Em tempos, o Duarte Calvão mencionou aqui um disco desse génio da música universal que foi Antonio Carlos Jobim – autor de partituras tão fabulosas como as de Cole Porter ou Irving Berlin. E adiantou que Lígia, de Jobim, é talvez a canção brasileira de que mais gosta. Acontece que é também um dos meus temas favoritos de todos os tempos. Tenho-o em várias gravações, incluindo num disco de Stan Getz – o inesquecível The Lyrical Stan Getz.Muita gente não sabe que existem duas versões de Lígia. A original, de Jobim, e uma outra, a que prefiro, com versos acrescentados por Chico Buarque, acentuando a magoada ironia das palavras.
Mas se tivesse de eleger a “minha” canção favorita, entre as brasileiras, a escolha recaía no Samba da Bênção (Baden Powell/Vinicius de Moraes). É um tema que me tem acompanhado anos fora, nas mais diversas circunstâncias. Uma espécie de banda sonora da minha vida.
Além destas duas, deixo aqui as restantes oito canções que formam o “dez mais” dos meus gostos em música brasileira. Vão por ordem alfabética, pois é-me praticamente impossível ordená-las de outra forma:
– Chega de Saudade (Jobim/Vinicius), na voz inconfundível de João Gilberto, jovem de 80 anos completados ontem
– Eu Te Amo (Jobim/Chico Buarque)
– João e Maria (Chico Buarque)
– Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá)
– Pela Luz dos Olhos Teus (Vinicius)
– Romaria (Renato Teixeira), interpretada por Elis Regina
– Valsinha (Vinicius-Chico Buarque)
– Vambora (Adriana Calcanhotto)

Ui, Pedro, para mim é uma tarefa praticamente impossível escolher só 10 canções brasileiras. Acho que não existe outro país que produza tanta música de qualidade, com letras correspondentes. Menos de 20 ou 30, para mim é muito difícil…
Tens razão. Só do Chico Buarque poderiam estar aqui mais de dez. Falta “Atrás da Porta”, por exemplo. Ou “O Que Será”. O Caetano também também várias que poderiam aqui estar. E há muitas outras canções de que gosto muito, sempre: “Sob Medida”, por exemplo. Ou “Fogueira”. Ou “Tarde em Itapoã”. Ou “Copacabana”. Até a “Garota de Ipanema”, apesar de ter sido um pouco vítima do seu êxito ao ponto de se tornar quase ‘música de elevador’ em qualquer recanto do planeta. Hum… Esta lista teria de ser refeita semana após semana.
Vês? É o que eu digo: missão impossível!
E eu queria trazer aqui para a semana as dez melhores francesas, depois as espanholas, depois as italianas, depois as inglesas… As americanas nem tento. Acho que vou desistir.
Também acho. Se queres mesmo uma boa utopia, concentra-te no pagamento da dívida externa portuguesa…
Ou então fico-me pelo fado. Os “meus” dez melhores fados.
Isso é bem mais fácil, embora a Amália te vá dar dores de cabeça…
Concordo contigo, Ana. Só se for às dez de cada vez. Falta-me a Tarde em Itapoã, a Garota de Ipanema, Vamos fugir na versão da Daúde e Paradeiro do Arnaldo Antunes, já para não falar de Reconvexo de Bethânia e umas quantas de Caetano. Para mim seria mesmo tarefa impossível 🙂
Partilho da mesmíssima opinião da Ana Vidal.
Dez canções brasileiras? Uma tarefa impossível.
A primeira, desta ordem alfabética, é quase a minha música do fundo, enquanto trabalho.
Essa e várias outras, consoante a disposição, mas esta não cansa nunca.
Outras, também não ….
Este comentário faz-me lembrar alguém ….
E, já agora, envio esta pequena maravilha: dE
http://www.youtube.com/watch?v=UjRwuGsug
Obrigado pela fabulosa “Aquarela”, da dupla Vinicius-Toquinho, minha cara amiga. Gosto igualmente da quase homónima “Aquarela do Brasil”, do grande Ary Barroso. Claro que ambas também poderiam figurar aqui. Como tantas outras de que me vou lembrando agora, celebrizadas pelas mais diversas vozes. “Com Açúcar, com Afecto”, por exemplo. Ou “Bye Bye Brasil”. Ou “Na Baixa do Sapateiro”. Ou “Menino do Rio”. Ou “Cantores do Rádio”. Ou……..
Toquinho também, sempre. E Bethânia, Gal, Simone, só para citar os nomes mais conhecidos. Mas o Brasil continua a produzir música excelente, é um dom especial.
Sim, claro. Só da Marisa Monte, por exemplo, poderiam aparecer aqui várias. Ficam para as “canções do século”.