Carvalho da Silva & Partner


Rui Rocha,

 

Os últimos dados disponíveis indicam que a população empregada em Portugal ronda os 5 milhões. Entretanto, estima-se que o país tenha cerca de 700 mil funcionários públicos. Na greve geral de 2010, os sindicatos reclamaram a maior adesão de sempre e referiram que teriam estado envolvidos 3 milhões de trabalhadores. Relativamente à greve geral de hoje, os mesmos sindicatos afirmam que foi maior do que a do ano passado e referem uma adesão na função pública de cerca de 90%. A acreditar nos sindicatos teríamos então mais de 3 milhões de trabalhadores envolvidos, sendo que cerca de 630 mil seriam funcionários públicos (700.000 x 90%). Isto é, a adesão à greve fora da função pública envolveria não menos de 2.370.000 trabalhadores (3.000.000 – 630.000). Ou seja, se os números dos sindicatos estivessem correctos, a adesão à greve de hoje no sector não público seria superior a 53% (2.370.000 : 4.300.000 x 100). Trata-se de um número impossível de defender face ao que hoje se passou em Portugal. A conclusão será pois a de que os dados apresentados pelos sindicatos só são compreensíveis se os entendermos como um milagre (ocorre-me o episódio da multiplicação dos pães), prestidigitação ou pura charlatanice. Na verdade, aceitar uma participação próxima de 1 milhão de trabalhadores já exige alguma boa vontade. Estaríamos, mesmo nesse caso, a falar de 20% da população empregada e de um número inferior em 2 milhões ao apresentado pelos sindicatos. 

16 comentários em “Carvalho da Silva & Partner”

  1. Só como curiosidade. Não conheço ninguém que tenha aderido à greve, e nenhuma loja, super mercado, café ou restaurante que habitualmente frequento esteve fechada ou com falta de empregados. vivo numa pequena vila algarvia.

  2. Uma conhecida minha, pequena empresária com 4 empregados, fez greve. Só não fechou a empresa por respeito a dois desses empregados, que decidiram, por razões de orçamento familiar, não aderir.

    Perante este exemplo, não me surpreende que mais de 53% dos trabalhadores do sector privado tenham feito greve.

    E também não me surpreende atendendo ao que vi no Porto e nalguns concelhos limítrofes: poucos carros, trânsito fluido, parecia domingo.

    Não me surpreende, finalmente, face à quantidade de trabalhadores precários que vi na manifestação. Talvez esta greve fique na História como aquela em que os trabalhadores do sector privado começaram a perder o medo (e em que alguns empresários começaram a aderir).

  3. Onde eu vivo esteve tudo a funcionar normalmente – Câmara do PS e tudo. Não se notou greve nenhuma. Isto se descontarmos o Metro Mondego, claro, mas esse já anda em greve geral há cerca de um ano e meio e portanto não conta.

    1. Já agora deixem-me esclarecer que a greve geral do Metro Mondego começou quando acabaram os muitos milhões para estudos e planeamento.

  4. Tenha sido a adesão grande ou pequena, o que me desagrada é ouvir da boda dos dirigentes sindicais e dos partidos políticos, dizer que a greve foi um êxito. Até parece que a greve, ela próprias, era o objectivo. Só considero que a greve foi um êxito se vier a ter influência na condução da política. Não quero ser desmancha prazeres, mas parece-me que nãao vai ter nenhuma. “…isto só com milhares de mortos e o sangue a correr nas calçadas se conseguiria alguma coisa…”

    1. Sim, Rómulo. Parece-me que a greve não se pode considerar um êxito do ponto de vista dos objectivos. E, do da adesão creio que os números estão extremamente inflacionados.

  5. Javali,

    EU SOU DE BARCA D’ALVA!

    Quando passares por cá, dá uma apitadela que levas um saco de laranjas, podres mas levas.

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