O 2º álbum dele, ainda gravado durante o exílio em França e antes de partir para o Canadá, para a etiqueta “Guilda da Música”. Esta etiqueta, de que tenho aí alguns LP, traz-me à memória o esforço de contenção de despesas a que o desejo de comprar aqueles LP me obrigou à época. Hoje está tudo online, temos uma ligação à internet, uns aparelhos que lá vão buscar a música com um som bom ou até muito bom e a Spotify ou outra que tal paga um fee qualquer ao artista, claro que os artistas acham pouco – e se calhar é – mas face à quase total redução das vendas físicas não vejo como se sai deste ping-pong verbal. É bom para todos e com custos que tornam a “pirataria” em grande parte sem justificação. Mas ou porque o som tem um toque metálico que dispenso ou porque pegar no objecto físico que tanto “sangue, suor e lágrimas” me custou na altura me dá prazer, lã vou ouvindo esses objectos obsoletos que são os LP e também já os CD. O revivalismo do vinil já deu o que tinha a dar, as pessoas gastam um dinheirão nos discos novos e depois ouvem-nos nuns caixotes que se vendem por aí com alto-falante incorporado… Daí que quem ainda quer ouvir a música (e tenha aparelhagem minímamente de jeito) opte por, em vez de seguir a moda, procurar cada vez mais as lojas de 2ª mão onde aparecem belíssimas oportunidades (espreitar o estado do disco antes de o comprar, sff).
O 1º álbum foi “Os sobreviventes” do ano anterior e teve um percurso digno dessa época, proíbido pela censura e depois autorizado, andou neste vai e vem uns tempos mas recebeu em 1972 o Prémio da Imprensa entregue no ano seguinte pela Casa da Imprensa. O passado é um país estrangeiro parafraseando um título de Ali Smith e, tal como com os países estrangeiros, só quem lá viveu o entende em todas as suas dimensões, não chega visitá-lo e andar por lá de fila em fila para visitar isto e aquilo e olhar tudo por trás de uma câmara de telemovel.
Um autor e cantor muitas vezes apelidado “de intervenção” mas talvez o único que, na minha opinião, foi muito mais longe que qualquer outro ao contar-nos (e cantar-nos) a vida de todos os dias e de todos nós, das pequenas coisas que nos acontecem aos grandes gestos que temos uns para os outros. E nisso o ponho numa categoria àparte. E também porque não nos quis convencer que a música dele foi decisiva para as mudanças políticas em Portugal.
Concordo em absoluto com a sua apreciação. Sérgio Godinho é dos raros cantores (ou cantautores, feliz neologismo aqui bem aplicado) que se revelou capaz de superar o contexto específico em que surgiu, reinventando-se e criando temas que – até em vozes de outros – integram o novo cancioneiro popular em língua portuguesa. Estes álbuns mais antigos, sobretudo ao serem revisitados em vinil, convocam sempre recordações ligadas à época de quem os ouviu pela primeira vez. O contexto, nestas coisas, ajuda muito a valorizar temas que aos ouvidos de outros podem ser considerados banais ou até desinteressantes. Não será, seguramente, o caso desta “Noite Passada”. Das tais canções que vieram para ficar. Podia ter sido perfeitamente um tema de um filme – daqueles que perduram na memória de várias gerações de espectadores.
O 2º álbum dele, ainda gravado durante o exílio em França e antes de partir para o Canadá, para a etiqueta “Guilda da Música”.
Esta etiqueta, de que tenho aí alguns LP, traz-me à memória o esforço de contenção de despesas a que o desejo de comprar aqueles LP me obrigou à época.
Hoje está tudo online, temos uma ligação à internet, uns aparelhos que lá vão buscar a música com um som bom ou até muito bom e a Spotify ou outra que tal paga um fee qualquer ao artista, claro que os artistas acham pouco – e se calhar é – mas face à quase total redução das vendas físicas não vejo como se sai deste ping-pong verbal.
É bom para todos e com custos que tornam a “pirataria” em grande parte sem justificação.
Mas ou porque o som tem um toque metálico que dispenso ou porque pegar no objecto físico que tanto “sangue, suor e lágrimas” me custou na altura me dá prazer, lã vou ouvindo esses objectos obsoletos que são os LP e também já os CD.
O revivalismo do vinil já deu o que tinha a dar, as pessoas gastam um dinheirão nos discos novos e depois ouvem-nos nuns caixotes que se vendem por aí com alto-falante incorporado…
Daí que quem ainda quer ouvir a música (e tenha aparelhagem minímamente de jeito) opte por, em vez de seguir a moda, procurar cada vez mais as lojas de 2ª mão onde aparecem belíssimas oportunidades (espreitar o estado do disco antes de o comprar, sff).
O 1º álbum foi “Os sobreviventes” do ano anterior e teve um percurso digno dessa época, proíbido pela censura e depois autorizado, andou neste vai e vem uns tempos mas recebeu em 1972 o Prémio da Imprensa entregue no ano seguinte pela Casa da Imprensa.
O passado é um país estrangeiro parafraseando um título de Ali Smith e, tal como com os países estrangeiros, só quem lá viveu o entende em todas as suas dimensões, não chega visitá-lo e andar por lá de fila em fila para visitar isto e aquilo e olhar tudo por trás de uma câmara de telemovel.
Um autor e cantor muitas vezes apelidado “de intervenção” mas talvez o único que, na minha opinião, foi muito mais longe que qualquer outro ao contar-nos (e cantar-nos) a vida de todos os dias e de todos nós, das pequenas coisas que nos acontecem aos grandes gestos que temos uns para os outros.
E nisso o ponho numa categoria àparte.
E também porque não nos quis convencer que a música dele foi decisiva para as mudanças políticas em Portugal.
Concordo em absoluto com a sua apreciação. Sérgio Godinho é dos raros cantores (ou cantautores, feliz neologismo aqui bem aplicado) que se revelou capaz de superar o contexto específico em que surgiu, reinventando-se e criando temas que – até em vozes de outros – integram o novo cancioneiro popular em língua portuguesa.
Estes álbuns mais antigos, sobretudo ao serem revisitados em vinil, convocam sempre recordações ligadas à época de quem os ouviu pela primeira vez. O contexto, nestas coisas, ajuda muito a valorizar temas que aos ouvidos de outros podem ser considerados banais ou até desinteressantes.
Não será, seguramente, o caso desta “Noite Passada”. Das tais canções que vieram para ficar. Podia ter sido perfeitamente um tema de um filme – daqueles que perduram na memória de várias gerações de espectadores.