Os termos de um ‘contratualito’


jmmcc,

É através deste post mais abaixo, do Sérgio de Almeida Correia, que ficamos a perceber melhor como as coisas funcionam para Paulo Rangel. «Agora contratualizei com os portugueses fazer este serviço em Bruxelas e é isso que eu quero fazer» – garantia Rangel em finais de Outubro, em jeito que parecia confirmar a promessa de cumprir o mandato para que fôra eleito.

Vejamos bem: ele disse que tinha acabado de contratualizar esse mandato. Afinal, o que vem a ser contratualizar? É o mesmo que contratar, só que é mais longo. O que significa que, se ele tivesse contratado em vez de contratualizado, a coisa seria mais curta e ele até podia muito bem ter dado a promessa por cumprida ao fim de 48 horas, digamos.

Afinal, nós é que precisamos de estar atentos às letras pequeninas dos contratos…

Marcelo: candidato ao PE? (2)


jmmcc,

Como diz o Paulo Gorjão aqui em baixo, o Professor é o cabeça-de-lista do PSD para o Parlamento Europeu preferido por um número crescente de pessoas. Quanto a mim, tem uma vantagem de natureza prática sobre qualquer outro candidato, a qual deve ser encarada decisivamente: a escolha de Marcelo Rebelo de Sousa põe fim às intermináveis escolhas de domingo à noite…

Desgraduação socialista


Pedro Correia,

 

 

O PS teve sempre cabeças de lista com fortíssimos currículos políticos nas eleições ao Parlamento Europeu. Vale a pena recordar quem foram.

– Em 1987, a lista socialista foi encabeçada por Maria de Lurdes Pintasilgo, primeira e única mulher que chefiou um Governo em Portugal.  

– Em 1989, os candidatos socialistas ao PE tiveram como primeira figura João Cravinho, ex-ministro e já então um dos ‘senadores’ do partido, hoje administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.

– Em 1994, o cabeça de lista foi António Vitorino, número dois do PS durante o mandato de António Guterres como secretário-geral, depois ministro de Estado e da Defesa. Viria ainda a ser comissário europeu.

– Em 1999, à frente da lista do PS, ninguém menos que Mário Soares – fundador do partido, antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República.

– Em 2004, coube a vez ao anterior ministro de Estado e das Finanças, António Sousa Franco, falecido durante a campanha. O elenco socialista passou então a ser liderado por António Costa, actual número dois do partido.

 

Este ano, soube-se agora, o primeiro dos candidatos do PS será Vital Moreira. Que tem como principal marco, no seu currículo político, a passagem pela bancada parlamentar do PCP na Assembleia Constituinte e nas primeiras legislaturas da Assembleia da República. É um constitucionalista de mérito e foi juiz do Tribunal Constitucional, mas não se compara, nem de perto, a figuras como Soares, Pintasilgo, Vitorino e Costa. Daqui se conclui que, mesmo estando no Governo, o PS tem hoje menos capacidade para atrair personalidades de primeiro plano do que teve no passado. Nada que importe muito a José Sócrates: Vital Moreira – que nos últimos meses tem assinado alguns dos maiores panegíricos de que há memória ao primeiro-ministro – é escolha exclusiva dele, não é escolha do partido. Neste caso, como em tantos outros, o PS serve apenas para fornecer os aplausos.