Este grupo “era” o Eric Carmen. Nascidos nos EUA na sequência da denominada “invasão inglesa” (The Beatles, The Who, The Hollies, etc) eram vagamente gozados porque tinham um ar muito certinho para a época.
“Go all the way” foi de longe (muito longe) a música de maior êxito do grupo e dado o carácter “ousado” da letra foi proíbida a sua difusão na BBC. Este facto remete-nos mais uma vez para o que venho dizendo (e ainda ontem referi a propósitp de França e do “Comme ils disent”) aos que acham que “lá fora era diferente” nessa época, as mentalidades eram outras e mais não sei o quê, essa é uma visão demasiado redutora e que, lamentavelmente, 48 anos depois do 25A ainda se mantém em demasiados aspectos das nossas vidas.
Só como exemplo de como a 2ª mais antiga democracia europeia (a mais antiga é a Suiça) olhava para isto aqui vai uma lista de alguns cantores e grupos que eu considerei insuspeitos até hoje e que viram canções suas proibidas na BBC: Cliff Richard, Frank Sinatra, Noël Coward, The Beatles, Ken Dodd, Elvis Presley, Bing Crosby, The BBC Dance Orchestra (a orquestra da casa!), Tom Lehrer, Glenn Miller, George Formby e, claro, quase todas as canções do Bob Dylan dos primeiros tempos. A estes e outros juntaram-se “Watterloo” dos ABBA e “Killer Queen” dos Queen e mais uns 70 quando começou a 1ª guerra do Golfo.
Voltando aos “Framboesas”, o Eric Carmen enveredou pela carreira a solo com o fim do grupo e a sua canção mais conhecida é “All by myself” (1975), com fortes influências do 2º andamento do Concerto para piano nº2 do Rachmaninoff, um concerto e em particular um andamento que sempre fizeram as delícias de qualquer tipo de público nos EUA e portanto era um bom “furo” (esse andamento – e às vezes o concerto todo – nunca falha nas colectâneas de pianistas clássicos americanos) O problema é que a obra já não estava sujeita a direitos de autor nos EUA mas estava no resto do mundo e, como se isso não chegasse, o bom do Eric Carmen baseou outra canção dele (“Never Gonna Fall in Love Again”) no 3º andamento da 2ª Sinfonia do mesmo compositor (já era mania). Em resumo, uma trabalheira dos diabos que se resolveu com os herdeiros do senhor a receberem uma percentagem das royalties para ao resto da vida (ainda devem estar a viver à conta disso).
É extremamente útil, em complemento a este desfile de canções que venho aqui trazendo, ler essas notas complementares que tem a paciência de nos transmitir. Saber-se que todos esses intérpretes – pelo menos esses – estiveram no índex da conspícua BBC, por exemplo. Útil também, como acentua, para relativizarmos certos atavismos que alguns imaginam ser exclusivos cá da terra noutras épocas.
Comecei a ouvir Eric Carmen, adolescente, já na fase pós-Raspberries – e nem imagino a quantidade de vezes que o ‘All By Myself’ rodou no meu gira-discos. Sem imaginar que aquela melodia extraída do célebre concerto n.º 2 para piano de Rachmaninoff viria a tornar-se – não muitos anos depois – também música da minha vida, por via do cinema. Ao escutá-la no hilariante ‘O Pecado Mora ao Lado’, de Billy Wilder, com Marilyn Monroe. Um filme de que gostei ao ponto de nunca mais ter querido revê-lo…
As canções, como se vê, são como as cerejas. Umas vão puxando outras. E enquanto falamos de canções não falamos de guerras (parafraseando John Lennon).
Este grupo “era” o Eric Carmen.
Nascidos nos EUA na sequência da denominada “invasão inglesa” (The Beatles, The Who, The Hollies, etc) eram vagamente gozados porque tinham um ar muito certinho para a época.
“Go all the way” foi de longe (muito longe) a música de maior êxito do grupo e dado o carácter “ousado” da letra foi proíbida a sua difusão na BBC.
Este facto remete-nos mais uma vez para o que venho dizendo (e ainda ontem referi a propósitp de França e do “Comme ils disent”) aos que acham que “lá fora era diferente” nessa época, as mentalidades eram outras e mais não sei o quê, essa é uma visão demasiado redutora e que, lamentavelmente, 48 anos depois do 25A ainda se mantém em demasiados aspectos das nossas vidas.
Só como exemplo de como a 2ª mais antiga democracia europeia (a mais antiga é a Suiça) olhava para isto aqui vai uma lista de alguns cantores e grupos que eu considerei insuspeitos até hoje e que viram canções suas proibidas na BBC:
Cliff Richard, Frank Sinatra, Noël Coward, The Beatles, Ken Dodd, Elvis Presley, Bing Crosby, The BBC Dance Orchestra (a orquestra da casa!), Tom Lehrer, Glenn Miller, George Formby e, claro, quase todas as canções do Bob Dylan dos primeiros tempos.
A estes e outros juntaram-se “Watterloo” dos ABBA e “Killer Queen” dos Queen e mais uns 70 quando começou a 1ª guerra do Golfo.
Voltando aos “Framboesas”, o Eric Carmen enveredou pela carreira a solo com o fim do grupo e a sua canção mais conhecida é “All by myself” (1975), com fortes influências do 2º andamento do Concerto para piano nº2 do Rachmaninoff, um concerto e em particular um andamento que sempre fizeram as delícias de qualquer tipo de público nos EUA e portanto era um bom “furo” (esse andamento – e às vezes o concerto todo – nunca falha nas colectâneas de pianistas clássicos americanos)
O problema é que a obra já não estava sujeita a direitos de autor nos EUA mas estava no resto do mundo e, como se isso não chegasse, o bom do Eric Carmen baseou outra canção dele (“Never Gonna Fall in Love Again”) no 3º andamento da 2ª Sinfonia do mesmo compositor (já era mania).
Em resumo, uma trabalheira dos diabos que se resolveu com os herdeiros do senhor a receberem uma percentagem das royalties para ao resto da vida (ainda devem estar a viver à conta disso).
É extremamente útil, em complemento a este desfile de canções que venho aqui trazendo, ler essas notas complementares que tem a paciência de nos transmitir.
Saber-se que todos esses intérpretes – pelo menos esses – estiveram no índex da conspícua BBC, por exemplo.
Útil também, como acentua, para relativizarmos certos atavismos que alguns imaginam ser exclusivos cá da terra noutras épocas.
Comecei a ouvir Eric Carmen, adolescente, já na fase pós-Raspberries – e nem imagino a quantidade de vezes que o ‘All By Myself’ rodou no meu gira-discos.
Sem imaginar que aquela melodia extraída do célebre concerto n.º 2 para piano de Rachmaninoff viria a tornar-se – não muitos anos depois – também música da minha vida, por via do cinema. Ao escutá-la no hilariante ‘O Pecado Mora ao Lado’, de Billy Wilder, com Marilyn Monroe. Um filme de que gostei ao ponto de nunca mais ter querido revê-lo…
As canções, como se vê, são como as cerejas. Umas vão puxando outras. E enquanto falamos de canções não falamos de guerras (parafraseando John Lennon).