A redenção pela bola


João Pedro Pimenta,

Se as história de superação são apelativas, mais ainda se tornam se lhes forem acrescentadas certas concidências e acasos. O Euro 2020 que acabou há dias é disso exemplo.

Julgava que a superação seria a de um homem, Gareth Southgate, o actual treinador de selecção inglesa. Até agora, em Europeus, a Inglaterra normalmente ficava-se pelo primeiro jogo a eliminar (o guarda-redes Ricardo que o diga), tirando em 1996, quando a competição teve lugar precisamente em solo inglês. Só que nas meias finais jogaram contra a velha rival Alemanha, em Wembley, empataram a um golo e nas grandes penalidades um jogador inglês falhou, impedindo a sua seleção de chegar à final perante o seu público. O seu nome? Gareth Southgate.

Um quarto de século depois, Southgate levou a seleção inglesa pela primeira vez à final de um Europeu, tendo deixado pelo caminho a Alemanha, com um emotivo 2-0. Passadas as meias, de forma algo duvidosa contra uma aguerrida Dianamarca, a Inglaterra lá chegou a uma final, ainda por cima (e como quase todos os jogos que disputou) em Wembley, quase como em 1996 – quase porque se demoliu e reconstruiu o mítico estádio. E o povo enchia o estádio, ignorava os casos crescentes de covid e cantava, em fervilhante entusiasmo, It´s Coming Home, do célebre hino dos Ligthing Seeds Three Lions (A partir dos vinte segundos do video abaixo vê-se Southgate a falhar o penalty; noutra versão, a original, de 1996, aos 30 segundos a seleção inglesa marca um golo à portuguesa, defendida pelo malogrado Neno).

 

Não estava propriamente a apoiar os Three Lions, mas confesso que me interessava a ideia da redenção de um homem, que, 25 anos depois, naquele mesmo espaço, poderia conduzir a sua seleção à vitória na competição como treinador, depois de o impedir como jogador. Mas como sabemos, a história não acabou assim, e mesmo tendo chegado à final, a Inglaterra perdeu em Wembley com a Itália, de novo nos penaltys – e aqui sim, Southgate falhou pela escolha dos marcadores.

 

Mas se não houve redenção por um lado, ela veio de outro. A equipa técnica da Itália é constituída quase em exclusivo por velhas glórias da Sampdória de Génova, como Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Lombardo ou Evani. E precisamente em Wembley, em 1992, na final da Taça dos Campeões perdida para o Barcelona de Cruyff, Mancini e Vialli, a dupla de ataque, os “gemelli del gol”, jogaram juntos uma última partida. Vialli prossseguiu uma carreira  de sucesso na Juventus, Mancini na Lazio e ambos foram mais tarde técnicos de sucesso em Inglaterra. Até se reencontrarem na equipa técnica da selecção, um pedido expresso de Mancini, e que como se viu no Domingo, até pelo ambiente da equipa, voltou a dar resultado. 29 anos depois de perderem o título europeu de clubes em Wembley, ganharam o de selecções. É só isto, a redenção? Apenas o pretexto. Porque Vialli, já com funções na Azzurra, sofreu um canco no pâncreas, um dos mais difíceis de debelar, recuperou, teve uma recaída, e finalmente venceu-o completamente, sem mais vestígios. Chegou a dizer numa entrevista que “tinha vergonha de estar tão feliz“, quando Itália sofria a primeira e mortífera vaga da pandemia. Um ano depois da sua recuperação, GianlucaVialli, que protagonizou uma destas superstições em que o futebol é fértil, no mesmo lugar onde não tinha sido feliz anos antes, voltou a festejar, em lágrimas, com todas as razões do mundo para o fazer, ou no mínimo com muito mais razões do que apenas um penalty falhado.

 

Portugal-Bélgica (crónica)


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(Já velho postal, colocado a 28.6.2021 no meu Nenhures)

Na véspera dos oitavos-de-final deste Euro 2020/1 fui infiltrado, o que me criou más expectativas para o encontro pois temi alterações nas condições físicas apropriadas. Mais ainda, no próprio dia recebi a novidade, esperada é certo, de que nas relativas cercanias do estádio de Wembley a minha filha, também ela, assinara pelo clube Pfizer. Algo que me causou uma enorme desconcentração, prejudicial ao embate face aos belgas.

Pois assim me mergulhei em memórias inúteis: de quando na época passada a aguardei, ela com traumatismo asmático, agravado no pesado calendário inglês, para logo nos confinarmos num Nenhures campestre, eu em pânico, inseguro sobre os efeitos que uma hipotética fractura covidesca poderia ter na carreira dela. E isso quando o Presidente da Federação, Sousa, e o director das Relações com as Filiais, Silva, nos garantiam da impossibilidade de fechar fronteiras, sendo que Sousa prosseguia entre festejos em estádios teatrais no reduto de Pinto da Costa. E Freitas, a responsável pelo departamento médico, nos pedia para visitarmos os núcleos de veteranos – onde a minha mãe, antiga campeã de paciência, viria a definhar e morrer enclausurada – e nos alertava para não usarmos máscaras nos treinos nem aceitarmos que nos fizessem testes anti-doping. Já para não falar de Antunes, responsável dos relvados de Alvalade e Alcochete, que se debruçava sobre possíveis transferências de jogadores para o campeonato chinês. Lembrei ainda os meus frémitos quando a minha filha, já nesta época regressada à Premier League, contraiu uma lesão no tendão covidiano, ainda por cima sem que eu tivesse total confiança nos fisioterapeutas do seu clube. Enfim, tamanho foi o meu alívio, até eufórico, com a sua transferência para o Pfizer, que no domingo me alheei dos cuidados tácticos face ao nº 1 do ranking mundial e à ponderação dos titulares necessários para cumprir as matizes estratégicas que se poderiam impor durante o tempo regulamentar e, mesmo, no sempre temível prolongamento.

Tão abstraído estava que nem verdadeiramente notei que a equipa nacional, após entoar o hino, se ajoelhou como se fosse uma qualquer equipa de futebol americano, nisso decerto que arrebitando os ademanes dos holigões socratistas do Sport Campo Grande, do Atlético de Campolide e do Académico de Coimbra, já para não falar do entusiasmo que decerto sentiram os literais “Black Panthers”, recém-contratados pelo Desportivo da República, ao verem o enérgico Sanches de “Poder Negro” em riste.

Assim sendo só após soar o apito inicial pude constatar algumas evoluções na filosofia do Engenheiro Santos: poventura para mitigar o número de punhos racistas erguidos no início do jogo cuidou de enviar William Carvalho, sua excentricidade, para a bancada, e Danilo, seu óbvio talismã, para o banco de suplentes. Um pouco mais à frente tudo na mesma como a lesma – como diz o povo, na sua infinita sageza – com os alas da direita e da esquerda (se é que este o era) impassíveis, pobres avatares dos excelentes Bernardo Silva e Diogo Jota que ali estavam encarregados de representar. 

As equipas entraram em cuidadosa fase de estudo, a qual teve direito a 2ª chamada e se prolongou até à 2ª época, o que comprovou o acerto da escolha do Prof. (Jubilado) João Moutinho como titular. Nesse entretanto, e apesar de algumas irreverências do aluno Sanches, decerto que devidas a ser oriundo do ensino técnico-profissional, posso afiançar que foi o período em que mais estive em jogo. Pois decorreu um futebol mastigado, condizente com a nossa claque aqui presente, entregue ao manuseio de uns belos ovos com farinheira (cuja origem não averiguei), uns rojões com molho amostardado do mais fino recorte técnico, uns decentes camarões austrais cozidos debruados com a maionese caseira, tudo circundado com tremoços temperados bem frescos e o pequeno luxo de tijelas de castanha de caju, estas ali em homenagem aos sempre indefectíveis apoiantes africanos da selecção nacional, como bem o comprovou o hino da selecção, o “Vamos Com Tudo” de autoria e trinados do artista David Carreira. Mas nestas manobras reconheci o meu estado de abatimento, o qual nada de bom augurava para o desiderato final, pois acompanhei-as com apenas uma cerveja, a condignamente titular “Super Bock”.

Enfim, cerca do final da primeira parte aconteceu o rude golpe belga, selecção que – reconheço-o – muita simpatia me convoca e não só devido a Moulinsart. Ao intervalo o nosso estado era de algum torpor, em murmurados lamentos face à opção de retirar o play-maker Ferro Rodrigues da equipa, substituindo-o por um apático e inexperiente Brandão Rodrigues. Pois não basta ser (quase) homónimo para se poder levar a equipa ao triunfo. Confesso que a segunda parte por cá encontrou uma moldura humana já mais rarefeita e ainda menos confiante. Foi reconhecida, com justiça, a (tardia) afoiteza do Engenheiro, o qual com sucessivas substituições tratou de “meter a carne toda no assador”, tentando inverter o agora regressado triste fado luso. Ficará para sempre a dúvida sobre porque não o fez antes, pois foi óbvio – como o demonstrou a inútil arrochada do Tio Pepe, que lhe provocou a reprimenda arbitral – que a carne assada em tão pouco tempo se torna demasiado nervosa, dando-se pouco macia às gengivas adeptas. Ainda assim o Engenheiro não mereceu a traição cometida por Raphael Guerreiro, que decidiu atirar ao poste quando as instruções recebidas eram para repetir exactamente a manobra de Budapeste.

Terminado o confronto de Sevilha, constatado o atentado blasfemo à religião oficial de Estado, retirámo-nos acabrunhados sem mesmo escutar os sacristões congregados nos painéis televisivos. Já no leito algo me reanimei ao ler as doutas declarações do presidente da Federação, Sousa, afiançando-nos que tínhamos sido os melhores e que, mais importante, somos como os melhores. Nisso convocando o nosso fervor para 2022, ano no qual, prometeu o Engenheiro, seremos campeões do mundo. Adormeci, mais pacificado. E sonhei com múltiplas medalhas em Tóquio. E com Eduardo Ferro Rodrigues.

Acabaram-se as contas


Sérgio de Almeida Correia,

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(foto daqui)

 

A fase de qualificação não fora brilhante.  Uns dias melhor, outros pior. Os altos e baixos foram sendo transportados de uns jogos para os outros, mas esperava-se que depois, nos jogos da fase final, se superassem e mostrassem o melhor.

As escolhas foram obviamente do seleccionador nacional, e tirando este ou aquele jogador com contratempos de última hora, havia gente com qualidade e em quantidade para fazer alguma coisa vistosa. Ninguém lhes pedia o título, que nestas coisas não costuma funcionar por encomenda.

No final, o balanço não deixa de ser sofrível. Houve quem já tivesse escrito que foi a pior classificação de Portugal em Europeus. Nos tempos recentes, claro.

Tirando um outro momento individual, uma ou outra jogada com cabeça, tronco e membros, viu-se muito pontapé para a frente, muita bola a sair pelas linhas laterais nas reposições a partir da baliza, muito passe perdido e transviado, pouco acerto nas combinações ofensivas, algumas boas defesas, também umas quantas faltas e “fitas” desnecessárias. Em matéria de remates à baliza nem valerá a pena fazer a contabilidade do que de bom, mau e muito mau se viu.

Terminou tudo em desalento e com uma imagem do capitão atirando a braçadeira ao chão. Era evitável.

Entraram juntos, saíram juntos. Por aí nada a dizer. 

No resumo final, porém, as pessoas apenas recordarão para a história quatro jogos, uma vitória, um empate, duas derrotas, sete golos marcados e sete sofridos, dos quais quatro num único jogo.

E que chegámos aos oitavos de final com mais quinze equipas. Das vinte e quatro à partida só há oito que mostraram ser piores do que os actuais campeões da Europa.

Alguém se pode orgulhar disto? Estão feitas as contas.

A ambição do país


Paulo Sousa,

Vivemos num país em que a matemática só entusiasma quando se está num apuramento para, ou durante, uma competição internacional de futebol.

Ainda os jogadores não tinham regressado ao balneário, após a derrota com a Alemanha, e já os mais talentosos matemáticos de bancada tinham sossegado o país com a garantia de que no jogo de hoje, com a França, até podemos perder por dois golos que continuamos na competição.

Se a Selecção das Quinas fosse treinada pelo PS, a táctica teria sempre a derrota como objectivo, mas só por dois golos. Se conseguíssemos esse objectivo ambicioso festejaríamos emocionados essa grande vitória. Se por azar, ou arte do adversário, sofrêssemos o terceiro golo, então a cabeça do responsável de gestão do Regulamento Geral da Protecção de Dados da Federação teria de rolar. Com coisas sérias não se brinca.

Um telegrama alemão


joaomsandre,

Em 1886, um major do novo exército alemão telegrafou aos seus superiores um novo conceito ofensivo. Estes receberam a nova ideia de forma tão positiva que a incorporaram imediatamente como parte dos manuais de guerras alemães, apesar da sua especificidade em combate. este conceito ganhou tanta popularidade que se tornou parte da mentalidade Junker, que dominava o exército alemão. Em 1914, o General Moltke tinha-o tão incorporado na sua abordagem à guerra que preparava como os horários ferroviários necessários à sua estratégia ofensiva. Durante 1939-1941, Guderian e Rommel modernizaram o conceito e adaptaram-no às suas tácticas no uso de tanques. Na Europa pós-Guerra, tanto a NATO como o Pacto de Varsóvia adoptaram os conceitos às suas disposições ofensivas e defensivas, o que terá em grande parte contribuído para o impasse que resultou na ausência de hostilidades entre os dois lados. Após 1989, a Alemanha unificada introduziu estes conceitos, sob uma forma política, na sua Constituição, os quais têm sido utilizados em certos casos nos argumentos do Tribunal Constitucional Federal alemão, em Karlsruhe, para rejeitar certas medidas da União Europeia.

Falo, obviamente do conceito táctico de enviar a bola para as costas dos defesas laterais portugueses.

 

Exagero, naturalmente, mas se formos ver os jogos dos últimos 10 ou 15 anos entre a Alemanha e Portugal, vemos que os alemães frequentemente exploram esta opção de centrar bolas de extremo a extremo, pelo ar, explorando a frequente diferença de altura e força entre os seus jogadores e os laterais portugueses, ou pelo chão, tentando que os seus extremos se antecipem. Isto atingiu novos extremos com Thomas Müller, o autodenominado Raumdeuter, ou “interpretador de espaços”, um jogador que começa no flanco ou atrás do ponta de lança mas que se move (ou move a bola) por onde encontre buracos. Contra Portugal, estes aparecem com frequência nas costas dos laterais.

Quando Fernando Santos introduziu os jogadores, o meu primeiro instinto terá diso o de toda a gente: vai jogar em 4-3-3, com Danilo mais recuado, William um tudo nada à frente mas a recuar quando necessário e a dar apoio à ala se preciso e Bruno Fernandes no meio campo com licença para subir. Jota e Bernardo seriam os alas mas provavelmente desceriam para ajudar os laterais. Isto faria sentido perante o 3-4-3 alemão. Kimmich e Gosens jogariam como laterais ofensivos, Gündoğan e Kroos no centro do terreno e Müller e Havertz estariam nominalmente nos flancos mas com licença para trocarem de posição com Gnabry, que começaria a ponta de lança mas, sendo ala, não se sentiria muito confortável estando permanentemente nessa posição. Os laterais ocupar-se-iam dos laterais ofensivos, Danilo fecharia o espaço entre lateral e central e William ficaria na dobra. Bernardo e Jota ajudariam no flanco quando possível mas tentariam estar subidos para preocupar os alemães e impedirem as subidas. Quando se viu o jogo, no entanto, a sensação é que Portugal estava a jogar numa espécie de 4-2-3-1, com Danilo e William lado a lado e muito recuados, Bruno Fernandes muito avançado, tal como Bernardo Silva e Diogo Jota. Isto quebrava as linhas de passe e apenas funcionou numa ocasião: no golo, que seja como for beneficiou de um contra ataque em que Ronaldo rompeu as linhas defensivas alemãs ao ir da sua área até à outra em algo como 45 centésimos de segundo.

Claro que há na equipa alemã alguns detalhes a apontar. Kimmich é actualmente talvez o melhor jogador alemão, um jogador capaz de ser o melhor lateral direito, médio defensivo e médio centro da sua equipa. Para apoiar as suas subidas teria Ginter, que começaria do lado direito da defesa mas, estando habituado a jogar a lateral direito no Borussia Mönchengladbach, cairia muitas vezes para o flanco, dando opção a Kimmich para operar como ala. Müller, como é seu hábito, também descais frequentemente para a direita, para sobrecarregar o flanco português. Tudo isto é normal no futebol moderno: longe vão os tempos de um ala a carregar a bola sozinho e mesmo os tempos em que só recebia o apoio do lateral já lá vão. As equipas modernas colocam sempre mais um jogador para poder criar triangulações e linhas de passe. A Alemanha faz isto sem pestanejar. Tudo isto oferece muita flexibilidade. Portugal tinha um desenho táctico rígido.

Outra coisa que isto obriga, seja lá qual for o flanco onde se esteja a operar, é que a equipa que está a defender se move na direcção desse flanco. Quando se olhava para os ataques da Alemanha, o que era claro era que o flanco esquerdo alemão parecia um deserto. Ninguém lá andava. Ninguém, até aparecer o foguete Gosens, a vir de trás e a explorar o osicionamento (ou falta dele) da equipa portuguesa.

Quando vemos os golos alemães, a sensação que dá é que Nélson Semedo está a jogar como terceiro central. Não sei se isto foi devido às instruções de Santos ou a decisões de Semedo, mas Semedo raramente aparece preocupado com o seu flanco. Nalguns momentos está tão central que aparece junto à marca de penalty. Talvez tenha havido a sensação que Gosens não seria uma ameaça, mas depois do golo anulado, a equipa portuguesa deveria ter recalibrado. Havia certamente receio que os atacantes alemães explorassem o espaço entre laterais e centrais, mas fechar esse espaço era função do médio mais defensivo, Danilo. Como não o fez correctamente (era mais cone de treino que jogador) e como Jota e Bernardo não ofereceram apoio decente (pareciam estar a ver jogar), os alemães tinham todo o tempo do mundo para decidir o que fazer. No primeiro golo, Müller, no flanco direito, até anuncia com um acenar de braço para onde queria que a bola fosse antes de a dar a Kimmich para a cruzar para… as costas de Semedo.

Claro que podemos apontar todas as más exibições da equipa portuguesa. Semedo foi um desastre e só terá mitigantes (não desculpas) se Santos lhe tiver dito para jogar como terceiro central e por não ter tido apoio. Guerreiro esteve um pouco melhor, mas não muito (também sem apoio). Dias esteve a espaços bem, mas cometeu pelo menos dois erros de palmatória ao se deixar antecipar por Havertz, pelo que só pode sair com negativa. Danilo e William foram dois pilares: altos, duros e nada passava através deles, mas com a mobilidade de pilares, tudo lhes passava ao lado. A Bruno Fernandes só o vi quando marcou livres. As estatísticas dizem que fez tantos passes como William, mas não lhe notei a influência. Bernardo fez o passe fabuloso para Jota no primeiro golo e… tirou férias. Jota fez um golo e uma assistência e… também parece ter aproveitado o bilhete de entrada. Mesmo Sanches, que veio agitar o jogo português e dar algum dinamismo, também teve culpas no terceiro golo, estando a olhar para o espectáculo enquanto andava para trás nas calmas e só recua com pressa quando, muito, muito tarde, nota que Gosens estava livre. 

A verdade é que a vitória contra a Hungria não terá sido boa para Portugal. Não pela vitória, mas pelos números. Deram demasiada sensação de segurança. O facto de as substituições terem ajudado pode ter dado a sensação que a estratégia foi adequada e que deveria ser repetida. Contra a Alemanha correu mal. Portugal jogou o seu estilo de sempre e os alemães também. Nessas condições os vitoriosos são aqueles que repetem a estratégia mais bem sucedida. Aquela anunciada num telegrama alemão em 1886.