Grécia antiga (9)


Pedro Correia,

«Eu torci pela vitória do Syriza para ver afinfar nos talibãs austeritários o murro encaixado por Dijsselbloem, o holandês que preside ao Eurogrupo, na conversa com Varoufakis, seu novo colega grego. (…) A reforma é precisa e Portugal vai fazê-la. Passos passará. Mas pela Grécia passa, antes, a salvação da Europa.»

Ana Gomes, no Sol (6 de Fevereiro de 2015)

Pudor


Pedro Correia,

Há sempre um sociólogo pronto a invocar causas “sociais” como factor atenuante para os autores dos crimes mais sórdidos. Se o sociólogo estiver de folga, avança o psicólogo de plantão, evocando os traumas sofridos na infância como caução moral dos actos criminosos cometidos na idade adulta.

Na ausência episódica de ambos, logo emerge uma voz oriunda da classe política a dizer não importa o quê numa resignada complacência perante a barbárie. Ontem, nesta ronda, coube o turno à eurodeputada Ana Gomes. A responsabilidade dos homicídios que semearam o terror em Paris, garante a intrépida socialista, dilui-se nas “políticas de austeridade anti-europeias”.

Ainda nauseados pelos ecos do brutal atentado perpretado no coração da pátria do racionalismo por elementos da guarda avançada do terror, testemunhamos o protagonismo de quem se aproveita dos cadáveres de mártires da liberdade de expressão para difundir a demagogia mais rasteira.

Nestes momentos em que somos confrontados com a face do mal no seu horror absoluto apetece implorar a certas vozes que se calem em nome do mais elementar, recomendável e misericordioso pudor.

Ponto de ordem à mesa


Sérgio de Almeida Correia,

É só para dizer que não me revejo nas declarações de Ana Gomes sobre Paulo Portas. E, além do mais, não compreendi o exemplo dado, em especial quanto à falta de idoneidade pessoal do visado.

Perdoem-me a ignorância, mas estas coisas têm de ser ditas às claras e sem meias-palavras.

Podem prosseguir.

Indignidades


cadernoelastico,

A cultura política portuguesa ficou mesmo de rastos, depois destes últimos anos. Infelizmente, não foi no domingo que se resolveram todos esses problemas, a transição vai ser mais lenta. O ar já é outro, mas algumas personagens ainda vivas persistem em chafurdar na imundície e mediocridade. Ana Gomes, com estas insinuações (não são declarações, são só a forma mais vil de boato), revestiu-se de indignidade e vergonha. Seria bom termos um pedido de desculpas, mas não tenho grandes esperanças em relação a tal. Fica só o incómodo por termos figuras públicas com responsabilidades relevantes – eurodeputada, diplomata – tão nojentinhas (perdoem a palavra).

Nem todos iguais.


vidabreve,

 

Nunca me perguntaram, felizmente, quais eram os problema do país. Se me tivessem perguntado responderia que eram os paninhos quentes, as falinhas mansas e o respeitinho dos chico-espertos pelos poderosos. No linguajar dos comentadores chama-se a isto a falta de exigência dos cidadãos. Pois bem, aqui está uma mulher que exige, que chateia e que faz perguntas incómodas. Precisamos de quinhentas destas. E, já agora, convém-nos que Paulo Portas se digne a responder-lhe. O motivo é simples: se nos contentarmos com menos que isso não merecemos viver num país decente.