Digo o mesmo, Patrícia. Conheço a obra toda dele. É um dos meus autores de cabeceira. O facto de nunca ter sido premiado com o Nobel é uma das maiores nódoas de sempre dos académicos de Estocolmo.
“O Fim da Aventura” e “O Americano Tranquilo” são dois dos romances da minha vida. Mas dele também recebi “O Poder e a Glória”, sobre o qual creio que já escreveste aqui, “O Terceiro Homem”, entre outras obras que guardo na estante. Digo “recebi” porque quando a literatura me toca sinto-a como uma dádiva.
Acontece-me o mesmo, Teresa. ‘O Fim da Aventura’, ‘O Poder e a Glória’, ‘A Inocência e o Pecado’, ‘O Nó do Problema’ e ‘O Americano Tranquilo’ são alguns dos livros da minha vida.
Greene foi talvez, a par de Borges, o caso de mais escandalosa omissão da academia sueca, Helena. Já na década de 50 este grande romancista britânico merecia ter sido distinguido com o Prémio Nobel. Curiosamente, ele detestava a expressão “escritor católico”. Preferia a designação inversa: um católico escritor.
Assim de repente não sei. Mas tenho estas para a troca:
-«Prefiro ter sangue nas mãos do que ter água como Pilatos.» – «Um crente lutará com outro crente por uma diferença mínima. O homem com dúvidas só luta consigo próprio.» – «É tão estranho descobrirmos e acreditarmos que somos amados quando sabemos que não há ninguém digno de amor, a não ser um pai ou um Deus.»
Eh, tinha que ser difícil, caramba. É do conto que dá título a uma colectânea de 1967: “May We Borrow Your Husband?”, no qual um escritor assiste aos esforços de um par de homossexuais para fazer com que um homem em lua de mel mas mostrando muito pouco entusiasmo pela mulher assuma as suas tendências reprimidas. E eu estou longe de ter lido tudo o que Greene escreveu. Mas há uns meses comprei “The Third Man” na Amazon e o volume (na edição Collector’s Library, uns livrinhos belíssimos mas com tipo de letra pequenino; vê abaixo) traz a colectânea como complemento. Entretanto, ainda nem sequer li “The Third Man”. 🙂
Esse conto conheço eu bem, JAA. De tal maneira que já o incluí na minha série Grandes Contos, aqui no DELITO: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4003889.html
Mas confesso que não retive essa frase. ‘The Third Man’ é essencialmente um guião cinematográfico. Melhor o filme (de Carol Reed, mas com grandes contributos do Orson Welles), do que o livro, ao qual o próprio Graham Greene punha o rótulo de ‘divertimento’, para contrastar com os romances ‘sérios’. Mas é uma boa novela, ambientada na Viena ocupada pelas quatro potências, nos anos imediatamente subsequentes à II Guerra Mundial.
Não faço ideia, Pedro. Quer dizer, as hipóteses da Teresa fazem sentido – mas parece-me que seria demasiado fácil. 🙂
(Outra hipótese para a primeira frase seria o “Brighton Rock” – o primeiro Greene que li -, o qual, na antiga edição Livros do Brasil, creio ter recebido o título de “A Inocência e o Pecado”.)
Acertaste na terceira, Teresa. A primeira citação é do romance ‘Os Comediantes’, passado no Haiti, durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc. A segunda é da novela ‘Monsenhor Quixote’, passada em Espanha, na década de 70. Um dos melhores livros de Graham Greene, embora um dos menos conhecidos.
Desconheço quem foi que o superou na memória dos Nobel mas em mim, Graham Greene é certamente o primeiro dos ausentes, pel”O Fim da Aventura”. E que primeira obra para ler de Greene! 🙂
Greene poderia perfeitamente ser o primeiro dos ausentes. A par de Borges. E de alguns outros que desfilarão por cá. Mas preferi começar por uma Senhora. Hannah Arendt. Uma das grandes pensadoras do século XX.
Um dos meus autores de sempre:)
Digo o mesmo, Patrícia. Conheço a obra toda dele. É um dos meus autores de cabeceira. O facto de nunca ter sido premiado com o Nobel é uma das maiores nódoas de sempre dos académicos de Estocolmo.
“O Fim da Aventura” e “O Americano Tranquilo” são dois dos romances da minha vida. Mas dele também recebi “O Poder e a Glória”, sobre o qual creio que já escreveste aqui, “O Terceiro Homem”, entre outras obras que guardo na estante. Digo “recebi” porque quando a literatura me toca sinto-a como uma dádiva.
Acontece-me o mesmo, Teresa. ‘O Fim da Aventura’, ‘O Poder e a Glória’, ‘A Inocência e o Pecado’, ‘O Nó do Problema’ e ‘O Americano Tranquilo’ são alguns dos livros da minha vida.
“O Fim da Aventura”? Nunca ouvi falar deste.
Talvez o melhor romance de Greene. “The End of the Affair” (1951). Com excelente tradução portuguesa assinada por Jorge de Sena.
“O Fim da Aventura” é sublime, Vasco. Deu origem ainda há não muitos anos a um (para variar) excelente filme com Julianne Moore e Ralph Fiennes.
Ah, grato pela dica aos dois. Vou procurar.
Verá que vale a pena, Vasco. E o JAA tem toda a razão: o filme homónimo com o Ralph Fiennes e a Julianne Moore é excelente.
Curiosamente foi Greene que me ajudou a ser católica, ele que tanto sofreu por o ser…
Excelente escolha!
Greene foi talvez, a par de Borges, o caso de mais escandalosa omissão da academia sueca, Helena. Já na década de 50 este grande romancista britânico merecia ter sido distinguido com o Prémio Nobel. Curiosamente, ele detestava a expressão “escritor católico”. Preferia a designação inversa: um católico escritor.
Tinha toda a razão. Antes de ser escritor ele era um católico.
É verdade, Helena. Um católico convicto, já que se fez baptizar na idade adulta.
A obra toda? Ok, vamos lá testar: a que obra pertence a frase “she belonged to the age of trust just as I belonged to the age of cynicism”?
Pista: é logo das primeiras frases.
Assim de repente não sei.
Mas tenho estas para a troca:
-«Prefiro ter sangue nas mãos do que ter água como Pilatos.»
– «Um crente lutará com outro crente por uma diferença mínima. O homem com dúvidas só luta consigo próprio.»
– «É tão estranho descobrirmos e acreditarmos que somos amados quando sabemos que não há ninguém digno de amor, a não ser um pai ou um Deus.»
Mas arrisco, de qualquer modo: ‘Travels with my Aunt’?
Eh, tinha que ser difícil, caramba. É do conto que dá título a uma colectânea de 1967: “May We Borrow Your Husband?”, no qual um escritor assiste aos esforços de um par de homossexuais para fazer com que um homem em lua de mel mas mostrando muito pouco entusiasmo pela mulher assuma as suas tendências reprimidas.
E eu estou longe de ter lido tudo o que Greene escreveu. Mas há uns meses comprei “The Third Man” na Amazon e o volume (na edição Collector’s Library, uns livrinhos belíssimos mas com tipo de letra pequenino; vê abaixo) traz a colectânea como complemento. Entretanto, ainda nem sequer li “The Third Man”. 🙂
http://www.amazon.co.uk/Third-Other-Sto ries-Collectors-Library/dp/190736031X/re f=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1344416383&sr=8-1
Esse conto conheço eu bem, JAA. De tal maneira que já o incluí na minha série Grandes Contos, aqui no DELITO: ml
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4003889.ht
Mas confesso que não retive essa frase.
‘The Third Man’ é essencialmente um guião cinematográfico. Melhor o filme (de Carol Reed, mas com grandes contributos do Orson Welles), do que o livro, ao qual o próprio Graham Greene punha o rótulo de ‘divertimento’, para contrastar com os romances ‘sérios’. Mas é uma boa novela, ambientada na Viena ocupada pelas quatro potências, nos anos imediatamente subsequentes à II Guerra Mundial.
Vou tentar adivinhar as tuas, Pedro:
1a – O Poder e a Glória
2a – O Poder e a Glória
3a – O Fim da Aventura
Não faço ideia, Pedro. Quer dizer, as hipóteses da Teresa fazem sentido – mas parece-me que seria demasiado fácil. 🙂
(Outra hipótese para a primeira frase seria o “Brighton Rock” – o primeiro Greene que li -, o qual, na antiga edição Livros do Brasil, creio ter recebido o título de “A Inocência e o Pecado”.)
Acertaste na terceira, Teresa.
A primeira citação é do romance ‘Os Comediantes’, passado no Haiti, durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc.
A segunda é da novela ‘Monsenhor Quixote’, passada em Espanha, na década de 70. Um dos melhores livros de Graham Greene, embora um dos menos conhecidos.
Eu arrisco – juro que não consultei a obra – essa frase é de Um Americano Tranquilo.
Teresa: eu não li “O Americano Tranquilo”.
– vi o filme.
Só –
‘O Americano Tranquilo’ é um excelente romance, JAA.
Desconheço quem foi que o superou na memória dos Nobel mas em mim, Graham Greene é certamente o primeiro dos ausentes, pel”O Fim da Aventura”. E que primeira obra para ler de Greene! 🙂
Greene poderia perfeitamente ser o primeiro dos ausentes. A par de Borges. E de alguns outros que desfilarão por cá.
Mas preferi começar por uma Senhora. Hannah Arendt. Uma das grandes pensadoras do século XX.