O desastre na colocação de professores


Rui Rocha,

A gestão pelo Ministerio da Educação das colocações e dos concursos dos professores pode já considerar-se um cataclismo de grandes dimensões provocado por falha humana. Entre avanços, recuos, indecisões, dúvidas sobre legislação aplicável, erros de concepção da plataforma informática e falência das soluções técnicas, já se viu de tudo. Não está aqui em discussão o desemprego justificado ou injustificado dos docentes ou a política educativa. O que está em causa é a absoluta incompetência na gestão de um processo administrativo pelos serviços do Ministério da Educação. Existe, naturalmente,  um responsável político por esta situação. Mas esse deve estar, por esta hora, a tentar perceber qual a melhor resposta para um velho problema matemático que consiste em determinar a forma mais eficaz de passar pelos pingos de chuva sem se molhar: correr ou ir a passo? É possível que tenha de recorrer a uma calculadora para fazer as contas.

O cratês.


vidabreve,

Talvez esta seja uma boa altura para recordarmos a Nuno Crato que ele não foi nomeado para contestar os relatórios da OCDE sobre a educação em Portugal, mas sim para ultrapassar o desempenho do Governo anterior nas matérias da sua responsabilidade. As instituições internacionais lá estarão para o avaliarem. Escrevo isto porque me aborreceria muito assistir ao regresso desta conversa de chacha em 2012. Como explica Medeiros Ferreira, o ministro deve esforçar-se mais.

A antítese do Álvaro


Sérgio de Almeida Correia,

Não ficaria de bem com a minha consciência se depois do que antes escrevi sobre o que hoje se passou no parlamento com o ministro Álvaro Santos Pereira, não dissesse aqui o quanto apreciei as intervenções da semana passada do ministro Nuno Crato. Só por absoluta falta de tempo não o sublinhei mais cedo. Não só pelo estilo, mas também por não ter fugido às questões e ter logo pegado na matéria da avaliação “pelos cornos”, propondo um modelo que, na minha perspectiva, tem tudo para poder funcionar (já sei que o senhor Nogueira não concorda, mas ainda está para nascer o primeiro ministro da Educação com quem ele concorde).

O ministro da Economia e etc. e tal devia pôr os olhos no seu colega de Governo. Aprender com outro catedrático, e mais velho, não deverá ser desprestigiante.

Nuno Crato


José Maria Gui Pimentel,

Provavelmente é o Ministro que mais tem a perder. Vai deixar rapidamente de ser o gajo porreiro de que todos gostam, tornando-se em mais um Ministro da Educação odiado. Gabo-lhe, muito sinceramente, a coragem. É uma agradável e surpreendente escolha.