Caro presidente Obama,
Sei que é um homem muito ocupado, não lhe tomo muito tempo. Venho apenas lembrá-lo de que tem em casa um Nobel da Paz. Mais: um prémio que lhe foi atribuído por antecipação, antes de qualquer obra de vulto que o justificasse. Ou seja, um inédito voto de confiança no seu carácter e na sua capacidade de promover a paz no mundo, que o sentou directamente ao lado de pessoas como Nelson Mandela e Madre Teresa de Calcutá. Tem agora uma excelente ocasião para provar que mereceu essa honra. Espero, sinceramente, que não a desperdice.


Chapeau !!
este?
ou este
?
o pior é que, muito provavelmente, vai acabar por ser este
Apanhada do lixo… uma possível resposta
Cara Ana, li a sua carta com toda a atenção. Aliás, a carta foi mesmo lida antes de ter sido publicada, porque a Ana nos merece a mais cuidada atenção. Escolheu duas figuras que muito prezo, que se devem sempre ser lembradas em determinados discursos, para certo tipo de eleitores.
Porém, não deixo de lembrar outros dois laureados, Kissinger e Shimon Peres, ainda bem activos, com quem me sento. Por vezes pode ser preciso invocar a guerra, para manter a minha paz. E se me laurearam, foi para os deixar em paz, ou não teria paz. Cumprimentos protocolares, etc…
Agradeço a gentileza, amigo Barak, mas nada de batotas. Não há guerras boas, nem invocações de paz que justifiquem uma guerra. E a sua paz não é, desculpe lá a franqueza, o mais importante nesta equação. Não foi por acaso que escolhi os nomes que lhe dei como exemplo. Pense bem.
Há grande insistência dos conselheiros neste assunto.
Há muitos anos que ouço:
– It’s time to get Syrious.
– Be Syrious, peace off.
Afinal, a paz no fundo passa pela pazada.
Syriously? Peace of cake.
… or cooked peas.
Kruschev dizia “we will bury you”… e esse entendimento de paz com pás funda na língua. Capaz é hoje o que enterra e não o que desenterra.
O instrumento é o mesmo, mas o gesto e gesta são opostos.
Inspirados nos pós, o cinzentismo pós-guerra está a consumir-se em pós das cinzas.
Agora, enquanto o petróleo sobe e desce folgam as bolsas e enchem-se bolsos.
Enfim, esta desconversa é conversa, quando versa o verso e o reverso.
Subscrevo-a já.
🙂
Ana Lima,
olhe que essa petição até que não está mal esgalhada. Mas deixe-me acrescentar algo para ajudar a uma melhor pacificação:
Obama, eu sei que isto do nobel até pode resultar com Mandela e Madre Teresa, mas não vejo que tenha a cara de um PR dos EUA. Com tantos interesses industriais e pressões por detrás, Deus te valha!
Vamos então à dica: Está muito bem essa questão de controlar as armas químicas, pois elas são a arma dos pobres. Mas se não fizeres, em paralelo, pressão para que Israel desmantele o seu arsenal nuclear garanto-te que não haverá paz naquela região. Paralelamente deves transformar a Palestina num oásis, e o Egipto num país respeitador das normas democráticas. Claro está que isto não resultará sem que os EUA, e outros, dêem um coice na AlQaeda que tanto jeito vos tem dado na Líbia, Iraque e na Síria. E tens de dizer à Turquia que há questões antigas para resolver. Tu vê lá! Sem isto não conseguirás convencer ninguém. Olha que a intervenção no Iraque, a quem os EUA, e não só, apoiaram na guerra contra o Irão, despoletou a crise que ainda hoje vivemos. Olha que o 11 de Setembro (9/11) está ligado a tudo isto.
Israel jamais terá paz enquanto não ceder o que tem a ceder. Lembro-te o ataque terrorista a Munique; era aqui que Israel devia ter começado a pensar na construção da paz. Depois disto resolvido vai dar uma abraço ao teu homólogo iraniano e vem tomar café a Portugal, pois nós necessitamos de ajuda de peso para as negociações já efectuadas com o FMI. É tudo oficioso, mas tornar-se-á oficial com a tua ajuda.
Já agora, por favor, convence o congresso a aumentar os pagamentos na base dos Açores ou então faço uma petição aqui no DO para que aluguemos a base aos Chineses, e também oferecemo-lhes a construção de um porto para eles atracarem os porta-aviões que irão construir.
Olha que a coisa por aqui está preta, um tipo para ter tostão prá bucha tem de ser pró-activo. Sim, agora quem não for pró-activo não consegue emprego inferior a € 500,00. Quem não precisa disto, da pró-actividade, são os financeiros, eles têm quem seja por eles. É veres o Passos a dar-lhes uma mãozinha. Vê se o convences a ouvir o Paulo Portas. Tenho esperança que o Portas nos traga boas notícias. Diz-lhe também, por mim, que ele teve uma boa ideia em mandar calar alguns de seus ministros. Não fosse isso a coisa estava pior. Quem sabe o Pires de Lima não desista dessa estória de baixar o IRC (nos próximos dois anos) e comece a pensar em baixar o IRS e a reduzir o IVA só para os morfos (comida em português), aumentando-o na compra de perfumes, colares de diamantes outras pedritas e etc.
Pronto, já sei que estás farto de me ouvires, mas, porra!, ao menos ouve!
Amigo, isso é informação a mais. O homem tem muito que fazer, há que ser sintético.
(ah, e não me chamo Ana Lima… 🙂
Adenda:
Ó Aninha, a Aninha perdoe esta troca de nomes. Eu estava com outra janela aberta a ler um texto da Ana Lima e, por efeito de simpatia, escrevi seu nome, dela, no seu post.
A Aninha não me leve a mal. Quem sabe o copo de leite que bebi para dormir quentinho não me tenha turvado a vista.
Já estava com saudades suas. Belo post!
Ora, Inho, eu ia lá levar-lhe a mal uma troca de nomes. Mas tenha cuidado com as janelas abertas, olhe que já está um arzinho de Outono…
ana vidal…de calcutá?
discurso do nobel de obama: eace/laureates/2009/obama-lecture_en.htm l
http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/p
http://www.meionorte.com/josefortes/obam a-recebe-nobel-e-defende-a-guerra-para-a lcancar-a-paz-110017.html
Pois, lembro-me bem desse discurso. Mas espero que ele tenha isto bem presente na hora das decisões sérias: “Our actions matter, and can bend history in the direction of justice.”
Eu sempre acreditei no Obama e continuo a acreditar. É um homem honesto e de bom coração. Não é fácil, na posição em que está, tomar certas decisões. Esta coisa da Síria está a arrasar com ele, vê-se-lhe no rosto. E o facto de ter chegado agora a um acordo com a Rússia quanto às armas químicas não se deve, com certeza, à humanidade de Putin…
Eu também gosto do Obama, Cristina. Fiquei feliz com o passo importante que significou a eleição de um “preto” num país que ainda há poucos anos os segregava abertamente, e teria votado nele se fosse americana. Mas os presidentes dos EUA costumam pecar por arrogância. Assumiram e integraram o papel de senhores do mundo, arbitrando todos os conflitos. E no que toca a guerras alheias, já têm uma boa dose de intervenções desastrosas com as consequências que se sabe. Obama tem obrigação de esgotar todas as hipóteses de encontrar uma solução diplomática na Síria, mas, pelo contrário, vejo-o muito mais interessado em encontrar razões para avançar com armas. Por isso venho “lembrá-lo” daquilo que significa ser Nobel da Paz.
Sim, eu até sou de opinião que o facto de um “preto” ter sido eleito Presidente dos EUA, numa altura em que ainda se achava isso impossível, já é passível de ser premiado com o Nobel. Sei que é discutível. Talvez a Academia devesse ter dado o prémio aos eleitores, em vez de ao eleito. Assim um prémio para o povo americano, como já foi feito para o europeu… Mas também isso é muito polémico…
Sim, claro que eu também não tomo o Obama por um santinho. Mas a posição dele é difícil, mais ainda, quando se sente ameaçado por Putin. Este, felizmente, teve consciência de que o mundo inteiro se encontra indignado com as imagens horríveis chegadas da Síria. E talvez tenha tido medo do ataque americano… Enquanto não passar da ameaça…
A ver vamos. Mantenhamos a fé!

Mantenhamos a fé, Cristina. Quanto mais não seja, no bom senso que parece ter presidido até agora às decisões de Obama.
Acredito que toda a gente é a favor da paz, até o presidente americano.
No entanto as escolhas do presidente americano não são tão simples como entre a guerra e a paz.
Mais entre inocentes Sírios inocentes e americanos inocentes, ou entre soldados sírios e soldados americanos. Ou fazer a guerra no seu ou no quintal dos outros.
Claro, será sempre melhor desarma-los do que atacá-los. Mas o presidente daquele país já pediu mil milhões para o fazer quando já existem fortes suspeitas de que já escondeu o que tinha de esconder.
Gostava muito que o prémio Nóbel da Paz influenciasse o laureados no sentido da paz.
Mas, e se não houvesse escolha possível?
Certo, não existem boas guerras, mas e se a guerra for um dever e não uma opção?
Já reparou que o destinatário das suas palavras foi o presidente americano?
E que tal falar um pouco ao presidente Sírio?
Ou o presidente Russo?
Ou o presidente Angolano?
Obama não é um santo e não é inocente. É um homem com uma missão, e como todos os líderes, prefere passar por mau do que passar por fraco.
Melhores cumps. 😉
Claro que não é simples, caro Dinis. Percebo perfeitamente que há muita coisa em jogo, sobretudo a necessidade de uma demonstração firme de autoridade por parte dos EUA. O problema é que essas demonstrações de autoridade equivalem quase sempre a demonstrações de força e traduzem-se em guerras tão inúteis como sangrentas, e muitas vezes com pés de barro a sustentá-las. Como esquecer que o país que mais parece querer controlar e dar lições de moral sobre armamento nuclear internacional é precisamente aquele (o único, que se saiba) que usou armas nucleares sobre populações civis indefesas? Para se ter autoridade é preciso ser-se um exemplo.
As minhas palavras dirigem-se ao presidente americano e não aos outros que refere por duas razões: 1. Porque é o único deles que é Nobel da Paz, e isso significa uma responsabilidade acrescida. 2. Porque, ao contrário dos outros, em Obama ainda tenho alguma esperança. 🙂