Danica Patrick (o link é para o site oficial mas, rapazes, se forem apreciadores de AC Cobras, ide antes aqui) obtém a pole position para as 500 Milhas de Daytona.
(É que serem melhores em medicina, direito e investigação científica um tipo ainda encaixa, agora ao volante… Bom, mantenhamos a calma: uma oval é uma pista fácil, com poucas curvas – e todas para o mesmo lado.)

Não se esqueça da Michelle Mouton aqui no rally TAP e a mais “antiga” Pat Moss Carlson, irmã do Stirling Moss, que ganhou Monte Carlo. Ah pois…
Não esqueço. Eu até vi a Michèle em acção nos bons velhos tempos de Arganil. Mas não me estrague a provocação. 🙂
Já agora, convenhamos que em 1981-1982 a Michèle dispunha do melhor carro e que em Portugal ganhou devido aos problemas de Hannu Mikkola, o companheiro de equipa. Ainda assim, as quatro vitórias que conseguiu ao longo da carreira não deixam de ser um feito notável, num campeonato – e num desporto – em que as provas são mistas e o plano físico conta bastante. (Bolas, agora estou eu a auto-sabotar-me.)
Tb vi a Michéle no autódromo a tentar meter o audi 4 a pionar… mas aquilo não dava.
Na terra era uma brutalidade, para onde ela virava o volante era para onde o audi ía. Em Sintra à noite, parecia que tinham posto carris do TGV no alcatrão… era o que se quisesse… sempre a dar-lhe, prego a fundo.
Em 1981, no primeiro ano do Audi Quattro , o Markku Alen venceu o rali com o 131 Abarth depois de perder uma roda em Sintra e acabar o troço em marcha-atrás – mas só porque o Mikkola desistiu. Eu vi o Quattro passar na zona de Arganil e fiquei estupefacto – e desiludido: de facto, aquilo não derrapava um milímetro. Já o Alen passou com a traseira do Fiat a acariciar a berma. Talvez por isso nunca fui grande fã do Quattro (o Sport , muito mais potente, já era mais divertido – mesmo com Walter Rohrl , o mestre das trajectórias limpas, ao volante).
É por causa da superioridade do Audi que eu não considero a Mouton um piloto (ambos os géneros considerados) fora de série. Era batida regularmente pelo Mikkola , com um carro igual. Mas, levando em conta a questão física (ninguém espera que Shelley-Ann Pryce seja mais rápida nos cem metros que o compatriota Usain Bolt ), tinha um andamento digno de registo. Dito isto, a
Diabos, o que se passou? Estava tudo bem – ou pelo menos até eu verificar a ortografia.
Já agora, quanto a mulheres no rali de Portugal, em 1990 também houve a Louise Aitken-Walker e este banho, creio que na zona de Figueiró dos Vinhos: _V8
http://www.youtube.com/watch?v=iLHGC5Wz
(Adoro o espectador que, com uma circunspecção a toda a prova, diz: “Ora foda-se.”)
Para uma pessoa ser melhor condutora do que outra bastam coisas impercetíveis como ter melhor visão. Há pessoas que têm uma visão muitíssimo melhor do que outras e isso reflete-se fortemente no seu desempenho em qualquer desporto que meta velocidade. Eu, por exemplo, a jogar badminton era fortemente prejudicado pela minha fraca vista.
Não é só visão é também cérebro, de uma maneira geral as mulheres têm mais dificuldades comparativamente aos homens em lidar com as distâncias e o movimento. A cinemática. É possível que milhares de anos de caça e combate tenham desenvolvido mais essa capacidade nos homens.
Obviamente que ao fazermos cada vez mais as mesmas coisas a diferenças se irão esbater.
Deve aliás ser por isso que, durante séculos, a desculpa típica para a violência doméstica (de que elas tinham ido contra as portas) funcionou.
/fica quarenta segundos a pensar se será melhor não publicar o comentário
/toma a decisão errada
Meh…
http://www.bbc.co.uk/science/humanbody/s ex/articles/spatial_tests.shtml
http://www.sciencedaily.com/releases/200 8/12/081209100948.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Spatial_vis ualization_ability
Não estava duvidar, lucklucky, apenas a ironizar. Mas obrigado pelos links; são interessantes.
Luís, não está a pretender dizer que a Danica é das poucas mulheres com boa visão? Ainda por cima quando todos sabemos que a maioria das mulheres só não vê o que não quer ver. 🙂
Pior ainda: esta até é capaz de verificar o nível de óleo ou mudar um pneu sem ajuda!
E logo quando tantos homens não se importariam de ajudar…
Ao contrário do que se possa pensar é mais exigente conduzir num circuito oval do que numa pista “normal” pois não existem zonas de “descanso” para o piloto , tem de ser a fundo e sete olhos.
Quanto ao piloto em si penso ser mais um produto de marketing americano , que tendo valor ( teria sempre de ter) optou a equipa por uma senhora ao volante para dar mais visibilidade publicitária.
As mulheres depois de treinadas são tão boas ou melhores que os homens e quando digo melhores é mesmo melhores.
Bolas, até o Mel Gibson (enfim, a versão politicamente correcta dele) me tenta sabotar…
Vejamos:
Quanto ao circuito, claro que não é fácil fazer as curvas sempre a velocidades ridiculamente elevadas, no limite da aderência (curvas rápidas são o género de curvas onde é preciso mais coragem para estar próximo do limite). Ainda assim, não sei se uma oval será necessariamente mais difícil do que uma pista como Spa Francorchamps, com mistura de curvas, rectas – e relevo. Mas ok – de resto, a frase final do post era apenas uma óbvia desculpa esfarrapada.
Creio que é um bocadinho injusto chamar produto de marketing à Danica Patrick. Evidentemente, aproveita-se o facto de ela ser uma mulher (aproveita-o desde logo ela). Mas Danica levou sempre a carreira muito a sério, tendo começado nos karts e vindo para o Reino Unido correr em Fórmula Ford antes de regressar aos EUA. Para além disso, ao contrário de muitas outras no passado (Giovanna Amati, por exemplo, que tentou a Fórmula 1 em 1992), tem conseguido excelentes resultados. É a única mulher até hoje a ter vencido uma prova do campeonato Indy e foi quarta em 2005 e terceira em 2009 nas 500 Milhas de Indianapolis.
Quanto a, depois de treinadas, as mulheres serem sempre melhores do que os homens, não concordo por uma simples razão: capacidades físicas. Como escrevi mais acima, ninguém espera que a Shelly-Ann Fraser-Pryce (medalha de ouro nos cem metros dos Jogos Olímpicos de Londres) seja mais rápida que o Usain Bolt. E, apesar de na competição automóvel a questão física não ser tão importante como noutros desportos, é-o sufucientemente para que as mulheres tenham problemas em bater os homens de forma regular.
Eu não disse que as mulheres depois de treinadas seriam melhores que os homens , apenas e só que em grande parte as diferenças são mínimas ou os igualam e nalguns casos os vencem pois em determinadas ocupações a sua diferença em relação aos homens as torna melhores.
Eu referi circuitos ovais na generalidade , que são “todos” iguais você referiu um que é para extraterrestres e quase não tem zonas de ultrapassagem.
Por acaso já tinha visto a piloto em questão na Bola on-line e fiquei logo com a ideia de ser mais marketing que outra coisa mas obviamente reconheço o mérito.
Mas voltemos á Terra que a piloto não nos paga as dividas e já agora obrigado pelo elogio , ehehehehhe .