É uma crónica sobre um menino açoriano que subiu ao pódio da Taça do Mundo no Open Internacional de Ginástica no escalão juvenil. Ganhou a competição com 19.250 pontos. Ao lado de Tomás estavam Damir Manacof da Rússia, com 19.200 pontos e Leonor Manta da Roménia com 18.600 pontos.
O sorriso de Tomás Amaral na vitória é quase comovente, diz tudo. Está ali o seu momento, é grande, é imenso, é o seu nome, o hino do seu país, os pais a morrer de orgulho, de certeza, a treinadora, Alexandra Barroso, de lágrimas nos olhos, os amigos a torcer para que tudo tenha valido a pena. Um corpo de rapazinho, pequeno e esguio, a voar num tapete de dez por dez metros. Vence o ouro para Portugal e deveríamos estar histéricos de felicidade, deveríamos abençoar o século XXI e a evolução dos nossos atletas e respectivas condições de trabalho.
Tomás Amaral só pode treinar duas vezes por semana, porque não há condições em Ponta Delgada para este ou outros campeões e, apesar disso, como a estrada em tempos para Rosa Mota, os atletas persistem. O Tomás Amaral treina no Clube de Actividades Gímnicas de Ponta Delgada. A treinadora diz que as condições que têm são más, que precisa de uma área oficial de 10 metros por 10 metros mais do que duas vezes por semana.
Quem nasceu a ver Nadia Comăneci e afins a voar nos tapetes, com o arco, a bola, a fita, nas paralelas assimétricas, só pode dizer: incrível, ganhámos, ganhámos aos russos, aos outros, aos do costume. Nós, o povo de feitos incríveis em tantas áreas, sim, nós, mas caramba na ginástica e sem condições.
O sorriso de Tomás Amaral fez o meu dia, fez o dia de muita gente, mas não de um país. Há modalidade e modalidades, já se sabe. As atenções estavam no futebol, dizem-me. Vão dizer isso ao Tomás, sim? Talvez até seja do adepto ferrenho de futebol este o nosso campeão, mas isso nem interessa para nada.
O que importa mesmo dizer é que precisamos de dar condições aos nossos atletas, jovens ou menos jovens, olímpicos ou paralímpicos (e se formos para o universo dos paralímpicos, pois devíamos ter vergonha como país, porque as medalhas chegam-nos em barda, mas esses são os atletas do não-apoio). E em Ponta Delgada estas condições não existem. O que existe é uma enorme vontade de vencer, de ser melhor.
Depois de escrever estas linhas, soube que Diogo Ganchinho é campeão da Europa de Trampolim. Ok, não tem o glamour de outras coisas, pois, mas parabéns Diogo, parabéns Tomás! E parabéns Portugal.

Não costumo ir divulgar para as redes sociais, mas estou a impar de orgulho. Por eles.
Patrícia,
Soube do resultado, mas desconhecia as condições de treino do jovem (e, provavelmente, de outros do Clube de Actividades Gímnicas). As Escolas do 2º e 3º Ciclo não dispõem de pavilhão/ginásio polidesportivo? Não podem alugar uma pequena parte de um desses espaços ao CAG?
João Moreira
Como podemos ajudar?
Aparentemente boa parte do sucesso é da responsabilidade da treinadora, que leva aos campeonatos não só este mas também outros pequenos ginastas. Está de parabéns a treinadora!
A minha pergunta é a mesma do anónimo: como podemos ajudar?
É uma desgraça para o garoto ter jeito para aquilo. Vão triturá-lo como é costume nestas andanças e não vai fazer nada por gosto. Terá de treinar horas a fio, seguir regras e dieta e não terá infância nem juventude. Eu cá nunca daria ajudas para torturas só para depois eu me orgulhar dos feitos dos da minha nacionalidade. Quando vejo estas coisas, digo sempre: felizmente eu sou um grande nabo em matéria desportiva. Que sorte.
É capaz de ter razão.
Ainda ontem conheci uma rapariga, ainda muito jovem, que diz que está com os joelhos estragados para o resto da vida porque na adolescência praticou patinagem artística até ao nível competitivo. A patinagem, diz ela, em boa parte dos casos dá cabo dos joelhos dos praticantes.