Cecil


fiodeprumo,

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Quando a morte de um leão numa caçada se torna objecto de importância maior do que que o drama vivido pelas pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre, é porque algo, neste mundo, está muito pior do que se consiga imaginar.

Não duvido que a morte de Cecil, o símbolo felino do Zimbabwe, se revista de aspectos muitíssimo lamentáveis. Mas, confesso – e que me perdoem os defensores dos direitos dos animais -, a sorte dos que fogem do inferno africano ainda continua a preocupar-me muito mais.

0 comentários em “Cecil”

  1. Pois é. Ninguém dos que protestaram se preocupa com os Zimbabuanos comidos por leões.

    “pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre”

    A maior parte dessas pessoas querem é dinheiro e paz.
    Liberdade é um conceito Ocidental, do homem branco pouco relevante no mundo. Aliás atacado pela maioria dos brancos.

  2. (…)
    “Are you saying that all this noise is about a dead lion? Lions are killed all the time in this country,” said Tryphina Kaseke, a used-clothes hawker on the streets of Harare. “What is so special about this one?”

    As with many countries in Africa, in Zimbabwe big wild animals such as lions, elephants or hippos are seen either as a potential meal, or a threat to people and property that needs to be controlled or killed.
    (…)

    According to CrocBITE, a database, from January 2008 to October 2013, there were more than 460 recorded attacks by Nile crocodiles, most of them fatal. That tally is almost certainly a massive underrepresentation.

    “Why are the Americans more concerned than us?” said Joseph Mabuwa, a 33-year-old father-of-two cleaning his car in the center of the capital. “We never hear them speak out when villagers are killed by lions and elephants in Hwange.”

    http://news.yahoo.com/lion-zimbabweans-ask-amid-global-cecil-circus-140822692.html

  3. O rei da selva no Zimbabué continua lá bem velhinho : Mugabe mais de 90 anos.

    O povo que foge de África para a Europa está pedindo satisfações e explicaçºoes porque é que lhe foram impostos aqueles reis da selva e aqueles paus com bandeiras que não lhe dizem nada.

    Zimbabué, antiga Rodésia de Ian Shmith, não é nem mais nem menos que todos os outros países abandonados pela Europa, como o cascabulho de uma fruta a que se deu uma ou duas dentadas e se deitou fora.

    Todas as capitais de África estão superlotadas d jovens vagabundeando sem qualquer prespectiva de vida.

    A Europa vai pagar as asneiras das independências.

    Aqueles povos não estão em condições de se auto-governarem à «branco», vão recorrer aos árabes e aos chineses para os ajudarem.

  4. A sorte absolutamente aflitiva de milhares e milhares de pessoas que temos vindo a testemunhar no Mediterrâneo (e não só) merece todo o nosso respeito, se mais nada nos for possível individualmente fazer. Mas não nos deve levar a ignorar, ou menosprezar, os males que a humanidade não cessa de praticar sobre tudo o que a rodeia. Sob pena de um dia destes, muito preocupados com a sorte dos nossos, ficarmos com o espaço em que vivemos incapaz de nos acolher.

    As desgraças que o Homem lança sobre o Homem não devem servir de muito conveniente barreira, secundarizando tudo o que de o inaceitável o Homem vai paulatinamente praticando sobre a Natureza. Não se deixou, creio, por estes dias de falar repetidamente sobre a desgraça do Mediterrâneo, de Calais ou da fronteira húngara, entre outras zonas (e seria bom, talvez, que se falasse mais da acção humana que, bem a montante, desencadeia tudo isso; e já agora, preferencialmente, sem os inevitáveis e muito convenientes complexos de culpa ocidental), apenas porque morreu um leão no Zimbabwe.

    Essa notícia juntou-se às outras, sem lhes roubar primazia, e se algo fez foi dar-nos conta de um mal a somar (e longe de anular ou secundarizar) aos outros. E só foi notícia porque esse particular animal tinha um especial significado, já que a caça ilegal, ou genericamente a barbárie largamente exercida pelo Homem sobre as restantes espécies, há muito que não é notícia, excepto em obscuros programas exibidos em canais pouco relevantes.

    O facto de alguém se preocupar com a sorte dos animais não significa que esse mesmo alguém seja insensível aos horrores a que são sujeitos mulheres e homens. Nunca foi. E é pena se essa (e temo bem que seja, num mundo tão antropocêntrico como o nosso) é a ideia dominante.

    E nunca esses horrores humanos alteraram, nem por um minuto, a pontualidade, extensão e profusão das toneladas de papel impresso e dos inúmeros programas de rádio e televisão, dedicados à liturgia e ao proselitismo da religião futeboleira. Essa e esses é que “levam tudo à frente”, absolutamente impunes. Das palavras de um governante, banais e demagógicas ou verdadeiramente importantes, à sorte arrepiante de milhões, tudo e todos se devem curvar e esperar a sua humilde vez, na comunicação social e na mente de milhões e milhões de respeitáveis cidadãos, perante essa divina majestade. Bem se deveria pensar um pouco sobre isso, ouso crer.

    Mas deverei estar errado.

    Costa

    1. Errado não estará. Mas creio que não terá entendido o que eu quis dizer. Ou, se entendeu, quis dar a sua interpretação sobre algo que eu não disse. Neste caso, quem deve estar errada sou eu…

      1. Não, não está errada. Não quanto à substância do que aqui nos quis trazer e do que sobre isso pensa. É coisa em que todos teremos razão, creio. Variará com cada um de nós o grau da importância relativa que se dê a este ou aquele aspecto. E é, dentro do bom senso, absolutamente legítimo que assim seja.

        Foi isso o que eu procurei fazer: não creio que tenha interpretado o que seja que não tenha sido por si escrito; fundamentei – enfim, procurei fazê-lo – o que penso sobre o assunto. Foi tudo.

        Costa

      2. A Helena fez um post em que diz: “Quando a morte de um leão numa caçada, se torna objecto de importância maior do que que o drama vivido pelas pessoas que tentam atravessar as águas para buscar terra livre, é porque algo, neste mundo, está muito pior do que se consiga imaginar.”

        Esta maior importância, só foi vista pela Helena e por outros que concordem consigo.

        O que Costa fez, foi argumentar o contrário e isso pode ser comprovado consultando os noticiários dos respetivos dias.
        Costa deu uma resposta muito mais assertiva e esclarecedora do que a Helena.
        O morte deste leão não se tornou mais importante do que o drama das migrações.
        Dizer que a morte do leão se tornou mais importante é negar (ou desconhecer) uma realidade jornalística que está à vista de toda a gente.
        Mais uma vez, Costa, pôs os pontos nos is em relação a esta visão truncada dos acontecimentos que a Helena refere.

  5. O leão e os imigrantes são duas faces da mesma moeda.
    São símbolos do mundo actual, onde o que importa é o poder e o dinheiro.
    Para os poderosos, aqueles que são diferentes (humanos ou animais) podem ser descartados sem problemas de consciência.
    Mas a culpa é nossa pois deixámos os donos disto tudo e os seus capangas em roda livre.

  6. Felicito-a pela lucidez (tão arredia nos dias que correm) e pela coragem de o dizer.
    O seu texto é uma autêntica pedrada no charco.
    Posso estar a dar muita solenidade a uma simples questão de bom senso; mas o certo é que é a primeira vez que, sobre este tema, leio o que já era tempo de ser dito.

  7. Cecil foi colocado pelos jornalistas no topo para esconder o escândalo da venda orgãos de bébés mortos pela Esquerda: Planned Parenthood.

  8. Eu só vejo muçulmanos a querer invadir a Europa, empurrados pelos líderes locais, ou acham que aquilo é espontâneo?

  9. Não compreendo este post .

    Africa tem a décadas os seus recursos naturais e biodiversidade a ser delapidados . Por causa disso , cada vez mais pessoas tem que abandonar os seus territórios delapidados e procurar a terra prometida ( leia – se Europa ) .
    E quando surge um exemplo , como este , de como muitos ocidentais tratam Africa e os africanos , delapidando a sua biodiversidade e destruindo os seus símbolos , vem logo criticar o destaque dado .

    Muita gente ainda não compreendeu que o destino dos animais e das pessoas ( em Africa e não só ) e indissociável .

      1. Nunca vivi em Africa ,mas preocupa – me o destruicao da vida selvagem em Africa mas também , igualmente , da vida humana em guerras e massacres sem fim .

  10. Oi!… Já acabaram de ler a Laudato si'” do Papa Francisco?
    Bom. É um pouco grande…
    Mas era só para lembrar que está lá tudo… Tudo…

  11. A causa do inferno africano e de outros infernos na Terra é o bem-estar da civilização ocidental… Se se quer asfalto para rolar as viaturas e frigoríficos para pôr as guloseimas, então, de pouco serve escrever sobre as coitadinhas das pessoas que pagam a fatura da nossa fartura, eternos escravos, cá ou lá, da deusa do metal!…

    1. “A causa do inferno africano e de outros infernos na Terra é o bem-estar da civilização ocidental…”

      Um texto de ódio marxista.
      Ao bem estar Ocidental está-se a adicionar o bem estar Asiático “at large” – já há muito que Japão, Singapura e Hing Kong são ricos.

      Quer explicar a sua lógica ou é só cassete das tácticas marxistas ?

  12. Fiquei sem perceber qual a limitação que não te permite abordar os dois temas. Porque se deu essa selecção e se estabeleceu essa prioridade de um tema em detrimento de outro. Porque é que não se abraça de interesse e de preocupação todos os temas. Somos como uma esponja desde que nascemos até que morremos absorvemos analisamos decidimos e quando podemos actuamos, não somos um disco rígido que assim que atinge a capacidade máxima não dá para mais. Este post necessita de um upgrade..

  13. Isto das opiniões, é duma complexidade, que nem sempre percebo. Geralmente achava os seus posts que não me diziam quase nada; vi e gostei de a ver numa entrevista na TV que me impressionou e dou comigo a gostar deste post.

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