Capazes disso e de muito mais


Pedro Correia,

Por uma vez, estou de acordo com Marinho e Pinto. É chocante o absentismo crónico dos eurodeputados, principescamente remunerados pelos contribuintes dos seus países. Nem 5% marcaram presença no plenário que fazia a avaliação da anterior presidência europeia – ainda por cima sabendo-se que compete ao Parlamento Europeu fiscalizar o desempenho do Conselho Europeu, o que aumentava a responsabilidade de quem não se dignou comparecer no hemiciclo de Estrasburgo, onde havia mais de 700 lugares vazios.

Só a folha que assinala o registo de presenças não estava vazia: constavam lá 703 assinaturas de eurodeputados, que se limitaram a pôr o gatafunho no papel antes de darem de frosques. Não se admirem se algumas destas sumidades aparecerem um dia destes na televisão a debitar lições de ética de política aos compatriotas que lhes pagam os salários.

São capazes disso e de muito mais.

28 comentários em “Capazes disso e de muito mais”

  1. Só a folha que assinala o registo de presenças não estava vazia: constavam lá 703 assinaturas de eurodeputados, que se limitaram a pôr o gatafunho no papel antes de darem de frosques.

    Ora bem. É aí que o argumento de Paulo Rangel, Marisa Matias e outros cai por terra. Se o trabalho de gabinete e ir passear para o shopping contasse como trabalho de bancada não havia lista de presenças.

    Faz-me lembrar como nas, copiar ou ludibriar os professores passa impune e como esta cultura de conseguir as coisas sem mérito se generalizou em todas as instituições (pelos vistos não é só cá) — e como é isto de facto que cria as cunhas, o facilitismo e aquilo que é o o princípio de uma sociedade onde os que têm princípios são sempre ultrapassados pelos que, cheios de palavras e de “direitos”, no fundo são os primeiros a moldar os princípios às suas necessidades.

    E o que cria as depressões naqueles que preferem que se parta a que se dobre alguma vez.

    1. Estas senhoras e estes senhores, com semelhantes comportamentos, contribuem para aumentar ainda mais o fosso entre os cidadãos e a política. Convinha que percebessem isto muito bem.

      1. O que convinha é que os cidadãos percebessem isso, assim como perceberem que o que é normal é a classe política defender os direitos dos cidadãos e não os seus próprios interesses.

      2. “contribuem para aumentar ainda mais o fosso entre os cidadãos e a política”

        Esta não percebo, os eurodeputados Não podem Propor nem Vetar Leis e não quer aumentar o fosso entre os cidadãos e a política?
        Não percebeu que a ideia de um Governo Global é mesmo essa?
        Esse fosso é o Objectivo Final, os cidadãos não terem Voto Nenhum em Matéria Nenhuma, em relação às suas escolhas nem a poder controlar o seu próprio Destino.

        Não entende que isto das Dívidas impagáveis (a nossa em relação ao PIB já vai nos 137,99%) serve, apenas, para controlar Parlamentos e poderem implementar o que quiserem?
        A tal elite dos triliões, dinheiro já tem mas, quer Poder e Controle, Totais, sobre todos os seres humanos e, o caminho tem sido percorrido, paulatinamente, nessa direção. Mas aqui é preciso saber História, como foi criado o FED, quem fabrica e controla o Dinheiro e quem, realmente, tem controlado, nos bastidores, a política mundial. Se pensa que os próprios Presidentes americanos têm algum voto na matéria, basta ouvir quem trabalhou para Ronald Reagan dizer que havia dinheiro a ser desviado para operações externas que nem o próprio presidente podia saber, nem quanto nem para quê.
        Deep State, para si não deve ter significado mas tem sido, precisamente, quem tem controlado o Mundo.
        A 1ª Sede das Nações Unidas foi construída num terreno oferecido pela família Rockefeller, coincidência? Um terreno que em 1949 valia 8 milhões de dólares, imagina a equivalência dessa importância, naquela altura, passada para os dias de hoje?
        A teia foi construída na perfeição porque, uma minoria, sempre soube onde queria chegar. Um FMI cujos bens são sigilosos e que nenhum tribunal de nenhum país tem poder sobre ele. Um Banco Mundial que quer todas as pessoas do Planeta identificadas, para quê? Quem os elegeu?

        Se quer a participação dos cidadãos não devia apoiar a Globalização e se apoia a farsa de que eles estão lá para fazer alguma coisa quando, apenas, estão lá para enganar e os cidadãos continuarem a pensar que ainda têm algum voto na matéria, nem sequer devia mencionar os eurodeputados porque, não se pode apoiar uma causa e o seu oposto.

        FED e BCE são Bancos Privados que imprimem dinheiro “do ar”. Começa a ser tudo óbvio porque a irreversibilidade também começa a ser óbvia.
        Presidente, Costa, Rui Rio… todos foram tomar “chazinho” no grupo bilderberg (outro fio da teia como o CFR – Council on Foreign Relations) por isso, o ataque a Passos, precisam dos dois maiores Partidos para implementarem “o Resto” ou não ouviu o “mas” quando saímos do Procedimento por Défice Excessivo, sobre o que é preciso fazer noutras áreas? Que áreas?
        Não saímos quando o Défice era 124% e, agora, alguma vez estamos melhor com 137,99% e a aumentar diariamente? Estamos melhor mas, para nos acabarem de fechar no Curral.
        Como pensa, eles terem conseguido atrasar o Brexit?
        Theresa May tinha maioria dos lugares para negociar a saída mas, “quis antecipar eleições para ficar mais forte para negociar com a UE” depois, recusou-se a ir a Debates com os concorrentes, puxou assuntos que nada tinham a ver com as eleições como controlar a net e Baixar Pensões e, isto é Normal?
        Não só perdeu lugares como tem de fazer coligações, isto é ser incompetente ou, apenas, saber seguir Ordens?

        Rui Rio vir à baila para substitui Passos, acaso?
        Pense nesta notícia que, quando deixei aqui o link, passou a não estar disponível mas, na net, não podem “varrer nada para debaixo do tapete”

        https://web.archive.org/web/20160329224248/http://www.tvi24.iol.pt/politica/rui-rio-antonio-costa-porto-lisboa-bilderberg/966700-4072.html

        Neste momento, a realidade mais importante é uns já terem “acordado” e outros continuam a “dormir”.
        Mesmo com toda a informação à distância de um teclado, como sempre, no passado e no presente, continua a ser tão fácil controlar e a manipular as “ovelhas”.
        https://www.youtube.com/watch?v=VllwRgSECcw
        Alan Watt – A Globalist Agenda For a Dumbed Down Domesticated Society – A Prison Planet special

        1. Passar dos setecentos e tal eurodeputados absentistas para o “governo global” é, uma vez mais, um salto temático de gigante.
          Os absentistas agradecem. Enquanto se fala no “governo global”, não se fala na vergonha atitude deles.

          1. Salto temático?

            Se não houvesse o Objectivo do Governo Global, não tinham sido criados cargos para gente que não tem voto em matéria nenhuma. Só nos servem para aumentar a Dívida.
            Deduzo que quando está na Sala, a sua Cozinha não exista, porque a sua casa deve depender da divisão onde estiver. O Todo é composto pelas Partes, mesmo que não as queira ver. E, francamente, não quero acreditar que possa ser tão ingénuo mas, o truque é bom, passemos a vida a falar dos sintomas, sem nunca tentar descobrir a doença mas, neste caso, sabemos o que acontece ao doente.
            Melhor, ao falar dos eurodeputados, fiquemos nas discussões importantíssimas da cor das gravatas e da marca das peúgas ou ainda melhor… a que clube de futebol pertencem, para não diminuir o QI da população portuguesa.

  2. É um desperdício em verbas e meios a actual estrutura do parlamento europeu. Podem eliminar desde já as eleições para esse órgão, deixando que o parlamento de cada país indique quais os deputados que aí vão debater temas que estejam na ordem do dia. Mas sem assentadeira permanente naquelas cadeiras e naqueles corredores. Ou casa montada naquelas paragens.

    1. deixando que o parlamento de cada país indique quais os deputados que aí vão debater temas que estejam na ordem do dia.

      Era preferível que os Ferros Rodrigues deste mundo e os batoteiros do PS controlassem as nomeações? Nem pensar. Deixe estar como está.

      1. “Ferros Rodrigues deste mundo e os batoteiros do PS” Batoteiros só porque não são do seu partido? No seu partido não há batoteiros? Estou a lembrar-me daquela do Presidente Mahmoud Ahmadinejad: quando o criticaram pelo tratamento ignóbil que davam aos homossexuais respondeu que “no meu país não há disso”.
        É como no seu partido: lá não há disso. É preciso mais racionalidade e menos insulto.

        1. Não há. Não tenho partido. De qualquer modo nunca gostei da ideia de nomeações políticas e de equilíbrios de interesses. Pode parecer muito uma coisa madura mas não é porque substitui a ideia de benefício comum pela melhor maneira que possa servir os cidadãos pela maneira que melhor possa servir o próprio jogo de equilíbrio — o que são coisas inteiramente distintas. E esse é o (vosso) grande falhanço e o falhanço continuado desde a Regeneração.

          1. “Não tenho partido” Que é que isto quer dizer? Não está inscrito num partido? Acredito. Não tem ideologia, não tem valores, não pensa? Não acredito.
            Tem ideologia, valores, pensa mas de forma original, que ainda não tornou pública, portanto não tem proximidade ideológica com nenhum partido, inventou tudo e está a escrever um livro? Acredito mas parece-me extremamente improvável.
            O mais provável nestes casos é o seguinte. A pessoa está na zona ideológica de um partido mas não se inscreveu e, por isso, diz-se apartidário. Mas claro que não é.

          2. Meu caro, rão kiau! O V, não tem partido , em razão de nenhum partido ter o V. O V pensa o que vê

            É improvável apenas para os que cegam seguindo.

            V, desculpe se errei.

          3. Nada disso. Ideologicamente eu estaria na área de um partido liberal, centrado na pequena economia e em legislação predominantemente regulatória e na re-organização do território centrado no paisagismo, mas em Portugal não há um partido liberal.

            Tirando uma vaga simpatia pelo já falecido arq. Ribeiro Telles (no aspecto mais directo de gerir um país com enfoque na valorização paisagística do território — por oposição ao enfoque que os partidos actuais dão à hermenêutica do Estado) não tenho nenhuma genealogia política.

        2. E apenas porque há batoteiros – aliás, um piedoso eufemismo – nos outros partidos, estão legitimados e acima de crítica aqueles que estão no PS. É isso?

          PS que por sinal, longe de ser o único na matéria – diga-se o que se disser, “a política”, nestas quatro décadas, albergou e alberga uma extensa associação de malfeitores, dividida entre os venais insaciáveis, muito provavelmente sem verdadeiro pensamento ideológico, reduzido a mero instrumento de gorda subsistência, e os defensores de ideologias e regimes que só o fanatismo desprovido de qualquer capacidade de verdadeiro raciocínio, ou a pura maldade, ainda sustenta; uns e outros há muito aliviados do conceito de vergonha -, deixa os outros, por larga margem, na pueril (mas assaz lucrativa, evidentemente, para os beneficiários) condição de meninos de coro.

          Mas para si, está visto, está tudo muito bem assim: os podres de uns purificam os podres de outros (ou pelo menos purificam os podres do PS, claro, por laico direito divino o dono do regime). Ressalvada a retórica da praxe, e própria de quem está de turno e de quem já lá esteve e conta com pendular, ainda que impaciente, certeza lá voltar, é deixar então a “classe política” e os gestores do regime rapinar em paz. E bico calado.

          Costa

          1. ” estão legitimados e acima de crítica aqueles que estão no PS. É isso?” Não, claro.

      2. As nomeações seriam feitas por efeito das percentagens de voto de cada partido obtidas nas legislativas. De onde seria afastado desde logo quem nunca se sujeito à sentença das urnas, como a verdura da Sra. D. Apolónia.

        1. Ah, então era uma forma de nos pouparem ao barulho e ao custo das “europeias”? Sou capaz de concordar por aí.

  3. “Do Parasitismo, cosmopolita e sumptuosamente pago, como uma das Belas Artes”.
    E vivá “união” europeia…

    1. Ressalve-se que Marinho e Pinto estava no seu lugar, sendo uma honrosa excepção à regra.
      Enquanto um eurodeputado justificou a ausência por estar a participar num debate televisivo e outro por participar numa das “inúmeras” (sic) reuniões paralelas no PE, sem especificar qual.

      1. Outro membro português do PE aproveitou para protestar contra as cansativas reuniões de comissões que ali se organizam.
        É, de facto, uma actividade desgastante. Tenho muita pena.

  4. Comprova-se que o que se passa em Portugal acontece também lá fora. Não é uma questão de psiquismo luso, mas sim de natureza humana.Somos todos feitos do mesmo barro. Apenas alguns felizardos têm a liberdade de mostrarem quem realmente são. Somos. Os outros,sem oportunidades, fazem de bonzinhos

    1. ” mas sim de natureza humana.” Claro. Há quem não compreenda a natureza humana e então ataca moinhos de vento.

      1. Isto não tem nada a ver com a natureza humana. Tem a ver com algo muito mais simples e linear: com o abuso da confiança que neles (os eurodeputados) depositaram os eleitores.

        1. Pedro, o parasitismo, o engano, o logro são características primatas/hominídeas….por essa razão o Socialismo nunca dará certo…os românticos estavam errados….mas afinal o que se sabia sobre o homo no séc. XVII?

          Enganamos, mais que o necessário, se tivermos a leve suspeita de não virmos a ser descobertos….Enganar abrevia sempre o caminho….

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