Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (9)


Pedro Correia,

 

«A arte não é um espelho para reflectir a sociedade mas um martelo para a modelar.»

Bertolt Brecht (1898-1956)

8 comentários em “Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (9)”

    1. Grande dupla. Com canções que continuam a ser interpretadas um pouco por todo o mundo, tal como sucede com outras duplas célebres (Lennon-McCartney, Rodgers-Hammerstein, Prévert-Kosma…)

  1. Quando faleceu Estaline o seu comentário foi : “Os oprimidos de todos os continentes… devem ter sentido o coração deixar de bater quando souberam que Estaline morrera. Era a encarnação de todas as esperanças”

    Em 1955, vivia na R. D. A., e recebeu o Prémio Estaline para a Paz (o seu discurso foi traduzido por B. Pasternak), grande prte dos 160 000 rublos foi para a sua conta na Suiça, que sempre teve, e a saber que corria um escrito sobre o holocausto de Estaline opôs-se à sua publicação.

    Alterou obras como ” Condenação de Lucullus” para agradar o Partido Dirigente da R. D. A..
    Quando começou o racionamento (junho 1953), graças à nacionalidade austríaca e estatuto intelectual gozou do acesso às lojas especiais só abertas aos oficiais do partido.

    Walter Benjamin, amigo pessoal, assinalou-o como covarde e um ser capaz de tudo destruír à sua volta (cfr. W. B. “Understanding Brecht”, trad., London, 1973)

    Sem dúvida, muito trabalhador. Mais nada.

    1. É já o segundo Prémio Estaline que desfila por aqui. O anterior foi Jorge Amado, que nunca renegou o prémio. Garanto que passarão por cá escritores de todas as tendências políticas. Considero algumas delas execráveis, o que não invalida a valia literária dos autores. Houve no século XX – o século da ideologia, por excelência, o século dos sistemas totalitários – excelentes escritores que, à esquerda e à direita, foram coniventes com ditaduras. Serem péssimos em termos de convicções políticas não impede que tivessem grandes méritos literários.

  2. “Stalin alza, limpia, construye, fortifica
    preserva, mira, protege, alimenta,
    pero también castiga.
    Y esto es cuanto quería deciros, camaradas:
    hace falta el castigo”

    Se o Neruda bolsava coisas destas, então porque não o Nobel para Brecht?…
    “Faz falta o castigo”.

      1. Estaline seduziu muitos escritores. Desde logo George Bernard Shaw (prémio Nobel 1925) e H. G. Wells. E poetas, como Aragon e Éluard. E grandes pintores, como Picasso.
        Não houve ditador na História sem poetas que os cantassem e pintores que os imortalizassem. Em nenhuma época isso sucedeu tanto como no século XX. Alguns deles tinham inegável talento, sem sombra de dúvida. Neruda, como bem diz – Prémio Nobel de 1971. Ou Cholokov, Prémio Nobel de 1965. Já sem falar em Sartre (Nobel de 1964, que aliás recusou), outro que também chegou a entoar loas à Rússia estalinista.

        1. Aragon era um controleiro. Ele e Eluard eram stalinistas com gosto. Ambos estão tão esquecidos que não vale a pena preocuparmo-nos muito com eles. O mesmo com Sartre, que também não chegou ao 7º dia ou com Neruda tão justamente apreciado por manicures e rapariguinhas do shopping em geral – e mais alguns de quem se não esperava outra coisa que não o exercício do ofício de serventuários e de idiotas úteis com todas as suas forças.
          Quanto aos restantes, creio que não será preciso remetê-lo para o Koba de Martin Amis. Fica aqui um “link” relacionado, para quem não conheça http://www.guardian.co.uk/books/2002/sep/07/highereducation.news1

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