Canções com meio século (1875)


Pedro Correia,

I Need to be in Love, Carpenters

(Álbum: A Kind of Hush, 1976)

4 comentários em “Canções com meio século (1875)”

  1. Ela partiu muito antes de tempo. E estes quatro minutos e nove segundos, entre tanta outra coisa que o faz, legitimam uma minha crescente sensação, perante o “meio artístico”, não já de conservadorismo, mas de geral e – enfim, procuremos que fique por aqui -, moderado reaccionarismo.
    Ou então estou apenas velho.

    1. Está nada velho, apenas um bocadinho nostálgico e com excelentes razões para isso: afinal “conheceu-a”…
      Um clássico da música romântica, para mais com uma belíssima letra, tem e terá sempre apreciadores, resistirá ao tempo e às modas, provavelmente será até “redescoberto” um destes dias como tem acontecido a tantas boas músicas que pensávamos esquecidas.
      Um clássico é sempre um clássico.

      1. Bondade sua e que lhe agradeço.
        Em todo o caso, convivo muito bem com essa minha “velhice” (aspas ou não, deixemos isso agora de lado), creia. Tudo tem um tempo, todos o têm e este manifestamente e em muita coisa já não é o meu. É uma questão de saber conviver com este que está, de imparável ascensão e triunfo arrogante da estupidez, e com isso convivo mal, guardando o nosso reduto.
        O que nem sempre é fácil. Sequer possível.
        Vivemos o fim de um tempo, sem dúvida (todo o tempo é o fim de um tempo, bem sei) e, tirando algum progresso material – se generalizado e generalizável, ou não, é outro assunto -, o que aí vem não será melhor do que aquele que termina.

        1. Tudo tem um tempo; e enquanto por cá estivermos, com consciência de nós próprios, esse é o nosso tempo, nem mais, nem menos. E a verdade é que vivemos tempos extraordinários, no passado e também no presente – mas é a nossa experiência do passado, de um tempo que foi objectivamente “cheio” não só de novidade como de sentido, que de facto nos torna singulares neste presente. “Eles” sabem lá o que perderam, Costa…

          Um presente onde também muitas vezes me sinto como que desfasada, não tanto pelo excesso de novidade, embora seja cansativo e as mais das vezes fútil; mas pelo excesso de som e de fúria, como dizia o outro.
          Há momentos em que é como se estivesse num quadro do H. Bosch, acredite. E tantos outros em que agradeço aos fados não ter nascido “assim”, capaz de viver feliz e contente sem nunca ter lido um livro e incapaz de perceber que falta isso me faz… E se eu fosse como o Grila?!

          Que aí está a principal diferença entre este nosso mundo e o “nosso” mundo que ficou lá atrás: há, objectivamente, uma inversão de valores, para mais dos valores que nos civilizaram; então, ninguém se sentia feliz ou orgulhoso por ser ignorante, rude, cruel, desonesto ou estúpido; agora é só uma questão de encontrarem a “tribo” certa, o “chat” de pares que os validem, e sentem-se iguais ou até melhores do que qualquer catedrático. E se forem “influenciadores” profissionais, valem mesmo por um saco cheio de catedráticos…

          Eu sei que parece arrogância, mas não é, é simples constatação de facto: o que mais me consola é sentir-me mesmo desfasada deste mundo.

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