Canções com meio século (381)


Pedro Correia,

Guardei Minha Viola, Paulinho da Viola

(Álbum: A Dança da Solidão, 1972)

3 comentários em “Canções com meio século (381)”

  1. Uma “marchinha de Carnaval” deste grande autor e cantor com tão fortes ligações ao samba.
    Pela minha parte remeto-me hoje em dia a Tom Jobim, Maria Bethânia, Elis Regina e poucos mais, Caetano Veloso e Chico Buarque são muito bons mas nem sempre estou para aí virado mas João Gilberto nas suas colaborações com Stan Getz nunca me cansam.

    Há uns tempos atrás encontrei duas “preciosidades” que me faltavam, a saber, o espectáculo ao vivo “Bossa Nova at Carnegie Hall” de 21 de Novembro de 1962 que lançou a bossa nova nos EUA e “João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes – Um encontro no Au Bon Gourmet” gravado também ao vivo no famoso restaurante de Copacabana em 2 de Agosto de 1962, onde foi cantado pela 1ª vez a “Garota de Ipanema”.

    Junto um link para um artigo curiosíssimo sobre o acontecimento (aquele diálogo está óbviamente no disco):

    https://efemeridesdoefemello.com/2017/08/02/garota-de-ipanema-e-apresentada-ao-mundo/

    1. Tom Jobim é um gigante, diz bem.
      Ponho-o nos píncaros: era o Cole Porter ou o Irving Berlin brasileiro.

      Tal como João Gilberto, o homem que mudou a maneira de cantar – antes dele, gritava-se, depois dele, passou a sussurrar-se. O microfone passou de amplificador a confidente.
      Todos os outros – Buarque, Caetano – adoptaram esse estilo. E até o Sinatra, ao fazer um álbum com Jobim (que recebeu o Grammy do ano, salvo erro em 1967) passou a cantar assim, o que lhe causou estranheza inicial.
      «Parecia que estava com faringite», ironizou.

      A música também serve para isto, meu caro Amigo. Para contar histórias em torno dela.

      1. O 2º parágrafo da sua resposta é notável e vou utilizá-lo no dia-a-dia das conversas melómanas, se não se importa.

        O álbum “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim” é de facto de 1967, mas em 1968 perdeu o Grammy do ano para o “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o que ainda assim é notável dado que a “corrida” estava ganha à partida, por assim dizer.
        Em 1971 saíu “Sinatra & Company” com 14 canções das quais a primeira metade tinham aparentemente sobrado do álbum anterior (a 2ª parte do disco não tem nada a ver com a 1ª, aquilo é um disco esquisito).
        Tenho os dois em CD assim como todos os outros que saíram na REPRISE, entre os quais o “Watertown”, um álbum completamente estranho ao mundo do Sinatra, quase impensável que ele o tenha gravado e que foi sempre muito criticado e mal recebido.

        Como sabe a “Reprise Records” foi fundada pelo próprio Sinatra para poder cantar o que quisesse e não o que a Capitol queria.

        Assim como na música clássica costumo dizer que há o Johann Sebastian Bach e depois é que se começa a classificar os outros compositores, na música ligeira costumo dizer que há o Frank Sinatra e depois é que começo a classificar os outros cantores.

        Como dizía alguém “É a minha opinião e estou totalmente de acordo com ela”.
        E como nota final é mesmo a parte de “contar histórias em torno dela” que me entusiasma, mas isso não é nenhuma novidade para o meu Amigo.

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