Trinta e sete mortos confirmados até ao momento nos fogos que devastaram o País este domingo. O mesmo número das vítimas do atentado terrorista em Ancara, em Março de 2016. O mesmo número dos falecidos no violento sismo em Amatrice, em Itália, em Agosto de 2016. O mesmo número dos assassinados no morticínio num hotel de Manila, em Junho de 2017.
Trinta e sete, somados aos 65 mortos de Pedrógão. E ao piloto que morreu a combater o fogo em Castro Daire.
Cento e três vidas ceifadas de forma inaceitável num país europeu do século XXI. O país da Web Summit, o país que exporta “modernidade”. O país político que se entretém a legislar sobre a abertura de restaurantes a animais de companhia mas é incapaz de zelar pela segurança e pela integridade física dos seus habitantes, tratados sempre como contribuintes pelo mesmo Estado que os ignora enquanto cidadãos.
ADENDA, às 17.25: O número de vítimas mortais de domingo, agora actualizado, eleva-se a 41. Superando portanto o dos mortos no atentado em Ancara, do sismo em Itália ou da chacina em Manila. Os incêndios em Portugal já provocaram este ano pelo menos 107 mortos.

Fora as vítimas paralelas:
-Fauna;
-Flora;
-Património Material;
-Economia;
-Feridos;
-Sequelas físicas e mentais – que poderão encurtar a vida, ou provocar até mesmo a morte e não serão contabilizadas.
Sim. Património imaterial também: muitas destas vítimas, que viram arder as casas e todo o seu recheio, perderam grande parte da memória afectiva a elas ligadas. Uma espécie de morte dentro da vida.
Pedro ponha aí os falhanços repetidos da Justiça na protecção das mulheres , vitimas de violência doméstica.
Os falhanços da CPCJ que entrega crianças a casais que reiteradamente as violentam.
Adicione o índices de pobreza/ privação existentes nosso país.
A emigração entre os jovens formados pelo nosso Estado e que vão para fora obter o reconhecimento que não têm cá. Adicione aí os 10% responsáveis por 70% das receitas geradas pelo IRS. …..Adicione. …
Mas a culpa é nossa. Disso não tenho dúvida
Mas já temos restaurantes que permitem a entrada de animais de estimação. E exportamos “modernidade”, seja lá o que isso for.
E que não lhe doam as mãos, caro Pedro Correia!!
Infelizmente, caro Justiniano, bem gostaria de escrever sobre qualquer outro tema menos este.
Na localidade onde tenho uma pequena quinta, que ardeu, casa, carvalhos e pinheiros, morreram 3 pessoas!! O meu prejuízo é, uma vez que não vivo da quinta, de ordem afectuosa e moral. Mas ao redor há mortos e vidas cortadas pela tragédia! Gente que vivia ou compunha o seu rendimento com a terra, a floresta principalmente, mais pobre ficará! As marcas do fogo são a cicatriz que agora ostenta, e sem memória de igual! Não tenho dúvida que se regenerará, a minha parte farei!
Daquela coisa a que se chama governo, espera-se que, quando não ajude, pelo menos, não estorve!
Com raízes e vínculos afectivos profundamente ligados ao país rural, nem imagina como sinto estas tragédias humanas, meu caro.
Um abraço muito forte.
O país político […] é incapaz de zelar pela segurança e pela integridade física dos seus habitantes
Quando entre esses habitantes se contam o Rui Rocha e o José António Abreu, que num dia de incêndios decidem andar a atravessar o país de carro, apesar da óbvia perigosidade disso, é de facto difícil zelar pela segurança de todos.
Zelar pela segurança compete antes de mais a cada um de nós, evitando atuações estouvadas e perigosas. Não compete somente, nem sequer principalmente, aos políticos.
Meu caro, se levar com um vaso na cabeça suponho que podemos culpá-lo pela estultícia de ter ousado passar por baixo de uma varanda.
Não tem nada a ver com a ousadia daqueles dois … como direi … malucos.
Amarrem este lavoura a um pinheiro e deixo-no …. arder!
Aqui está uma resposta ao nível de certa gentinha.
vidas ceifadas de forma inaceitável num país europeu do século XXI
Deve ser por o país ser europeu que é inaceitável. Já se fosse na Califórnia, onde ainda agora morreram para cima de 30 pessoas em incêndios, é perfeitamente aceitável.
Uma das características notáveis dos EUA é a ineficiência dos seus serviços públicos. Uma questão ideológica. Confira-se Katrina, ou mais recentemente os últimos tornados
Não se trata de ineficiência dos serviços públicos. Trata-se de que, na Califórnia como no resto dos EUA (e na Suécia, e no Japão), as casas em que as pessoas habitam são na maior parte construídas de madeira. Se há um incêndio, as próprias cidades podem pegar fogo, ao contrário do que acontece por cá.
O país político que se entretém a legislar sobre a abertura de restaurantes a animais de companhia
Até me admira como não houve nenhum deputado que se tenha abstido na votação e saído do Parlamento como forma de protesto. Em todos os partidos, os deputados votaram sobre essa inanidade, em vez de terem corrido a pegar numa mangueira e combater os fogos. É vergonhoso.
a serio!!!?? inacreditavel!!! estamos entregues aos bichos…até onde chegou a estupidez…
o fogo só se apoderou do que as elites politicas desprezaram…um regime que destrói o mundo rural e agora anda com lágrimas de crocodilo…
Alguns não fazem a menor ideia do que é a vida rural. E falam do tema como se fossem catedráticos da matéria.
Cento e três mas ainda estomos longe da Somália e mesmo do Iraque etc.
Ah, OK. Então tudo bem.
SEM PERDÃO
Nada pode ficar na mesma.
http://observador.pt/2017/10/17/incendio s-multiplicam-se-eventos-de-protesto-no-f acebook/
Ainda se juntaram talvez 500 pessoas, mas a chuva assustou toda a gente e agora nem uma alminha anda pelo jardim da Praça Afonso se Albuquerque…
Indignados mas não molhados..
Eu, Anónimo acima.
Aproveito para referir que no Sábado vou estar no Camões.
Pedro Correia, aceite por favor o meu desabafo, a minha zanga.
falo do ALHEAMENTO em SOCIEDADE, QUASE BOVINIDADE
Muitos encolhem ou ombros. São todos iguais. Isto está tudo armadilhado.Quem vier atrás que feche a porta.Trata só do teu serviço.Isso é com os outros.Isso não é meu.
Etc, etc, etc.
Tantas frases deste calibre povoam a nossa sociedade.
Quase ninguém em Portugal, estou convencido, recorda a história que se contava na escola na minha meninice. Um raminho de vime, qualquer criança parte.
Um molho bem atado, nem um adulto consegue dobrar.
Pois é.
Em vez de criticarmos factos, muito para lá das eleições devemos, TODOS, olhar para o bem público, participar nas freguesias, nas reuniões de câmara periodicamente abertas aos cidadãos, olhar ás petições, ponderar as prioridades, não nos deixarmos arrastar pela espuma dos dias, e muito menos pelos temas patéticos de agendas folclóricas, mas olhar aos reais problemas das pessoas.
E raciocinarmos sobre os preços, o OE, o sistema de justiça, o sistema de saúde, o que se está a passar na educação, nas Forças Armadas, esta vergonha nacional dos incêndios, a vergonha que é a mansidão da esmagadora maioria dos jornalistas quer perante certos políticos, certos titulares de órgãos de soberania.
Devemos INDIGNARMO-NOS.
Uma cruz de 4 em 4 anos é coisa pouca.
Nessas alturas não devemos ficar em casa, mas só isso é pouco.
Antes de chegarmos ao fim das nossas vidas vamos lá tomar conta de nós. Não deixemos os trafulhas à vontade.
António Cabral
Caro António Cabral: sinto um país sofrido, magoado, enlutado. E revoltado também, sim. Duas tragédias em quatro meses é mau de mais.
O Presidente da República, no seu excelente discurso ao País, nesta noite, deu expressão exacta a esses sentimentos. Mostrando uma vez mais como sabe estar em sintonia com os portugueses.
É imperdoável. Foi um pesadelo.
E os cento e três já são afinal cento e nove, infelizmente.