Há empresas especialistas em manipulação e propaganda política que, não apenas nos filmes com teorias de conspiração, prevêem comportamentos e tendências e encaram a população como… não há outra forma de o dizer, portanto aí vai, uma carneirada capaz de se deixar enganar com os engodos mais simples. Todos achamos que somos inteligentes, bem formados, temos bom gosto e somos moralmente corajosos e esclarecidos e, por isso mesmo, iremos negar essa possibilidade de manipulação.
Ontem alguém me dizia: “eu uso as redes sociais mas não embarco naquilo”. A mesma pessoa, há cerca de duas semanas, lamentou a morte de Umberto Eco, a circular por aí como uma novidade, apesar de ser uma postagem com mais de um ano. Não abriu a informação, leu as gordas e lamentou a morte do autor de O Nome da Rosa. Desde que frequento as redes sociais, o Vasco Granja já morreu uma dez vezes. Há sempre quem se comova e apresente as condolências com um sentido de oportunidade digamos que estranho.
Estes episódios são exemplos quase que inocentes de como não filtramos nem analisamos a informação distribuída nas redes sociais. Lemos as gordas e comentamos. Publicamos fotografias da nossa vidinha feliz e partilhamos notícias que nos importam e que podem ajudar a criar um perfil de quem somos, do que gostamos, no limite, daqueles em quem podemos votar. Se nos atirarem areia nem coçamos os olhos. Aceitamos.
Assim mesmo se explica que a campanha para a Presidência dos Estados Unidos tenha conquistado tantos adeptos, os mesmos milhões que votaram no senhor Trump. Teriam as pessoas a noção exacta daquele em quem estavam a votar? O mais certo é a resposta ser: não. Só assim se entende a percentagem de latinos e afro-americanos que votaram neste 45º Presidente dos EUA. É inegável que o senhor não é fã de nenhuma destas componentes da sociedade.
O Parlamento Europeu convidou Mark Zuckerberg a explicar como se podem – ou não – manipular os dados pessoais dos cerca de 500 milhões que utilizam o Facebook. Até ao momento em que escrevo esta crónica, o senhor todo-poderoso das redes sociais não deu uma resposta. O convite surge por causa das notícias (divulgadas pelo London Observer e pelo New York Times) que correram mundo rapidamente: uma empresa com sede no Reino Unido, a Cambridge Analytica, usou informação do Facebook para auxiliar a eleição de Donald Trump, em Novembro de 2016. Há uma violação clara dos direitos das pessoas? Pois.
A dita cuja empresa que, alegadamente, terá manipulado os dados, recusa as acusações (Então? Estavam à espera do quê?) e afirma-se disponível para ajudar em qualquer investigação. A verdade é que existem relatos – embora indirectos – de que a empresa se especializou em criar situações online com objectivos específicos, seja fazer ganhar eleições, seja fazer cair políticos corruptos. As investigações levarão a eternidade do costume, entretanto, as redes sociais – e outras empresas às quais damos os nossos dados, bancos, lojas, etc, etc – continuarão a dar-nos de comer e nós iremos comer às suas mãos, obedientes e de olhos fechados.

A manipulação sempre existiu.
Desde a bruxaria primitiva à política atual, com as religiões a tempo inteiro.
Não tardará a ser considerada como lobby inocente.
À imagem do marketing.
E o povo, carne para canhão.
Cada vez menos fresca.
João de Brito
Não concordo nada com mais esta paranóia securitária que no fundo quer explicar tudo – os acontecimentos políticos, se calhar as guerras – por uma conspiração das redes sociais. Grande treta.
Se alguém mudou o voto por uma mensagem que leu, pobre coitado, mudava-o com uma conversa de café ou uma notícia tablóide de telejornal. Era manipulado, na mesma, claro.
Eu nunca republico pelas gordas que leio, desconfio sempre da fonte se não a conheço. Não me acho assediado de publicidade no Facebook – nem para ela olho -, sei bemque recebo mensagens das fontes que declarei como de meu interesse, e mesmo essas filtro-as.
Medo, medo, tenho desta gente persecutória, que odeia a liberdade inteira e o sucesso. Gente que pensa, no fundo, como Putin ou Jinping, que é precido controlar, controlar, controlar. Malditos sejam. O perigo fascista está neles, nos maníacos do controle, nos guardiões da moral e do bom comportamento, nos novos Inquisidores.
O Facebook é um produto popularucho, com tendência para o reles, comercial e consumista, mas é livre. Porque é livre como o vento, porque é livre.
Zuckerberg faz-lhes raiva, raivinha e inveja, e o que é.
O que a Cambridge Analytica fez é o que faz o facebook todos dias. O problema para Zuckerberg é que não foi ele a vender a info, foi o tal “investigador universitário”.
Já não recordo quando apaguei a minha conta facebook, foi antes do IPO, portanto, há muito tempo. E já era claro que era uma perda de tempo e um atentado à privacidade. Hoje é muitíssimo mais perigosa. Como escreveu Toffler (há 30 anos!) quem dominar as redes domina a informação, e a informação será a maior commoditie.
Muita gente ainda não percebeu duas coisas:
o facebook é uma agência publicitária
o produto que o facebook “fabrica” são os utilizadores
Continuem a dar-lhe material de borla. Os publicitários têm duas palavras mágicas para engodo, “grátis” e “novo”. Zuckerberg apanhou o pessoal com o “grátis”. Mas não há almoços grátis.
Não há carneirada nenhuma. O que há é pessoas com certos interesses e/ou tendências. O Facebook descobre, através das páginas que cada pessoa visita, quais as tendências e interesses dessa pessoa; depois, apresenta-lhe publicidade de acordo com essas tendências e interesses. Em última análise, isso até pode ser benéfico para a própia pessoa.
A Cambridge Analytica nada fez de novo – fez algo que a Google e o Facebook regularmente fazem.
Eu costumo dizer muito “não à carneirada”, mas outro dia lí uma frase bem mais interessante e que tem, para mim, o mesmo significado: “ainda que todos, eu não!”
anonima
Onde está essa mirabolante informação que fez as pessoas votarem em Trump?
Até agora nada.
Por exemplo a autora apresenta factos sobre Umberto Eco e o Vasco Granja.
E onde estão os sobre Trump?
Isto nem chega ao truque básico da habitual manipulação feita pelo jornalistas que é usar um pequeno facto particular para fabricar uma teoria geral.
Aqui é simplesmente outro facto que não tem nada que ver com Trump.
Agora que faça o mesmo sobre Trump. Demonstre.
Não se esconda com Vasco Granja e Umberto Eco.
” É inegável que o senhor não é fã de nenhuma destas componentes da sociedade.”
É inegável? Um excelente exemplo como a autora é facilmente “manipulável”
Este testo da autora é um excelente exemplo de “carneirada”. Aliás não há maior rebanho que o jornalismo hoje, onde todos pensam o mesmo sobre tudo e escrevem sempre sobre o mesmo.
Sobre a acusação de racismo.
É o jornalismo e o Partido Democrata sobre influência dos conceitos Marxistas que divide os americanos e grupos sexuais, raciais para os explorar.
Em vez do único povo do Martin Luther King temos os grupos que serão obviamente permanentes pois serão necessários à lógica eleitoral.
Ao texto da autora, se fosse escrito por uma americana de esquerda não faltaria uma referência aos “homens brancos”.
Por cá o Publico já se ensaiou. Por enquanto por cá o Marxo-Corporativismo é sexual, mas dou cerca um ano para passar a ser também racial especialmente se a Esquerda perder eleições ou não tiver maioria.
Foi ainda curioso como a autora omitiu -pode ser esquecimento – o voto das mulheres brancas.
Atacam boa parte da população e depois admiram-se que votem noutro qualquer que ele seja.
https://www.theguardian.com/world/2012/f eb/17/obama-digital-data-machine-faceboo k-election