Santana e Carmona unha-e-carne


jmmcc,

Confirma-se, porque ambos o disseram: Carmona Rodrigues telefonou a Santana Lopes para lhe desejar felicidades.

Santana disse que Carmona lhe ligou cinco minutos antes a dizer: «Podes transmitir o meu abraço de apoio.»

Carmona disse: «Acho que não disse isso», «não corresponde à verdade». E também disse que acredita que as suas palavras possam ter sido interpretadas de forma errada por «pessoas à volta de Santana Lopes que as tentaram valorizar» e que só foi «o voto de um amigo para um amigo».

São estas provas de amizade profunda que me deixam emocionado. Fui sempre sensível ao diz-que-disse dos amigos…

Autárquicas (8)


Pedro Correia,

  

 

UMA MONUMENTAL ESTOPADA

 

Sintonizei a SIC para ver o debate entre António Costa e Pedro Santana Lopes, anunciado para as 21 horas. Às 20.52, no entanto, o debate já decorria: a SIC, que garantira o "exclusivo", chegou tarde à sua própria iniciativa, optando pela publicidade enquanto Santana começava a falar, em resposta a Clara de Sousa. Saltei para a SIC Notícias, evitando assim novas faltas de consideração do canal generalista pelos espectadores.

Segue um registo do que fui escutando – ou talvez não. Em dez andamentos.

 

20.52 / 20.57

"Debate capital", proclama a SIC com manifesto exagero. Os dois candidatos à Câmara Municipal de Lisboa (porquê só estes?) trocam uns galhardetes inócuos. Fala-se do passivo da câmara, das dívidas da câmara, de contabilidade.

 

20.57 / 21.02

Fala-se do passivo da câmara, das dívidas da câmara, de contabilidade. De obra, presente ou futura, nada.

 

21.02 / 21.07

Ainda o mesmo tema: dívidas, empréstimos, contas antigas, balancetes. Parece mais conversa de mercearia do que um debate político.

 

21.07 / 21.12

Às 21.10, Clara de Sousa conclui o óbvio: "Não chegam a acordo, temos que avançar." Mesmo assim, prossegue o desfiar de argumentos sobre contabilidade e facturas. Alguém ainda acompanhará o "debate capital"? Eu já tenho alguma dificuldade.

 

21.12 / 21.17

Só às 21.13 termina a enfastiante disputa sobre quem paga mais e melhor aos fornecedores do município. Costa e Lopes, quase tão sonolentos como eu, resvalam para outros temas. Mas ainda com as contas a reboque. "O seu candidato a vereador Sá Fernandes embargou o túnel. Sabe o prejuízo que isso fez à cidade?", questiona Santana. Por momentos, penso que alguém se enganou de ano – ou eu ou eles. Estaremos ainda em 2007?

 

21.17 / 21.22

"Sá Fernandes fez muito mal a Lisboa", insiste Santana.

"Passa a vida a queixar-se dos outros", reclama Costa.

Começo a interrogar-me muito a sério por que motivo a SIC decidiu organizar um "debate capital" excluindo candidatos de forças com implantação eleitoral e sociológica em Lisboa como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.

 

21.22 / 21.27

Fala-se em voo rasante de questões que interessam realmente aos munícipes: aeroporto, os contentores de Alcântara, a terceira travessia rodoviária de Lisboa, a reabilitação urbana. Santana está verdadeiramente obcecado com o Zé que "fazia falta" aos socialistas: "Sá Fernandes planta girassóis e quer apanhar berbigão no Cais do Sodré."

Às 21.26, Clara de Sousa arrisca falar do trânsito. Costa proclama: "O grande desafio deste século são as alterações climáticas." Afundo-me no sofá com um largo bocejo.

 

21.27 / 21.32

Aprendi alguma coisa com António Costa: "Diariamente entram em Lisboa 400 mil carros." Deduzo, portanto, que será contra a nova ponte rodoviária já prometida pelo Governo. Mas ele nada diz sobre a matéria. Clara de Sousa nada lhe pergunta.

 

21.32 / 21.37

Quarenta minutos após ter começado o debate, a moderadora pede enfim desculpa aos telespectadores pelo facto de a SIC ter falhado o arranque da emissão, apenas disponível aos clientes da televisão por cabo.

 

21.37 / 21.43

O debate arrastou-se ainda por mais seis minutos, mas deixei de prestar atenção ao que Lopes e Costa diziam.

Conclusão: uma monumental estopada.

Mais um «empate técnico»


jmmcc,

«António Costa e Santana Lopes taco-a-taco na corrida à Câmara de Lisboa», segundo uma sondagem recente. Mais um fantasioso «empate técnico»?

Atente-se à notícia para tentar perceber: «António Costa e Pedro Santana Lopes estão empatados na corrida à Câmara de Lisboa». Sim, parece ser mais um fantástico «empate técnico».

Mesmo assim, leia-se melhor para tirar teimas: «António Costa e Pedro Santana Lopes estão empatados na corrida à Câmara de Lisboa, encontrando-se separados apenas por um ponto percentual.» Ah! É mesmo um engraçado «empate técnico».

Porém, o problema da escassa diferença resolve-se: um ganha e outro perde. As empresas de sondagens e a imprensa é que estão empatadas: têm o mesmo problema técnico. Ou será mental?

Europeias (50)


Pedro Correia,

 

O PSD VOLTA A SER PPD

 

A vitória eleitoral de Manuela Ferreira Leite, por interposto candidato, esteve longe de ser o passeio triunfal que alguns, sentados de camarote, vislumbraram na blogosfera. A prova? Vinte e quatro horas depois do escrutínio, quem representou o PSD no debate pós-eleitoral da RTP foi Pedro Santana Lopes. Precisamente o maior derrotado nas eleições internas de 2008 – o homem contra quem Ferreira Leite e cavaquistas, enojados, andavam a clamar desde 2004, verbalmente e por escrito. Há regressos que dizem tudo sobre um programa – e sobre a capacidade de regeneração de um partido que ambiciona voltar às luzes e aos lustres dos grandes dias.

 

ADENDA: Com este texto concluo um conjunto de cem postais sobre as europeias iniciado em 14 de Abril e subdividido em três séries: Europeias (50), Vencedores (30) e Derrotados (20). Daqui a algum tempo inicio outra, intitulada Legislativas.

A fachada do Pedro do costume


André Couto,

Pedro Santana Lopes escolheu o 25 de Abril como data para o lançamento da sua candidatura à Câmara Municipal de Lisboa. Estranho a decisão na medida em que nunca o vi com tanta vontade de se associar ao 25 de Abril. Mete-me impressão porque é o aproveitamento político, sujo, puro e duro de uma data com um enorme significado intrínseco e que pouco ou nada lhe disse ao longo dos anos.

É mais do mesmo: um piscar de olho à esquerda que mais não é que fachada, hipocrisia e calculismo político. Vale tudo na disputa do poder, o que interessa é o resultado final, ainda que desprovido de sentido, rumo ou convicções.

Começou agora e serão mais 6 meses disto. Depois acabou.

Comovente Solidariedade


André Couto,

A Candidatura de Pedro Santana Lopes a Lisboa mostra claras semelhanças com a estratégia nacional de Manuela Ferreira.

Relembremos os momentos em que a Doutora se remeteu a um longo e estratégico silêncio para depois vir a terreiro quebrar esse mesmo silêncio com argolada atrás de argolada.

Depois de meses de silêncio Pedro Santana Lopes lançou os seus sites. Após uma breve vista de olhos percebi que o Doutor e os Doutores assessores desconhecem que a Praça de Touros do Campo Pequeno não se situa na Freguesia de S. João de Deus, mas antes na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima. É um "pormaior" que quem esteve anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa não deveria desconhecer. Mais, depois de tamanho silêncio prometendo que decorria a preparação da melhor campanha jamais vista em Lisboa, não deixa de ser um tremenda desilusão. Assim só chega a Presidente da Câmara de Lisboa suspendendo a democracia.

É caso para dizer… "Salva os Touros dos toureiros"!

Mudar é preciso


jmmcc,

[Cópia+de+3-Mar-09+Fotografia+(5)+(3).jpg]

Eleições autárquicas na Figueira da Foz, 1997. Mudou, sim:

mudou de limousine mal ganhou as eleições. Poucos anos depois,

repetiu a proeza na Câmara de Lisboa: também mudou de limousine

assim que entrou. Ainda não se sabe se está a preparar-se para nova mudança

este ano, mas consta que tem "andado por aí" a visitar os salões de automóveis.

E está provado que tem jeito: é preciso «saber mudar».

Ele sabe.