Ela partiu muito antes de tempo. E estes quatro minutos e nove segundos, entre tanta outra coisa que o faz, legitimam uma minha crescente sensação, perante o “meio artístico”, não já de conservadorismo, mas de geral e – enfim, procuremos que fique por aqui -, moderado reaccionarismo. Ou então estou apenas velho.
Está nada velho, apenas um bocadinho nostálgico e com excelentes razões para isso: afinal “conheceu-a”… Um clássico da música romântica, para mais com uma belíssima letra, tem e terá sempre apreciadores, resistirá ao tempo e às modas, provavelmente será até “redescoberto” um destes dias como tem acontecido a tantas boas músicas que pensávamos esquecidas. Um clássico é sempre um clássico.
Bondade sua e que lhe agradeço. Em todo o caso, convivo muito bem com essa minha “velhice” (aspas ou não, deixemos isso agora de lado), creia. Tudo tem um tempo, todos o têm e este manifestamente e em muita coisa já não é o meu. É uma questão de saber conviver com este que está, de imparável ascensão e triunfo arrogante da estupidez, e com isso convivo mal, guardando o nosso reduto. O que nem sempre é fácil. Sequer possível. Vivemos o fim de um tempo, sem dúvida (todo o tempo é o fim de um tempo, bem sei) e, tirando algum progresso material – se generalizado e generalizável, ou não, é outro assunto -, o que aí vem não será melhor do que aquele que termina.
Tudo tem um tempo; e enquanto por cá estivermos, com consciência de nós próprios, esse é o nosso tempo, nem mais, nem menos. E a verdade é que vivemos tempos extraordinários, no passado e também no presente – mas é a nossa experiência do passado, de um tempo que foi objectivamente “cheio” não só de novidade como de sentido, que de facto nos torna singulares neste presente. “Eles” sabem lá o que perderam, Costa…
Um presente onde também muitas vezes me sinto como que desfasada, não tanto pelo excesso de novidade, embora seja cansativo e as mais das vezes fútil; mas pelo excesso de som e de fúria, como dizia o outro. Há momentos em que é como se estivesse num quadro do H. Bosch, acredite. E tantos outros em que agradeço aos fados não ter nascido “assim”, capaz de viver feliz e contente sem nunca ter lido um livro e incapaz de perceber que falta isso me faz… E se eu fosse como o Grila?!
Que aí está a principal diferença entre este nosso mundo e o “nosso” mundo que ficou lá atrás: há, objectivamente, uma inversão de valores, para mais dos valores que nos civilizaram; então, ninguém se sentia feliz ou orgulhoso por ser ignorante, rude, cruel, desonesto ou estúpido; agora é só uma questão de encontrarem a “tribo” certa, o “chat” de pares que os validem, e sentem-se iguais ou até melhores do que qualquer catedrático. E se forem “influenciadores” profissionais, valem mesmo por um saco cheio de catedráticos…
Eu sei que parece arrogância, mas não é, é simples constatação de facto: o que mais me consola é sentir-me mesmo desfasada deste mundo.
Ela partiu muito antes de tempo. E estes quatro minutos e nove segundos, entre tanta outra coisa que o faz, legitimam uma minha crescente sensação, perante o “meio artístico”, não já de conservadorismo, mas de geral e – enfim, procuremos que fique por aqui -, moderado reaccionarismo.
Ou então estou apenas velho.
Está nada velho, apenas um bocadinho nostálgico e com excelentes razões para isso: afinal “conheceu-a”…
Um clássico da música romântica, para mais com uma belíssima letra, tem e terá sempre apreciadores, resistirá ao tempo e às modas, provavelmente será até “redescoberto” um destes dias como tem acontecido a tantas boas músicas que pensávamos esquecidas.
Um clássico é sempre um clássico.
Bondade sua e que lhe agradeço.
Em todo o caso, convivo muito bem com essa minha “velhice” (aspas ou não, deixemos isso agora de lado), creia. Tudo tem um tempo, todos o têm e este manifestamente e em muita coisa já não é o meu. É uma questão de saber conviver com este que está, de imparável ascensão e triunfo arrogante da estupidez, e com isso convivo mal, guardando o nosso reduto.
O que nem sempre é fácil. Sequer possível.
Vivemos o fim de um tempo, sem dúvida (todo o tempo é o fim de um tempo, bem sei) e, tirando algum progresso material – se generalizado e generalizável, ou não, é outro assunto -, o que aí vem não será melhor do que aquele que termina.
Tudo tem um tempo; e enquanto por cá estivermos, com consciência de nós próprios, esse é o nosso tempo, nem mais, nem menos. E a verdade é que vivemos tempos extraordinários, no passado e também no presente – mas é a nossa experiência do passado, de um tempo que foi objectivamente “cheio” não só de novidade como de sentido, que de facto nos torna singulares neste presente. “Eles” sabem lá o que perderam, Costa…
Um presente onde também muitas vezes me sinto como que desfasada, não tanto pelo excesso de novidade, embora seja cansativo e as mais das vezes fútil; mas pelo excesso de som e de fúria, como dizia o outro.
Há momentos em que é como se estivesse num quadro do H. Bosch, acredite. E tantos outros em que agradeço aos fados não ter nascido “assim”, capaz de viver feliz e contente sem nunca ter lido um livro e incapaz de perceber que falta isso me faz… E se eu fosse como o Grila?!
Que aí está a principal diferença entre este nosso mundo e o “nosso” mundo que ficou lá atrás: há, objectivamente, uma inversão de valores, para mais dos valores que nos civilizaram; então, ninguém se sentia feliz ou orgulhoso por ser ignorante, rude, cruel, desonesto ou estúpido; agora é só uma questão de encontrarem a “tribo” certa, o “chat” de pares que os validem, e sentem-se iguais ou até melhores do que qualquer catedrático. E se forem “influenciadores” profissionais, valem mesmo por um saco cheio de catedráticos…
Eu sei que parece arrogância, mas não é, é simples constatação de facto: o que mais me consola é sentir-me mesmo desfasada deste mundo.