Cavaco Silva e o segundo resgate.


Luís Menezes Leitão,

 

Se há coisa em que Cavaco Silva não tem mérito absolutamente nenhum é na questão da saída limpa de Portugal do programa de resgate financeiro. Verdade seja dita que o Governo também não tem grande mérito. Com uma taxa de inflação quase a zero, os juros que estamos a pagar no mercado são absolutamente insustentáveis e a almofada financeira que o Governo amealhou nos últimos tempos  — e que nos permite viver um ano sem acesso aos mercados — vai-nos custar muito caro. Por isso, como o próprio Cavaco reconhecia, a solução correcta era o programa cautelar, só tendo sido adoptada a solução da saída limpa porque os nossos queridos parceiros europeus não estão dispostos a nos emprestar mais um cêntimo que seja, e muito menos nas vésperas de eleições europeias, que vão fazer crescer os partidos nacionalistas na Europa. É por isso que, como aqui escrevi, o anúncio do passado domingo foi apenas uma encenação.

 

Precisamente por esse motivo, Cavaco Silva deveria ter algum pudor em aparecer triunfante no Facebook, a verberar “as afirmações perentórias (sic) de agentes políticos, comentadores e analistas, nacionais e estrangeiros ainda há menos de seis meses, de que Portugal não conseguiria evitar um segundo resgate“. Estaria, por acaso, a falar de afirmações como esta? 

12 comentários em “Cavaco Silva e o segundo resgate.”

  1. “Fiquei naturalmente satisfeito porque é melhor viver sem do que com programa cautelar. Para quem, como eu, sempre defendeu que Portugal nunca deveria ter pedido ajuda externa, fico naturalmente satisfeito por ver o país sem troika”, disse José Sócrates.

    No Domingo à tarde, há escola.

  2. A memória é danada…

    Nos tempos que correm, pode dizer-se o verso e o reverso, que o conta não é a letra, é só a música para embalar o pessoal.
    Os cantores e actores que temos na política falharam outra carreira, conforme explicou La Féria:
    http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3607869&seccao=Convidados

  3. Não há dúvida de que o Presidente da Républica se pôs a jeito. Mas também não há dúvida de que os portugueses têm uma queda especial para perder tempo a falar de coisas que não valem um caracol. Andam não sei quantas almas em tudo o que é jornal e tv a discutir de quem é o mérito ou a falta dele, pela “saída limpa” do PAEF.
    Eu acho que seria muito mais útil discutir o que tem este país de fazer para evitar uma nova visita da tróika, desta ou de outra qualquer, que seria a quarta em poucas décadas. Mas já andam todos a assobiar para o ar, a pensar como é que vamos voltar ao bródio dos últimos quinze anos; além disso, falar de coisas sérias é uma chatice.
    Mas o que mais me espanta é ver tanta gente zangada porque os juros estão baixos e há excesso de liquidez no mercado, o que aparentemente deveria ser motivo de satisfação geral. Mas não, e o discurso da espiral recessiva era muito mais giro.

    1. Crédito, com 40% a mais de dívida externa… bravo!
      A ideia era pagar a dívida, ou contrair dívida indefinidamente?
      A ideia era ver-mo-nos livres do anzol ou engoli-lo?

      É que a conversa é a mesma, repete-se, e vai-se repetir.
      O ajustamento de 3 anos, passou agora a ser a 30 anos.
      A seguir será o quê?… 300 ou 3000 anos?

      Haja paciência para a palhaçada, que o circo já nem tem trapezistas.

      1. Não terá trapezistas, mas magos com bola de cristal e ilusionistas não faltam. Basta ver os telejornais, e as “mesas redondas” do cometário politico, quem tiver paciência para tanto.

        1. Eh eh, sem dúvida… mas podiam fazer truques novos, é que tirar ou meter coelhos na cartola, já aborrece até as crianças.

  4. Este pobre país está condenado a viver eternamente ‘uma maleita…

    Agora, anda por aí uma epidemia de dor de cotovelo!

  5. ENTÃO O QUE DIZER DOS JUROS DE 6,7% DA ULTIMA EMISSÃO DO SOCAS A 10 ANOS COM ESTA INFLAÇÃO, OU SABE DO QUE FALA OU ENTÃO NAO FALE

    1. Eu quero empobrecer.
      Quero comer um caldo de couves com batata e uma sardinha no prato ao jantar; o resto faz-me cabrear.
      Quero poucos medicamentos, que me fazem mal a saúde.
      Quero elefantes brancos em sines e carros de bois pra passear.
      Quero ver o meu PM de pópó mercedes silver metalizado a varejar.
      E quero o meu PR com reforma de mais €10 mil pra não ter que contar os tostões ao fim do mês.
      Viva Portugal.

  6. Basta olhar para as contas e o populismo do regime para perceber que a Troika – ou outra coisa em seu nome- virá.

    Não existem condições para neste Regime – excepto Bloco Central – fazer o que tem de ser feito para a Troika não aparecer outra vez.
    O Regime é Populista logo é do seu ADN prometer o que não pode cumprir.

  7. O PR quer entrar no virote para continuar a dizer que nunca se engana e que deve ficar para a história como o autor do não resgate.
    Na realidade a saída limpa que me apercebo é o encerramento dos emissários que se usam para conduzir as águas e os resíduos, neste caso não tratada(o)s, por forma a que estes permaneçam em território nacional. É isto que nos querem fazer engolir. E para o efeito inventam devoluções de rendimentos para justificar aumentos de impostos.

    Este PR e este desgoverno revelam a sua identidade com a política de Sócrates, mas querem fazer parecer que são diferentes.

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