Grande dupla. Com canções que continuam a ser interpretadas um pouco por todo o mundo, tal como sucede com outras duplas célebres (Lennon-McCartney, Rodgers-Hammerstein, Prévert-Kosma…)
Quando faleceu Estaline o seu comentário foi : “Os oprimidos de todos os continentes… devem ter sentido o coração deixar de bater quando souberam que Estaline morrera. Era a encarnação de todas as esperanças”
Em 1955, vivia na R. D. A., e recebeu o Prémio Estaline para a Paz (o seu discurso foi traduzido por B. Pasternak), grande prte dos 160 000 rublos foi para a sua conta na Suiça, que sempre teve, e a saber que corria um escrito sobre o holocausto de Estaline opôs-se à sua publicação.
Alterou obras como ” Condenação de Lucullus” para agradar o Partido Dirigente da R. D. A.. Quando começou o racionamento (junho 1953), graças à nacionalidade austríaca e estatuto intelectual gozou do acesso às lojas especiais só abertas aos oficiais do partido.
Walter Benjamin, amigo pessoal, assinalou-o como covarde e um ser capaz de tudo destruír à sua volta (cfr. W. B. “Understanding Brecht”, trad., London, 1973)
É já o segundo Prémio Estaline que desfila por aqui. O anterior foi Jorge Amado, que nunca renegou o prémio. Garanto que passarão por cá escritores de todas as tendências políticas. Considero algumas delas execráveis, o que não invalida a valia literária dos autores. Houve no século XX – o século da ideologia, por excelência, o século dos sistemas totalitários – excelentes escritores que, à esquerda e à direita, foram coniventes com ditaduras. Serem péssimos em termos de convicções políticas não impede que tivessem grandes méritos literários.
“Stalin alza, limpia, construye, fortifica preserva, mira, protege, alimenta, pero también castiga. Y esto es cuanto quería deciros, camaradas: hace falta el castigo”
Se o Neruda bolsava coisas destas, então porque não o Nobel para Brecht?… “Faz falta o castigo”.
Estaline seduziu muitos escritores. Desde logo George Bernard Shaw (prémio Nobel 1925) e H. G. Wells. E poetas, como Aragon e Éluard. E grandes pintores, como Picasso. Não houve ditador na História sem poetas que os cantassem e pintores que os imortalizassem. Em nenhuma época isso sucedeu tanto como no século XX. Alguns deles tinham inegável talento, sem sombra de dúvida. Neruda, como bem diz – Prémio Nobel de 1971. Ou Cholokov, Prémio Nobel de 1965. Já sem falar em Sartre (Nobel de 1964, que aliás recusou), outro que também chegou a entoar loas à Rússia estalinista.
Aragon era um controleiro. Ele e Eluard eram stalinistas com gosto. Ambos estão tão esquecidos que não vale a pena preocuparmo-nos muito com eles. O mesmo com Sartre, que também não chegou ao 7º dia ou com Neruda tão justamente apreciado por manicures e rapariguinhas do shopping em geral – e mais alguns de quem se não esperava outra coisa que não o exercício do ofício de serventuários e de idiotas úteis com todas as suas forças. Quanto aos restantes, creio que não será preciso remetê-lo para o Koba de Martin Amis. Fica aqui um “link” relacionado, para quem não conheça http://www.guardian.co.uk/books/2002/sep/07/highereducation.news1
Por acaso só conheço a originalidade da sua obra através de Kurt Weill… outro artista original
Grande dupla. Com canções que continuam a ser interpretadas um pouco por todo o mundo, tal como sucede com outras duplas célebres (Lennon-McCartney, Rodgers-Hammerstein, Prévert-Kosma…)
Quando faleceu Estaline o seu comentário foi : “Os oprimidos de todos os continentes… devem ter sentido o coração deixar de bater quando souberam que Estaline morrera. Era a encarnação de todas as esperanças”
Em 1955, vivia na R. D. A., e recebeu o Prémio Estaline para a Paz (o seu discurso foi traduzido por B. Pasternak), grande prte dos 160 000 rublos foi para a sua conta na Suiça, que sempre teve, e a saber que corria um escrito sobre o holocausto de Estaline opôs-se à sua publicação.
Alterou obras como ” Condenação de Lucullus” para agradar o Partido Dirigente da R. D. A..
Quando começou o racionamento (junho 1953), graças à nacionalidade austríaca e estatuto intelectual gozou do acesso às lojas especiais só abertas aos oficiais do partido.
Walter Benjamin, amigo pessoal, assinalou-o como covarde e um ser capaz de tudo destruír à sua volta (cfr. W. B. “Understanding Brecht”, trad., London, 1973)
Sem dúvida, muito trabalhador. Mais nada.
É já o segundo Prémio Estaline que desfila por aqui. O anterior foi Jorge Amado, que nunca renegou o prémio. Garanto que passarão por cá escritores de todas as tendências políticas. Considero algumas delas execráveis, o que não invalida a valia literária dos autores. Houve no século XX – o século da ideologia, por excelência, o século dos sistemas totalitários – excelentes escritores que, à esquerda e à direita, foram coniventes com ditaduras. Serem péssimos em termos de convicções políticas não impede que tivessem grandes méritos literários.
“Stalin alza, limpia, construye, fortifica
preserva, mira, protege, alimenta,
pero también castiga.
Y esto es cuanto quería deciros, camaradas:
hace falta el castigo”
Se o Neruda bolsava coisas destas, então porque não o Nobel para Brecht?…
“Faz falta o castigo”.
Bolçar, evidentemente, e não bolsar.
Estaline seduziu muitos escritores. Desde logo George Bernard Shaw (prémio Nobel 1925) e H. G. Wells. E poetas, como Aragon e Éluard. E grandes pintores, como Picasso.
Não houve ditador na História sem poetas que os cantassem e pintores que os imortalizassem. Em nenhuma época isso sucedeu tanto como no século XX. Alguns deles tinham inegável talento, sem sombra de dúvida. Neruda, como bem diz – Prémio Nobel de 1971. Ou Cholokov, Prémio Nobel de 1965. Já sem falar em Sartre (Nobel de 1964, que aliás recusou), outro que também chegou a entoar loas à Rússia estalinista.
Aragon era um controleiro. Ele e Eluard eram stalinistas com gosto. Ambos estão tão esquecidos que não vale a pena preocuparmo-nos muito com eles. O mesmo com Sartre, que também não chegou ao 7º dia ou com Neruda tão justamente apreciado por manicures e rapariguinhas do shopping em geral – e mais alguns de quem se não esperava outra coisa que não o exercício do ofício de serventuários e de idiotas úteis com todas as suas forças. 7/highereducation.news1
Quanto aos restantes, creio que não será preciso remetê-lo para o Koba de Martin Amis. Fica aqui um “link” relacionado, para quem não conheça http://www.guardian.co.uk/books/2002/sep/0