
… os romanos já usavam marcos colocados ao longo das suas estradas? Pois é verdade: chamavam-se miliários (do latim: miliarium, a partir de milia passuum, "mil passos") e distavam cerca de 1480 metros uns dos outros.
Até 400 a.C., os romanos apenas se deslocavam por fracos caminhos de terra, mas o ataque gaulês de Breno, em 390 a.C., desastroso para a ainda frágil República Romana, demonstrou que o seu sistema defensivo precisava de contar com uma eficaz movimentação das tropas. Foi assim que teve início a construção de uma rede de estradas, que acabaria por ser também decisiva para a sua expansão e hegemonia, a par do comércio: o Império Romano viria a ser pioneiro do comércio por estrada (sobretudo, vinho, azeite, cereais, carne e cerâmica), quando os outros povos mediterrânicos ainda se apoiavam exclusivamente nos portos.

A desenvolvida engenharia romana que criou notáveis infraestruturas, como canalizações e aquedutos, foi aplicada às estradas, ao ponto de os troços ainda existentes (património classificado, actualmente) conservarem um piso bem firme, graças à preparação dos terrenos e às camadas de materiais colocadas sob o pavimento (v. ilustração). As vias principais, consideradas vitais e estratégicas, eram alisadas com grandes pedras e bermas delineadas.
A primeira grande estrada, depois progressivamente lajeada, foi a célebre Via Ápia, construída em 312 a.C. e que uniu Roma a Cápia. No fim do Império, a rede viária era de centenas de milhares de quilómetros e, conservada ou substituída sobre os traçados originais, popularizou ditos como "quem tem boca vai a Roma" e "todos os caminhos vão dar a Roma".
Os marcos miliários eram diferenciados, de acordo com a via e a localização, e continham a informação sobre distâncias e outras inscrições, como indicação dos responsáveis pela construção e pela manutenção da estrada.
No noroeste da Península Ibérica, uma das estradas romanas foi a Via Nova – ou Geira, ou Via XVIII do Itinerário Antonino – de finais do século I d.C., que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Atorga), um trajecto com perto de 320 quilómetros que percorria a antiga Gallæcia (Minho e Galiza).
Ainda se encontram dela troços muito bem preservados no nosso País, em Terras de Bouro (Gerês), com mais de centena e meia de marcos miliários (como o da foto, no alto).