Cecília Meireles: «Tenho claustrofobia»


Pedro Correia,

798625.png

«A preguiça é o pecado capital que pratico com mais frequência»

 

De resposta na ponta de língua. Assim me lembro de Cecília Meireles, quando a entrevistei ao telefone. Era deputada do CDS (viria a distinguir-se nessa bancada parlamentar ao longo da década seguinte) e integrava a Comissão Política Nacional do partido. Adora a cor azul, detesta a mentira e gostaria de jantar com Natalie Portman. Portista nos dois sentidos (de FC Porto e Paulo Portas). O maior sonho? «Passar um ano a viajar.»

 

Tem medo de quê?

Não tenho medo de nada. A não ser de ratos, por vezes.

Gostaria de viver num hotel?

Isso não. Detestaria viver num hotel. 

Por algum motivo particular?

Acho que um hotel é sempre um espaço muito impessoal. É muito mais prático a pessoa viver na sua própria casa.

A sua bebida preferida?

Vinho do Porto.

Tem alguma pedra no sapato?

Não. Sou uma pessoa sem pedras no sapato.

A propósito: que número calça?

37.

Que livro anda a ler?

Por acaso agora não ando a ler nenhum. Ando numa fase em que só consigo ter tempo para ler relatórios [parlamentares].

Não é por alguma aversão à escrita?

Não, de forma alguma. Ando há já algum tempo para começar a ler Os discursos mais importantes do século XX. Talvez consiga enfim neste fim-de-semana.

Costuma ter muitos livros à cabeceira?

Costumo. Infelizmente acabo por ler muito menos do que gostaria.

A sua personagem de ficção favorita?

O Poirot.

Rir é o melhor remédio?

Acho que sim. Com algum sentido de humor a vida leva-se melhor. Julgo que devemos levar as coisas sempre a sério mas nunca nos devemos levar demasiado a sério.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Não. Não sou uma pessoa de lágrima fácil.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzida?

Gosto mais de conduzir.

É bom transgredir os limites?

Depende dos limites. Tem dias…

Mas em princípio sim ou em princípio não?

Lá está: depende sempre muito dos limites.

O seu prato favorito?

Rojões à moda do Minho.

Qual é o pecado capital que pratica com mais frequência?

A preguiça.

A sua cor preferida?

Azul.

Azul e branco?

Sou portista, mas no caso é só azul.

Costuma cantar no duche?

Não. Canto muito mal. Era capaz de me assustar a mim própria.

Diz-se que canta seus males espanta…

Pois. Mas eu tenho mesmo muito má voz.

E a música da sua vida?

Não tenho. Confesso que não sou grande apreciadora de música.

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Não. Nestes casos sou conservadora. O hino tem de ser interpretado dentro de um contexto histórico.

Tal como o preâmbulo da Constituição?

É diferente. O hino tem apenas um valor simbólico, mas o preâmbulo da Constituição vai para além disso.

Parece-lhe bem a actual bandeira nacional?

Volto a dizer que nestas coisas sou conservadora. Entendo que no hino e na bandeira não se deve mexer.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Com a Natalie Portman.

As aparências iludem?

Completamente.

O que é que um verdadeiro cavalheiro nunca faz?

Um verdadeiro cavalheiro nunca deve passar à frente de uma senhora nas portas.

O que é que uma verdadeira senhora nunca faz?

Mentir.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Sapatos.

Qual é o seu maior sonho?

Passar um ano a viajar.

Com algum destino específico?

Iria a vários destinos. Mas há um onde nunca fui e gostaria muito de conhecer: o Peru.

E o maior pesadelo?

Estar presa num local qualquer. Tenho claustrofobia.

O que a irrita profundamente?

Não sou muito dada a irritações. Mas talvez o excesso de barulho. 

Qual a melhor forma de relaxar?

Uma boa lareira.

O que faria se fosse milionária?

Fazia mais ou menos o que faço. Nunca me imaginei milionária nem gosto muito de planos irrealizáveis.

Casamentos gay: de acordo?

Não. Na altura votei contra.

Um homem bonito?

Colin Firth.

Acredita no paraíso?

Prefiro a vida real com os seus pequenos prazeres.

Tem um lema?

Não.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (5 de Fevereiro de 2011)

2 comentários em “Cecília Meireles: «Tenho claustrofobia»”

  1. Foi preciso o PS ter a maioria absoluta para a Meireles poder realizar o seu maior sonho, viajar durante um ano inteiro, e tem quatro anos para escolher.
    Até parece bruxedo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *