Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (52)
Pedro Correia,
«Nunca façam troça de dragões vivos.»
J. R. R. Tolkien (1892-1973)
5 comentários em “Cem escritores que deviam ter ganho o Prémio Nobel (52)”
Este é mais um daqueles tão evidentes (como o de Borges e o de Orwell) que se assemelha ao proverbial elefante na sala. Tolkien não deixou como legado apenas uma obra literária (por acaso riquíssima), mas fundou, com essa obra, um género literário tremendamente popular.
Tolkien não é popular? Descontando a sua enorme influência não só na literatura mas também noutras áreas (cinema, jogos, videojogos, etc), experimente consultar as sondagens sobre os hábitos e as preferências de leitura dos britânicos e veja em que lugares da lista encontra The Lord of the Rings. No caso americano, também é interessante.
E sim, tenho a noção de que nem sempre a popularidade implica qualidade – o que não falta por aí é exemplos disso, e alguns até são derivados da obra de Tolkien. Tolkien, contudo, deixou uma obra não só tremendamente popular, mas também com uma enorme qualidade a vários níveis (formal, linguístico, referencial, etc).
Tolkien seria mais que merecido. Mas tem tudo contra ele: 1. A recuperação da épica. Depois de Nietsche não seria possível mais uma épica pois o herói deixa de ser ético; Tolkien “prova” o contrário. 2. A matriz católica
E o género literário. No dia em que o Nobel for atribuído a um autor de fantasia ou de ficção científica, podemos estar certos de que o Inferno congelou e Portugal saiu da crise.
Este é mais um daqueles tão evidentes (como o de Borges e o de Orwell) que se assemelha ao proverbial elefante na sala. Tolkien não deixou como legado apenas uma obra literária (por acaso riquíssima), mas fundou, com essa obra, um género literário tremendamente popular.
No fundo, é isso que importa.
Popular? Tolkien? As melhores histórias são aparentemente simples… até que você começar a pensar nelas.
Tolkien não é popular? Descontando a sua enorme influência não só na literatura mas também noutras áreas (cinema, jogos, videojogos, etc), experimente consultar as sondagens sobre os hábitos e as preferências de leitura dos britânicos e veja em que lugares da lista encontra The Lord of the Rings. No caso americano, também é interessante.
E sim, tenho a noção de que nem sempre a popularidade implica qualidade – o que não falta por aí é exemplos disso, e alguns até são derivados da obra de Tolkien. Tolkien, contudo, deixou uma obra não só tremendamente popular, mas também com uma enorme qualidade a vários níveis (formal, linguístico, referencial, etc).
Tolkien seria mais que merecido.
Mas tem tudo contra ele:
1. A recuperação da épica. Depois de Nietsche não seria possível mais uma épica pois o herói deixa de ser ético; Tolkien “prova” o contrário.
2. A matriz católica
E o género literário. No dia em que o Nobel for atribuído a um autor de fantasia ou de ficção científica, podemos estar certos de que o Inferno congelou e Portugal saiu da crise.