora DGS.

JPT :
Quando abrir a escola,tens que lá voltar e fazer o que te falta! Tu não entendes o que se diz!
A DGS disse que se iria APRECIAR a possibilidade de uma cerca sanitária ao Porto!
Percebes agora?
Podia acatar o seu próprio conselho de voltar à escola. Talvez assim conseguisse ler que o post não é do JPT. Claro que “apreciar” em público e em directo uma cerca sanitária À segunda cidade do país, com números errados e sem consulta prévia é coisa de todos os dias.
Parece-me que houve uma falha de comunicação algures…
Ouvi a DGS dizer que, face aos dados surgidos “a ARS Norte pode já estar a equacionar a necessidade de cerco sanitário, e comunicará as suas avaliações às autoridades de segurança”, ou algo muito similar.
Ouvi um dia depois o Sec. Estado da Admin. Interna (ou de um cargo similar) repetir que “nunca foi dada instrução para o cerco”, que “o cerco nunca esteve previsto”.
Neste interim, houve quem se atirasse ao ar, se recusasse a aceitar e dissesse que não reconhecia mais autoridade a DGS, além de outras ilações muito pouco catitas.
Pergunto: quem, e porquê, transformou uma eventual hipótese (sim, a redundância é intencional) numa certeza absoluta, e quem, e porquê, transformou uma informação de não recepção de ordens numa contradição e desautorização da DGS?
Não é por nada, João Pedro, mas a Língua Portuguesa tem sofrido destratos vários que visam a DGS. E eu gostaria de saber porquê.
Cump, e mantenha-se seguro. O possível.
Talvez não tenha ajudado o facto da eventualidade ter sido lançada em conferência pública, e não no segredo dos bastidores, com base em dados errados, e sem prévia discussão com as entidades locais. Não é propriamente muito agradável saber-se que se vai ficar cercado, ainda para mais de chofre, ainda por cima numa cidade que tem os dois principais hospitais da região norte.
Se tivesse sido nos bastidores, logo se levantariam as vozes da luta contra o secretismo… repare como Marcelo deu ênfase à “necessidade de dizer toda a verdade”, o que criou um clima de maior suspeição quanto ao que nos é comunicado.
Compreendo perfeitamente que os eventuais futuros sitiados – sim, porque seria um estado-de-sítio – se tenham sentido apreensivos e tenham tentado contrariar tal estado-de-coisas… mas, na verdade, Rui Moreira tratou o assunto como se de facto decidido e a caminho de consumação se tratasse. Um pouco mais de ponderação não lhe ficaria nada, mas mesmo nada mal.
Os dados duplicados foram uma falha grosseira do departamento de estatística da DGS ou de quem por lá trata os dados, sendo por isso uma falha da responsabilidade de Graça Freitas. Mas que, aquando da conferência, não havia sido detectada, o que legitimaria tal hipótese porque contemplada nos planos de contingência.
Se me permite, e já que se falou nos dados, a devida recolha destes sempre foi um desafio para todos os envolvidos – os médicos vêem como missão tratar os doentes, não inserir dados, não há quem esteja na retaguarda a recolher tal informação, a centralização directa dos mesmos impede a validação, a desactualização é tanto maior quantas mais as iterações na recolha, e mais uns quantos factores de erro. Em Portugal e em todos os países. Por isso ter surgido, 3 anos depois da pandemia de 2009, um estudo assinado por epidemiologistas de vários países revelando que os óbitos por Gripe A teriam sido 11 vezes superiores aos números oficiais.
Como disse, percebo o que terão sentido os habitantes – mas continuo a tentar perceber quem anda, e porquê, a atirar a Graça Freitas.
Cump., e cuide de nós cuidando de si
Por motivo inexplicável, os comentários saíram sem assinatura.
São ambos meus.
Mantenha-se seguro.
Na actual situação, admito perfeitamente que muitos dados não estejam devidamente actualizados. Por isso mesmo, mais uma razão para não se largarem notícias bombásticas em directo. Se Rui Moreira – que tem aliás estado impecável a fazer frente à situação – mostrou falta de ponderação, que dizer de Graça Freitas? Quanto ao secretismo, teria de ser o mais curto possível e sempre em comunicação com as autoridades locais, como escrevi.
Vejo a atitude como pedagógica face à pergunta: perguntaram se iria haver, respondeu que poderia estar a ser equacionado.
Desculpe, João Pedro, mas voltou a acontecer com as máscaras:
Graça Freitas diz “não há uma única medida completamente eficaz” e alguém transformou isto em “usar máscaras não é eficaz”.
Talvez um dia se perceba o porquê, mas por enquanto os ataques continuam – e sem razão objectiva.
Enfim, anda tudo nervoso.
E, já agora, a eventualidade de cerco está, como a espada de Dâmocles, suspensa sobre todos nós desde que entrámos em transmissão comunitária.
O edil de Ovar reconhece a autoridade da DGS?
PorquÊ? Impuseram a cerca sanitária a Ovar contra a opinião dele?