Cavaco e os “campeões” da democracia


Rui Rocha,

Percebo a sanha contra Cavaco. A mim também me incomoda o discurso, a pose e a visão (ou a falta dela). A mim e a muitos outros cidadões, como diria para nosso tão grande desencanto o próprio presidente. Mas há uma coisas que conviria não esquecer. Cavaco foi sempre democraticamente eleito e em diversas ocasiões. Duas delas, de forma consecutiva (isto é, com renovação da confiança do voto) para as funções que actualmente exerce. A última, há menos de cinco anos. E é preciso não esquecer também que as principais alternativas democráticas a Cavaco foram nessa altura Fernando Nobre (isso), Manuel Alegre (pois) e Mário Soares (exacto). Isto é, não chegámos a Cavaco por acaso. Da mesma maneira, quando Cavaco assumiu funções de primeiro-ministro pela primeira vez a situação do país e as alternativas eram as que eram. Que a nossa democracia é pobrezinha? Pois é. Basta medi-la pela qualidade das alternativas que foram sendo apresentadas nas várias eleições que Cavaco ganhou. Ou pelas atitudes dos auto-proclamados campeões da democracia que, querendo diminuir Cavaco, mais não fazem do que atingir o pouco crédito que resta às instituições. É triste ter um provinciano como Cavaco como presidente. É ainda mais triste perceber como são mesquinhos, sectários, arrogantes e desligados das regras do jogo democrático alguns daqueles em quem podíamos ter votado em vez dele.

0 comentários em “Cavaco e os “campeões” da democracia”

  1. E o pateta alegre ainda teve o desplante de declarar que o Costa respondeu muito bem a uma coisa que ele, pateta, nem ouviu:

    «Questionado sobre os apelos ao consenso político feitos pelo Presidente da República, Manuel Alegre referiu apenas que o secretário-geral do PS “já respondeu muito bem” em relação a esse ponto.

    “Não me apeteceu ouvir o discurso [do Presidente da República]. É um direito que tenho”, disse.»

    Mas parece-me que nos arriscamos a ter, em vez do incurável provincianismo, algo que por aqui se adivinha: «Se António Sampaio da Nóvoa tivesse feito o discurso este dia 25 de abril enquanto Presidente da República, teria feito “um discurso de mudança”. Aos jornalistas justificava que “precisamos de mudar Portugal e de ter um novo ciclo”.» Fiquei perfeitamente esclarecido e elucidado com algo tão clarete e imbidente: temos simplesmente de mudar Portugal e de ter um novo ciclo. Talvez o preparatório…

  2. É por causa dessas eleições que o país está como está. Para elas contribuiu e muito, a falta da ciência política do povo que ainda anda muito lá por baixo. Também têm muito a ver com isto, os média que em vez de esclarecerem e informarem andam sempre à volta dos mesmos.

  3. Exactamente. Um dos maiores desencantos desta democracia é verificar como a esquerda e os donos do regime consideram ilegítima toda a representação popular — e isso explica bem a direcção e o fascismo silencioso das suas políticas: do Acordo Ortográfico às “Autoridades”, da Maçonaria corrupta às televisões toda a gente (todos os estúpidos ao serviço do Regime) se dispõe a “educar” o povo bruto e inculto que na verdade detestam. É nestas alturas que essa repugnância elitista vem ao de cima, como tão bem ilustram os comentários arrogantes e enojados de Mário Soares e a sobranceria do pobre versejador Manuel Alegre. Na Monarquia seriam menos, não percebo por que motivo mudámos: ah, já sei — foi um golpe de estado, um assassinato cobarde sem culpados. O verdadeiro problema de Portugal é a ilegitimadade de uma república imposta à força: triste, feia (veja-se os panos e as insígnias oficiais) e que nos embaraça a todos.

  4. Diz que não puderam ouvir porque, simultaneamente, arengava Nicolás Maduro. Estão justificados.

  5. “É triste ter um provinciano como Cavaco como presidente”. Então e os portugueses , salvo raras excepções, são o quê?

      1. Já entendi: antes do Cavaco ter contaminado os portugueses de provincianismo, éramos todos muito invuluidos assim tipo a malta de Lesboa e tal, daqueles que já foram a Londres e a Paris ao teatro.

  6. Excelente post. É realmente triste ter gente arrogante que parece só saber fazer oposição com a linguagem do odio.
    Ainda se admiram do “crescimento” para baixo que as agremiações têm tido nas sucessivas abstenções apesar da crescente abstenção que penosamente é mentirosamente escamoteada nas incriveis analises que os capangas partidariso fazem.

  7. Já eu não perco um artigo de Mário Soares — podia lá passar sem saber que houve “peixes que desceram, não se sabe como, a Avenida da Liberdade.” Ou que, em o PS ganhando as próximas legislativas, “não haverá necessidade de mais greves de comboios ou de quaisquer outros transportes, incluindo a TAP, que, com o PS, não será privatizada”.

  8. o Porque sera que a esquerda tem sempre estes tiques – traques ? Porque sera que a esquerda tem sempre este discurso solto e insultuoso tanto para quem os governa como para com quem lhes faz oposicao? Sera que lhes esta nos genes ou sera mera e pura ignorancia civica e democratica ? Sera que a democracia e a liberdade e um apanagio so da esquerda e que eles sao cidadaos de primeira enquanto os outros uns inuteis e de segunda ? A esquerda tem comportamentos que se fossem tomados pela direita seria considerado fascismo e Salazarento. Nao ouvir o discurso de um presidente em funcoes e num acto publico, nao interessa se ele e bom ou mau , so demonstra pouca cultura civica, democratica e nem os ideais de Abril respeita pois eles sao bem claros quanto as liberdades e sentido politico de cada um. Um candidato a presidente, Sampaio da Novoa, que se diz “independente” mas da mao dada a Mario Soares ao PS e a CGTP nunca pode ser independente e muito menos com um discurso destes. Amanha , se for presidente sera que vai ignorar as vozes que nao gosta ? O sentido parece ser esse e isto ja comeca a ser um mau prenuncio. Quanto aos outros , M. Soares , M. Alegre , etc, ate se da de barato pois sempre foi o seu modo de estar, ao longo dos 41 anos de Abril , de que quem nao for por eles e contra eles. Triste sina a nossa que continuamos a ver mais do mesmo por parte dos politicos . Arrogancia , prepotencia, um enorme autoego e um eterno olhar para o umbigo sem sentido de estado e sobretudo sem respeito por nos , cidadaos , que acreditamos neles e eles nada fazem para dar exemplos de democracia e civismo.

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