



O PS teve sempre cabeças de lista com fortíssimos currículos políticos nas eleições ao Parlamento Europeu. Vale a pena recordar quem foram.
– Em 1987, a lista socialista foi encabeçada por Maria de Lurdes Pintasilgo, primeira e única mulher que chefiou um Governo em Portugal.
– Em 1989, os candidatos socialistas ao PE tiveram como primeira figura João Cravinho, ex-ministro e já então um dos ‘senadores’ do partido, hoje administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.
– Em 1994, o cabeça de lista foi António Vitorino, número dois do PS durante o mandato de António Guterres como secretário-geral, depois ministro de Estado e da Defesa. Viria ainda a ser comissário europeu.
– Em 1999, à frente da lista do PS, ninguém menos que Mário Soares – fundador do partido, antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República.
– Em 2004, coube a vez ao anterior ministro de Estado e das Finanças, António Sousa Franco, falecido durante a campanha. O elenco socialista passou então a ser liderado por António Costa, actual número dois do partido.
Este ano, soube-se agora, o primeiro dos candidatos do PS será Vital Moreira. Que tem como principal marco, no seu currículo político, a passagem pela bancada parlamentar do PCP na Assembleia Constituinte e nas primeiras legislaturas da Assembleia da República. É um constitucionalista de mérito e foi juiz do Tribunal Constitucional, mas não se compara, nem de perto, a figuras como Soares, Pintasilgo, Vitorino e Costa. Daqui se conclui que, mesmo estando no Governo, o PS tem hoje menos capacidade para atrair personalidades de primeiro plano do que teve no passado. Nada que importe muito a José Sócrates: Vital Moreira – que nos últimos meses tem assinado alguns dos maiores panegíricos de que há memória ao primeiro-ministro – é escolha exclusiva dele, não é escolha do partido. Neste caso, como em tantos outros, o PS serve apenas para fornecer os aplausos.