6º dia (cont.) – À chegada a Quioto esperava-me um almoço no hotel com buffet onde se podia provar várias especialidades japonesas. Deparei com uma boa porção de pratos que ainda não tinha visto em lado nenhum. Decido experimentar tudo, em ínfimas porções. Só hesito em relação a uma coisa que só estava identificada em japonês e que eu não sabia muito bem se eram tripas de peixe ou um legume esquisito. Afiançam-me que aquilo é de origem vegetal, portanto decido provar. Não era mau. Também comi peixes em estado larvar (cheia de má consciência ambientalista). Os pequenitos não sabiam a nada.
Instalámo-nos em Quioto, mas o dia é dedicado a Nara, para onde seguimos de camioneta. A guia de hoje chama-se Imu. O seu inglês é fraquíssimo, mas neste caso tal limitação facilita a vida a quem quer tentar percebê-la, porque ela fala muito devagar. Dá palmadas na testa quando não consegue lembrar-se de uma palavra em inglês. Para enfatizar o que não consegue com o seu escasso vocabulário, levanta os calcanhares e abre os braços. Tem imensa piada. E é muito simpática, como todo este povo. Gostei do que vimos em Nara: um templo com o Buda maior do mundo e um santuário xintoísta lindíssimo, onde andavam veados à solta.
É sábado, passo a noite em Quioto, numa das zonas mais animadas da cidade. Cruzo-me com algumas vamps nipónicas. As que sabem arranjar-se ficam lindas, as outras parecem putas da baixa, consequências de uma péssima assimilação da cultura ocidental, I supose, ou então são apenas reflexos da tendência oriental para a piroseira.
Noto que algumas mulheres têm as pernas arqueadas em cima, o que lhes confere uma forma de andar muito peculiar. Comento isto com um homem, que me responde de imediato: não são só algumas, todas têm as pernas assim. De facto ainda não me tinha lembrado de olhar para as pernas de todas. Pois, não sou gajo.


esta série é fantástica, teresa. fiquei a imaginar as pernas arqueadas em cima. 🙂
Nunca tinha reparado neste detalhe, apesar de já termos uma grande comunidade de chineses em Portugal. É espantoso, Margarida. Quase nenhuma escapa.
De acordo: série de cartas muito boa!
As pernas arqueadas das mulheres é de facto uma realidade generalizada e estranha. Alguém me disse que era por terem andado com os pés enfaixados em pequenas (para estes não cresceram muito) e que se tornou genético Fantasia, julgo.
Se ainda estiver em Quioto: não deixe de ir às pequenas ruas das gueixas, na parte antiga, perto do rio. Os guias evitam levar lá os turistas.
E também à nova estação de comboios, um colosso arquitectónico! O hotel em que fiquei era lá dentro.
De facto fui ao bairro das gueixas, Joana. Mas por pouco não via nenhuma na rua. São muito esquivas. Mas gostei muito de conhecer o bairro. Já a estação nova ficou para trás.
De facto, muitas mulheres orientais têm pernas tortas. Indaguei sobre o assunto, naturalmente, e garantiram-me que a estrutura óssea é afectada pelo facto de os bebés japoneses (tal como os chineses) não serem amamentados em regra pelo leite materno, nem sequer por leite de origem animal, mas por leite de soja, que não tem as mesmas propriedades nutrientes. Quando crescem, muitos (muitas) ficam no estado que a foto documenta. Foto algo tendenciosa, reconheçamos. Ó Teresa: não haveria, ao menos na célebre Rua das Gueixas que tanto gostei de conhecer em Quioto, algo bem melhor para fotografar?
A foto foi criteriosamente escolhida do Google. Não me digas que não gostaste (eh!eh!eh!)
Quero ver-te vestida de gueixa no próximo jantar!
🙂
só para dizer que tinha subscrito ha uns tempos este blog (ja nao me lembro pq) e que entretanto vou fazer unsubscribe, pq nao me interessa ler diarios de viagem dos seus membros…
so para terem feedback dos leitores.
grouchomarx
Ora essa, caro Grouxo, faça favor. Não queremos cá ninguém contrariado, muito menos gente famosa! Não se esqueça é de deixar o crachat e a camisola na recepção, quando sair.
:o)
LOOLLL (com mil desculpas ao João Carvalho)
:))
Ora, o João está muito moderno, Ariel. Até já faz caretas e tudo! Está aqui está a fumar, já lhe disse…
O Groucho foi coerente. Sempre ouvi dizer que ele jamais seria sócio de clube algum (ou assinante de blogue algum, tanto faz). Só gostava de saber o que o Harpo tem a dizer sobre o assunto.
Honk ! Honk ! yours sincerely, Harpo
Tens razão. Entretanto, o Harpo já me “disse” que tinha pena, mas que o irmão nunca soube escolher bem as companhias…
🙂
Bai, bai, Groucho.
Vamos sentir muito a sua falta, Groucho.
Por favor, faça o seguinte: não sabemos para onde vai, mas mande de lá saudades. Que é coisa que cá não deixa.
De gueixa, Ana? Nem morta! Se há coisa que me incomoda é a existência dessas criaturas, um autêntico atentado à dignidade feminina.
O Groucho tambem nao gosta de greixas. Quero dizer, de gueixas.
Ohhh… eu acho que davas uma gueixa linda!
(mas daquelas que, de gueixa, só têm a fatiota…)
🙂
Tal como o Pedro Correia refere, muitas mulheres chinesas também têm as pernas arqueadas,o que sempre me suscitou curiosidade.
Continuação de boa viagem
Obrigada, Hugo.
O Pedro roubou-me o comentário com a pergunta final. Mas reforço: não se arranjam umas pernas melhores aí em Quioto? 😉
E já agora, aproveitando a dica da Ana, tire (e publique… risos) uma foto vestida de gueixa. 😯
E para que quero eu umas melhores pernas em Quioto, Mike? Que coisa!
“Pois, não sou gajo.”
Ainda bem Senhora, ainda bem.
Muita inveja e Continuação de excelente viajem
Não se amofine, respeitoso anónimo.
Essa das pernas tortas deixou-me de cara à banda, nunca tinha ouvido falar. A explicação do leite de soja dada acima pelo Pedro Correia também é, para mim, novidade. O que a gente aprende por aqui…
:))
Joelhos para dentro, pernas arqueadas e geralmente gorduchas, pezinhos para dentro. No caso nipónico em particular, não é bem a ideia que venderam ao Pedro (mais acima). É genético e tem origem ancestral: comem de joelhos, junto ao chão, sentadas com os joelhos para dentro, as pernas em a abrir em ângulo e os pés para dentro. Fiz-me perceber?
Lembro-me do buda de Nara.
Ainda a propósito daquele Dezembro que já lá vai, não posso queixar-me: apanhei o Japão vestido de neve e com céu quase sempre azul, profusamente enfeitado de luz e cor a anunciar a época natalícia. Que mais podia eu querer? Fiz parte de um belíssimo postal ilustrado gigante, foi o que foi.
Hum… posso imaginar O Japão com neve deve ficar irresistível.
Eu queria escrever outro haikai mas a inveja é musa pouco inspiradora…
🙂