7ºdia (cont.) – Em trânsito para um dos templos que vou visitar reparo numa loja com um poster da Yoko e do Lennon na montra, a darem um beijo. Tantos anos depois, semelhante destaque é revelador do impacto que aquela união teve nos japoneses. Nunca tinha pensado nisso, claro. Sempre olhei o casal na perspectiva de uma ocidental.
Desde que cheguei mal consegui ouvir música japonesa. Neste aspecto eles são tão saloios como nós: o que vem de fora é que é bom. Pena, gostava de ouvir os sons novos que certamente se fazem por aqui. Em contrapartida ouvi ontem num restaurante Se todos no mundo fossem iguais a você, do Vinicius (!)
Novo deslumbramento: Sanjusangendo, o templo das mil estátuas. Como não é o último ponto do roteiro, pergunto-me: Será possível superar isto? É. A fechar o tour levaram-nos ao templo Kiyomizu, que fica no alto de uma colina, a dominar a cidade. Ao olhar aquelas encostas percebi, mais uma vez, o que tinha perdido: no blossoms, of course. Mas o meu encantamento era tal (a alternativa de copas multicolores também é muito bonita) que já não me apeteceu insultar nada nem ninguém. Fiquei simplesmente a olhar, a esquadrinhar pormenores, para não perder nada, a registar os melhores enquadramentos, numa ginástica desesperada para meter dentro da máquina aquela beleza impossível de levar para casa.
Noite suave, nem um pouco de frio. Caminhei junto ao rio, a ver os bares de madeira com lanternas vermelhas e casais de namorados sentados nas margens do rio Kamo, que atravessa a cidade, e dirigi-me ao bairro das gueixas, criaturas que sempre me perturbaram muito.
Sabiam que há 200 gueixas em Quioto? E que as turistas podem maquilhar-se à gueixa por seis mil ienes (preço especial, porque estranhamente as japonesas têm de pagar muito mais – dez mil). Por falar em números, Youmi disse-nos que Quioto tem 1600 templos budistas e cerca de 300 santuários xintoístas. Impressionante!
Fotos: em cima Sanjusangendo, o templo das mil estátuas, em baixo Kiyomizu



Kiyomizu é uma das maravilhas do mundo. Não são sete, felizmente. São muito mais.
Inesquecível. E Quioto, toda ela, é uma das maravilhas do mundo.
Não apenas Vinicius, mas muitos outros intérpretes brasileiros são populares no Japão. O Brasil recebeu muitos japoneses fugidos da Guerra e tem hoje uma apreciável comunidade nipodescendente.
Em contrapartida, o Japão é muito aberto aos brasileiros que vão para lá fixar-se. Curiosamente, grande parte da comunidade brasileira no Japão é de “alternadeiras” caras, ‘gueixas’ ocidentais (a mulher ocidental é um ‘fetiche’ dos orientais), ainda em idade de ter muito para andar. Normalmente, ao fim de alguns anos e se não arranjam casamento ou alternativa estável, deixam o Japão e regressam ao Brasil num percurso lento: vão “alternar” para Hong Kong (e Macau), depois para Xangai ou Pequim, passam por Moscovo, etc., até chegar a casa. É esta a receita habitual.
Mas é estranho ouvir-se Vinicius em Quioto, João. Espera-se tudo menos isso.
Pois é, mas hoje em dia as brasileiras estão por toda a parte. Até em Quioto.
Dizem-me que Kiyomizu é ainda mais bonito no início do Outono. Eu tive a sorte de lá ir uma vez no Verão e uma outra na Primavera, mais ou menos por esta altura. Mas ainda não perdi a esperança de lá voltar num Outubro qualquer.
Obrigado, Teresa, por me permitir recordar de forma tão simples as cores, as formas e também os cheiros de locais que me são tão queridos.
Estou a gostar muito de viajar convosco 🙂
Mas não contes com o Groucho. Saiu logo no sexto dia e não volta. Snniiiiffffffff…
Continua com as aulas de harpa. Mas o Chico é capaz de aparecer por cá.
Fico Feliz que tenha podido visitar Sanju’San’gen’Do — para mim, a mais deslumbrante visão que este país alguma vez me proporcionou — e Kyomizu (“O Templo da Água Pura”) — de facto, também a mim me quer parecer que a estação mais propícia para uma visita a esta último lugar de assombro é no Outouno, mais precisamente pelo início de Novembro, por altura do “Ko’Yo” (mudança da folhagem das árvores — um fenómeno minuciosamente encenado, com as árvores a cobrirem-se de tons vermelhos, como labaredas, e como só o Japão nos dá destas coisas). Mas esta época do ano também é muito agradável para nos deixarmos levar adentro destes lugares de sonho.
Continuação de uma excelente viagem!
L.F. Afonso, NBJ, Kyushu, Japão.
Pois, são os tons de vermelho que se vêem na foto que eu tirei do Google. Quando a vi percebi que o Outono também deve ser deslumbrante, embora todos falem sempre da Primavera por causa das cerejeiras em flor.
As unhas já se foram, Teresa. Ou voltas depressa, ou fico sem as pontas dos dedos. E fazem-me muita falta.
Pronto, pronto, eu não quero é que te falte nada (Já estou de mala aviada. Grrr!)
Teresa, continuo a acompanhar a sua viagem com muito agrado.